Copo meio cheio? Projeções para a Hypera (HYPE3) pioram, mas ação ainda pode saltar até 33%, diz Santander — e caneta emagrecedora é um dos motivos
Santander espera que a Hypera tenha um 1º trimestre mais fraco em 2026, mas ainda assim recomenda a compra da ação; o que está em jogo?

A Hypera (HYPE3) tem copo meio cheio ou meio vazio? Os analistas do Santander se debruçaram sobre o papel e reduziram as projeções de resultados da farmacêutica. E a queda nas estimativas deve respingar diretamente sobre os acionistas: o banco reduziu o preço-alvo de R$ 33 para R$ 30,50. Ainda assim, a recomendação é de compra para a ação.
O motivo para manter a indicação de compra do papel é pautado em um valuation atrativo e na melhora na geração de caixa, explica o Santander. Para a equipe de análise, o múltiplo de 8,8 vezes lucro estimado para 2026 e 7,6 vezes para 2027 "segue muito atrativo".
Neste ano, a Hypera tem performado na contramão da bolsa brasileira. Enquanto o Ibovespa, principal índice de ações, acumula alta de 17%, a farmacêutica sofre uma tímida queda de 0,9% em 2026.
Mas em relação à cotação atual, o papel oferece um potencial lucrativo de 33%, segundo o Santander.
O que joga a favor da Hypera
Na avaliação do banco, a tese de investimento começa a ganhar força após um período pressionado por alavancagem elevada e juros altos, que estavam limitando a geração de caixa livre da Hypera. "Mas esse cenário começa a mudar", afirmou o time.
O relatório aponta que o aumento de capital e a otimização do capital de giro devem destravar a geração de caixa nos próximos anos.
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O Santander espera que a Hypera entregue um yield de fluxo de caixa livre de cerca de 5% em 2026 e 8% em 2027.
Outro gatilho positivo é a mudança estrutural no portfólio de produtos. "O vencimento da patente da semaglutida [Wegovy] no Brasil melhora a narrativa da empresa”, disseram os analistas.
Com o vencimento da patente da concorrente, a Hypera pode estar entre as primeiras a lançar o genérico do medicamento de emagrecimento , o que “representa um potencial adicional relevante para as estimativas a partir de 2027”.
Santander derruba projeções para Hypera
Apesar da visão positiva, o Santander revisou para baixo suas projeções para a Hypera, principalmente por conta de uma piora no mix de receitas e aumento das despesas comerciais.
Segundo o banco, a pressão vem de uma combinação de fatores. "Reduzimos nossa margem em 110 pontos-base para 2026 e 150 pontos-base para 2027, refletindo um mix mais fraco e maiores gastos comerciais", escreveram os analistas.
A maior participação de genéricos — que têm margens menores — deve pesar na rentabilidade, enquanto a companhia intensifica investimentos em marketing e vendas para sustentar crescimento.
Embora a receita tenha sido praticamente mantida, essa dinâmica levou a cortes nas projeções de resultado ao longo dos próximos anos.
Para o 1° trimestre de 2026, a expectativa também é de um desempenho mais fraco, em linha com a sazonalidade do setor.
“O primeiro trimestre tende a apresentar as menores receitas e margens do ano, com menor diluição de custos fixos”, afirmaram os analistas.
Com uma base menor de receitas, os custos fixos pesam mais proporcionalmente, comprimindo margens.
O Santander projeta receita líquida de R$ 1,97 bilhão, margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada de 28,5% e lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 298 milhões no período, já refletindo uma visão mais conservadora.
Em relação às revisões, o banco cortou suas estimativas sobretudo em rentabilidade: o Ebitda foi reduzido em cerca de 4% a 5% e o lucro líquido ajustado caiu 3% para 2026, 6% para 2027 e 8% para 2028, enquanto a receita recuou cerca de 1% no mesmo período.
Ainda assim, o banco vê avanço ao longo do ano. "Esperamos que a Hypera continue ganhando participação de mercado, com crescimento de vendas para o consumidor final de 7,5% em 2026", disseram.
No pano de fundo, a casa reforça que a combinação de crescimento, desalavancagem e valuation segue favorável. "Vemos uma combinação atrativa de melhora de narrativa, geração de caixa e múltiplos descontados", concluíram.
*Com informações do Money Times
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