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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

MERCADOS HOJE

Foguete não tem ré: Ibovespa quebra novo recorde histórico e supera os 177 mil pontos. Entenda o que impulsiona o índice

Em meio a transferências globais de capital, o principal índice da B3 renova máximas históricas puxado pelo fluxo estrangeiro, dólar em queda e expectativa de juros mais baixos nos EUA

Bia Azevedo
Bia Azevedo
22 de janeiro de 2026
14:49 - atualizado às 14:50
Touro da B3 andando de conversível na Faria Lima cheio de marra ibovespa
Imagem: Touro da B3. Imagem gerada por inteligência artificial

O Ibovespa disparou nos últimos dias, batendo recordes intradia e de fechamento. O principal índice de ações da bolsa brasileira superou os 177 mil pontos pela primeira vez por volta das 12h30 desta quinta-feira (22).

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Mais tarde, cerca de 14h20, o índice registrava alta de 2,89%, aos 176.808,54 pontos. O dólar, por sua vez, caía cerca de 0,38%, a R$ 5,2995, seguindo a desvalorização global da moeda. O DXY, que mede a força a divisa norte-americana ante uma cesta de outras, registrava queda de 0,42% no mesmo horário.

Em Nova York, as bolsas também têm um dia de alta. O Dow Jones avançava 0,94% às 14h20, enquanto o S&P 500 subia 0,72% e o Nasdaq saltava 1%.

O que mexe com o Ibovespa hoje?

O impulso veio do forte fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes, em meio a uma rotação global de dólares.

Esse movimento tem favorecido nosso índice desde terça-feira (20) e reflete o aumento da aversão ao risco em relação ao mercado norte-americano, com investidores reduzindo exposição e promovendo a venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasurys).

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Nos últimos dias, as tensões geopolíticas escalaram, intensificadas por declarações do presidente Donald Trump no contexto da disputa pela Groenlândia. Ontem (21), o chefe da Casa Branca afirmou, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que não pretende usar a força para conquistar a ilha.

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No entanto, o presidente norte-americano recuou e disse estar próximo de um acordo em relação ao território que pertence ao Reino da Dinamarca

Trump também suspendeu as tarifas adicionais de 10% que entrariam em vigor em primeiro de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido — países que já haviam sido alvo de medidas comerciais impostas por Trump e que estavam envolvidas nas tensões sobre a Groenlândia.

Hoje, o presidente voltou ao tema ao declarar que um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) permitiria acesso “total e permanente” dos EUA à região, sem detalhar os termos do entendimento.

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Outros fatores que mexem com o Ibovespa

Os dados econômicos dos EUA também movimentam o pregão. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,2% em novembro ante outubro. O PCE é a medida de inflação de referência para o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA). Na comparação anual, a alta foi de 2,8%. Os números ficaram em linha com a expectativas do mercado.

Após o dado, o mercado manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na próxima decisão de política monetária, que acontece na próxima semana. A previsão é que a retomada do ciclo de afrouxamento monetária seja apenas a partir de junho.

A perspectiva de queda dos juros nos EUA reduz a atratividade dos títulos americanos, que passam a oferecer menor retorno com risco baixo. Com isso, investidores globais tendem a buscar alternativas mais rentáveis, favorecendo a migração de capital para mercados emergentes como o Brasil, especialmente para a bolsa e a renda fixa.

Além disso, um Fed menos restritivo costuma aliviar a pressão sobre o dólar, ajudando o real e reduzindo riscos inflacionários por aqui. Esse ambiente dá mais espaço para o Banco Central brasileiro seguir com cortes de juros, sem provocar instabilidade no câmbio ou saída relevante de recursos do país.

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O cenário doméstico também contribui para a valorização do Ibovespa. Por aqui, a arrecadação do governo federal teve alta real de 3,65% em 2025 sobre ano anterior, somando R$ 2,887 trilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira.

Esse foi o melhor resultado anual já registrado na série histórica do governo, iniciada em 1995.

Os destaques do pregão

A Cogna (COGN3) se destaca como a maior alta do Ibovespa por volta das 14h15, com avanço de 7,65%, a R$ 4,35. Essa é a segunda sessão consecutiva em que os papéis assumem a liderança do índice.

Os investidores ainda repercutem a visão positiva do BTG Pactual sobre a companhia. Ontem (21), o banco elevou a recomendação de neutra para compra e elevou o preço-alvo de R$ 4 para R$ 5.

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Na ponta negativa, apenas cinco ações têm perdas no mesmo horário, mas nenhuma com desvalorização acima de 1%: Brava (BRAV3) lidera a lista, caindo 0,56%, negociada a R$ 17,64.

Com informações do Money Times

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