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OS PROBLEMAS DE SEMPRE

Hapvida (HAPV3) tem trimestre ainda pior do que a tragédia do 3T25, e futuro CEO reconhece frustração — mas traça plano para virar o jogo

Mais um resultado muito fraco no 4T25, com queda de rentabilidade, queima de caixa e perda de beneficiários, expõe desafios estruturais e leva a companhia a reforçar plano focado em execução, eficiência e preservação de capital

Hapvida, operadora de saúde, sendo analisada por um médico
Imagem: IA/ChatGPT

“Nós sabemos que o resultado veio abaixo das expectativas do mercado”. Foi assim que Luccas Adib, próximo CEO na linha de sucessão da Hapvida (HAPV3), resumiu o desempenho do quarto trimestre de 2025, em teleconferência com analistas após a divulgação dos números na quarta-feira (18).

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A leitura é compartilhada pelo BTG Pactual, Safra e JP Morgan, que destacaram a frustração com o desempenho bem abaixo das expectativas.

Em relatório, o BTG afirma que a companhia reportou números ainda piores do que os do terceiro trimestre de 2025, quando as ações desabaram mais de 40% em um único dia em resposta aos resultados. Você pode entender mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.

“Isso é particularmente preocupante, já que o quarto trimestre costuma ser um dos mais fortes do ano do ponto de vista sazonal — e, ainda assim, acabou sendo o mais fraco. No geral, os resultados foram amplamente negativos em diversas linhas”, escreve o time de análise em relatório.

Mesmo assim, as ações da Hapvida lideram os ganhos do Ibovespa, subindo 8,40% por volta das 12h25, negociadas a R$ 8,90, embaladas pelos planos do futuro CEO para virar o jogo ainda em 2026.

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“A companhia não vai reconstruir credibilidade com promessas, mas com execução, números e resultados consistentes. Não precisamos reinventar o modelo, mas sim voltar a fazer bem o básico. Para 2026, o foco é claro: qualidade na entrega, disciplina de custos e consistência”, disse o executivo em teleconferência de resultados.

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Os principais destaques do balanço da Hapvida

A companhia reportou prejuízo de R$ 29,1 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, revertendo o lucro de R$ 167 milhões no mesmo período de 2024.

Em base ajustada, excluindo efeitos não recorrentes, a Hapvida teve lucro de R$ 180,6 milhões, queda de 65% no ano a ano.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também caiu na base anual. Em termos ajustados, chegou a R$ 713,8 milhões, com margem de 9%. A desaceleração foi de 32% frente ao mesmo momento de 2024, com queda de 5,2 pontos percentuais na margem.

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Para o BTG Pactual, o nível de rentabilidade chama atenção: a margem Ebitda é vista como anormalmente fraca e abaixo do padrão histórico da companhia, o que levanta dúvidas sobre o ritmo de normalização daqui para frente.

Além disso, a Hapvida registrou consumo de caixa de R$ 1,6 bilhão nos três últimos meses do ano, puxado principalmente por saídas de R$ 1,13 bilhão relacionadas ao serviço da dívida no trimestre.

Já a receita líquida foi de R$ 7,9 bilhões, alta de 6% na base anual e ponto neutro na visão dos analistas.

A dívida líquida subiu 14,3% frente ao quarto trimestre de 2024, para R$ 5,1 bilhões e alavancagem de 1,32 vez dívida liquida sobre Ebitda — frente a 0,26 em 2024.

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Na visão do BTG Pactual, o movimento acende um alerta para a estrutura de capital, em meio à queima de caixa e ao aumento da alavancagem.

O Safra também destaca a piora do indicador, enquanto o JP Morgan vê a combinação de margens pressionadas e consumo de caixa como um fator que pode dificultar a desalavancagem nos próximos trimestres.

Por trás desses resultados, pesaram a sinistralidade acima do esperado, a perda líquida de beneficiários e o crescimento ainda limitado do ticket médio.

A sinistralidade continua pesando para a Hapvida

A sinistralidade (MLR) já é um problema antigo da companhia e foi um dos grandes motivos por trás da derrocada dos papéis logo após o balanço do terceiro trimestre.

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Nos três últimos meses do ano passado, a pressão continuou: o indicador subiu 4,5 pontos percentuais na comparação anual, para 75,5% — apesar da sazonalidade favorável.

