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Em meio a transferências globais de capital, o principal índice da B3 renova máximas históricas puxado pelo fluxo estrangeiro, dólar em queda e expectativa de juros mais baixos nos EUA
O Ibovespa disparou nos últimos dias, batendo recordes intradia e de fechamento. O principal índice de ações da bolsa brasileira superou os 177 mil pontos pela primeira vez por volta das 12h30 desta quinta-feira (22).
Mais tarde, cerca de 14h20, o índice registrava alta de 2,89%, aos 176.808,54 pontos. O dólar, por sua vez, caía cerca de 0,38%, a R$ 5,2995, seguindo a desvalorização global da moeda. O DXY, que mede a força a divisa norte-americana ante uma cesta de outras, registrava queda de 0,42% no mesmo horário.
Em Nova York, as bolsas também têm um dia de alta. O Dow Jones avançava 0,94% às 14h20, enquanto o S&P 500 subia 0,72% e o Nasdaq saltava 1%.
O impulso veio do forte fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes, em meio a uma rotação global de dólares.
Esse movimento tem favorecido nosso índice desde terça-feira (20) e reflete o aumento da aversão ao risco em relação ao mercado norte-americano, com investidores reduzindo exposição e promovendo a venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasurys).
Nos últimos dias, as tensões geopolíticas escalaram, intensificadas por declarações do presidente Donald Trump no contexto da disputa pela Groenlândia. Ontem (21), o chefe da Casa Branca afirmou, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que não pretende usar a força para conquistar a ilha.
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No entanto, o presidente norte-americano recuou e disse estar próximo de um acordo em relação ao território que pertence ao Reino da Dinamarca
Trump também suspendeu as tarifas adicionais de 10% que entrariam em vigor em primeiro de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido — países que já haviam sido alvo de medidas comerciais impostas por Trump e que estavam envolvidas nas tensões sobre a Groenlândia.
Hoje, o presidente voltou ao tema ao declarar que um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) permitiria acesso “total e permanente” dos EUA à região, sem detalhar os termos do entendimento.
Os dados econômicos dos EUA também movimentam o pregão. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,2% em novembro ante outubro. O PCE é a medida de inflação de referência para o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA). Na comparação anual, a alta foi de 2,8%. Os números ficaram em linha com a expectativas do mercado.
Após o dado, o mercado manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na próxima decisão de política monetária, que acontece na próxima semana. A previsão é que a retomada do ciclo de afrouxamento monetária seja apenas a partir de junho.
A perspectiva de queda dos juros nos EUA reduz a atratividade dos títulos americanos, que passam a oferecer menor retorno com risco baixo. Com isso, investidores globais tendem a buscar alternativas mais rentáveis, favorecendo a migração de capital para mercados emergentes como o Brasil, especialmente para a bolsa e a renda fixa.
Além disso, um Fed menos restritivo costuma aliviar a pressão sobre o dólar, ajudando o real e reduzindo riscos inflacionários por aqui. Esse ambiente dá mais espaço para o Banco Central brasileiro seguir com cortes de juros, sem provocar instabilidade no câmbio ou saída relevante de recursos do país.
O cenário doméstico também contribui para a valorização do Ibovespa. Por aqui, a arrecadação do governo federal teve alta real de 3,65% em 2025 sobre ano anterior, somando R$ 2,887 trilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira.
Esse foi o melhor resultado anual já registrado na série histórica do governo, iniciada em 1995.
A Cogna (COGN3) se destaca como a maior alta do Ibovespa por volta das 14h15, com avanço de 7,65%, a R$ 4,35. Essa é a segunda sessão consecutiva em que os papéis assumem a liderança do índice.
Os investidores ainda repercutem a visão positiva do BTG Pactual sobre a companhia. Ontem (21), o banco elevou a recomendação de neutra para compra e elevou o preço-alvo de R$ 4 para R$ 5.
Na ponta negativa, apenas cinco ações têm perdas no mesmo horário, mas nenhuma com desvalorização acima de 1%: Brava (BRAV3) lidera a lista, caindo 0,56%, negociada a R$ 17,64.
Com informações do Money Times
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