Segundo Adib, durante a teleconferência, essa linha foi impacta por três fatores. O primeiro foi o início tardio da redução sazonal da utilização nos últimos meses do ano. Esse movimento é típico do período, mas em 2025 só começou no início de novembro.

O segundo ponto foi o maior custo da rede credenciada. Isso porque as utilizações atípicas do terceiro trimestre foram faturadas no quarto.

Já o terceiro ponto foi o avanço da rede própria, com a inauguração de sete hospitais e 26 unidades ambulatoriais, o que impulsiona o uso por parte dos clientes.

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“Essa expansão reforçou a capacidade assistencial, reduziu a dependência da rede credenciada em certas regiões e é coerente com a essência do nosso modelo. Mas no curto prazo o custo entra antes da receita”, afirma Adib.

Perda líquida de beneficiários e desaceleração no ticket médio

A Hapvida perdeu 140 mil beneficiários no trimestre. Segundo Adib, o resultado reflete um desequilíbrio entre vendas e retenção — apesar de vendas brutas acima de 600 mil vidas, os cancelamentos superaram 700 mil.

Para o executivo, a empresa abriu capacidade, mas não conseguiu convertê-la em crescimento na velocidade necessária. Isso indica que a proposta comercial e operacional ainda não está totalmente ajustada em algumas regiões.

No recorte regional, Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem como mercados mais maduros e consistentes, com alto nível de verticalização.

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A desaceleração nessas áreas foi considerada pontual pelo executivo, ligada principalmente a perdas em extensões de contratos, sem mudanças estruturais na competição.

Sul e Sudeste concentraram o principal problema. Houve perda de cerca de 145 mil vidas no trimestre, sendo aproximadamente 120 mil apenas em São Paulo. Nessas regiões, ainda menos maduras, a competição é mais intensa.

Além do ambiente competitivo, Adib apontou fatores internos para as perdas. Entre eles, a necessidade de ajustar produtos, fricções no canal de corretores, efeitos da integração de sistemas e uma adaptação ainda insuficiente da oferta ao perfil do cliente local.

Segundo o futuro CEO da Hapvida, o impacto foi mais sentido em regiões como o Sul, onde a base é menor e já há algum nível de verticalização.

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Nesses mercados, a desaceleração do ticket acaba sendo amplificada e pesa diretamente sobre as margens no curto prazo.

O plano do futuro CEO para virar o jogo e o que fazer com as ações agora

Para reverter o cenário de resultados abaixo do esperado, Adib afirmou que a Hapvida não precisa reinventar seu modelo, mas sim voltar a executar bem o básico.

A estratégia para 2026 está apoiada em três pilares: crescimento racional, recuperação de margem e preservação de caixa.

No crescimento, a ideia é tratar cada praça como um “micromundo”, com ajustes mais finos de produtos, preços e canais de venda.

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O foco será retomar tração onde houve perda de competitividade, mas com maior disciplina em conversão e retenção, reduzindo o churn (taxa de cancelamento de clientes).

Na frente operacional, a companhia busca recuperar margens com maior ocupação da rede própria e revisão de custos assistenciais.

Já no capital, a orientação é de maior austeridade. O capex (investimentos) deve cair para algo entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões em 2026, sem grandes inaugurações previstas.

A agenda inclui o fechamento de unidades pouco eficientes e até a saída de determinadas regiões, se necessário.

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A experiência do cliente foi colocada como eixo central da nova fase. A expectativa é que melhorias na qualidade do atendimento ajudem a reduzir judicialização, multas e reclamações regulatórias.

Ao mesmo tempo, a empresa quer avançar na simplificação de sistemas e no uso de dados para prever demanda e otimizar equipes.

Mesmo que a companhia esteja dizendo que vai melhorar, os bancos ainda têm pé atrás. Tanto BTG Pactual, como Safra e JP Morgan têm recomendação neutra para os papéis.

Na visão do primeiro, os resultados foram amplamente negativos em diversas linhas e colocam em dúvida a sustentabilidade do balanço da companhia.

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Já o JP Morgan afirma que a recuperação de rentabilidade, impulsionada por volumes e ticket, deve ser mais lenta do que o esperado.

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