Ibovespa perde R$ 8,7 bi de estrangeiros e fecha 4º mês seguido no vermelho; petróleo tomba 20% em junho
Principal índice da B3 caiu 1,01% em junho e fechou o trimestre com baixa de 8,2%; veja também o desempenho do petróleo, do dólar e das bolsas no exterior

O Ibovespa começou 2026 no topo, batendo recorde atrás de recorde e chegando perto dos 200 mil pontos em abril. Mas o fechamento do primeiro semestre mostrou uma virada de humor na bolsa brasileira.
Na esteira do rali de tecnologia no exterior, da proximidade das eleições no Brasil, do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e do retorno do risco fiscal ao radar, o principal índice da B3 engatou a quarta queda mensal consecutiva em junho.
O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (30) em queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos. No acumulado de junho, o índice caiu 1,01%. No trimestre, a baixa foi mais pesada, de 8,2%. Apesar disso, o saldo do primeiro semestre ainda é positivo, com alta de 6,76%.
A pressão sobre a bolsa brasileira veio, principalmente, da saída de capital estrangeiro. O rali das ações de tecnologia nos Estados Unidos e o avanço de outros mercados emergentes, como Taiwan e Coreia do Sul, reduziram o apetite pela B3.
Segundo dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 8,7 bilhões da bolsa brasileira em junho até o último dia 26.
Vale e Petrobras pesam no Ibovespa
No último pregão do mês, os pesos-pesados do Ibovespa ajudaram a puxar o índice para baixo.
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A Vale (VALE3), que responde por cerca de 11% da carteira do Ibovespa, destoou do desempenho do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro em Dalian, na China, fechou em alta de 0,61%, cotado a 747 yuans, ou US$ 109,95 a tonelada.
Ainda assim, os papéis da mineradora recuaram 0,32% nesta terça-feira, cotados a R$ 77,88.
As ações da Petrobras (PETR4) também terminaram o pregão em queda, acompanhando o petróleo. A ação ordinária (PETR3) caiu 1,25%, a R$ 41,78, enquanto PETR4 perdeu 0,89%, a R$ 37,80. Juntas, as ações da estatal representam cerca de 12% da carteira do Ibovespa.
Copasa lidera as altas de junho
Na ponta positiva do índice, a Copasa (CSMG3) liderou os ganhos do Ibovespa em junho, impulsionada pela privatização e pela retomada de cobertura da ação por instituições financeiras.
A operação foi a segunda maior privatização do setor de saneamento no Brasil feita em bolsa, atrás apenas da Sabesp, em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.
As duas fases da oferta secundária de ações, o follow-on, movimentaram R$ 8,4 bilhões, recebidos pelos cofres do Estado de Minas Gerais, único vendedor dos papéis.
A Equatorial Energia (EQTL3), que já é a maior acionista da Sabesp, passou a ser também a maior acionista individual da Copasa. A companhia arrematou 30% da oferta por R$ 5,6 bilhões em uma etapa anterior do processo, na qual participou sem concorrentes.
Na etapa seguinte, a ação foi vendida a R$ 49,03, mesmo preço pago pela Equatorial na primeira fase da privatização. Apenas o lote base, de 56,4 milhões de ações, foi vendido, movimentando R$ 2,8 bilhões.
Após a privatização, o BTG Pactual retomou a cobertura da Copasa considerando a nova condição da companhia como empresa administrada pelo setor privado, sob a gestão da Equatorial, descrita pelo banco como uma das empresas com histórico de recuperação operacional mais sólido do país.
O banco elevou o preço-alvo de CSMG3 para R$ 81 e manteve a recomendação de compra.
Veja as maiores altas do Ibovespa em junho:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
|---|---|---|
| CSMG3 | Copasa | 14,31% |
| MBRF3 | MBRF ON | 12,68% |
| EMBJ3 | Embraer ON | 11,88% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade ON | 11,29% |
| BBSE3 | BB Seguridade ON | 10,51% |
| PSSA3 | Porto ON | 10,23% |
| SMFT3 | Smart Fit ON | 6,61% |
| ITUB4 | Itaú Unibanco PN | 6,59% |
| WEGE3 | Weg ON | 6,57% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 6,05% |
Braskem lidera as perdas do mês
Do outro lado do Ibovespa, a Braskem (BRKM5) liderou as perdas de junho, pressionada pela piora do quadro financeiro da petroquímica, pelas informações de que a companhia já sabia do risco de afundamento do solo em Maceió desde o começo da década de 1980 e pelas negociações com credores.
Mesmo com o anúncio do novo quadro da Braskem e a passagem de bastão no controle da companhia para a Petrobras e a gestora de private equity IG4, as notícias negativas pesaram sobre as ações.
A Justiça Federal em Alagoas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou a Braskem ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió.
Além disso, a petroquímica obteve decisão favorável da Justiça para suspender por 60 dias a cobrança de dívidas por determinados credores financeiros. A decisão veio um dia após a companhia protocolar pedido de tutela de urgência cautelar para garantir uma proteção temporária durante as negociações.
Na reta final do mês, o pessimismo com BRKM5 aumentou após os rebaixamentos das classificações de crédito da companhia.
A Fitch reduziu o rating de emissor da Braskem de CC para C na escala global e de CC(bra) para C(bra) na escala nacional. Já a S&P Global cortou a nota de longo prazo para D, classificação atribuída a empresas consideradas em situação de default, após a obtenção da proteção judicial contra credores.
Veja aqui o que cada nota significa.
Com a piora do quadro da petroquímica, a Braskem também teve a recomendação rebaixada por grandes bancos, como Citi e JP Morgan.
Confira as maiores quedas no mês:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
|---|---|---|
| BRKM5 | Braskem PN | -39,20% |
| CSNA3 | CSN ON | -31,00% |
| USIM5 | Usiminas PNA | -23,74% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | -22,07% |
| SLCE3 | SLC Agrícola | -16,58% |
| PRIO3 | PRIO ON | -16,24% |
| HAPV3 | Hapvida ON | -15,72% |
| TOTS3 | Totvs ON | -12,77% |
| NATU3 | Natura ON | -12,76% |
Dólar sobe no mês, mas ainda cai no ano
No câmbio, o dólar encerrou a sessão desta terça-feira (30) em leve baixa no mercado local, na casa de R$ 5,16, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana diante da maioria das divisas emergentes.
Apesar da virada de mês e de semestre, com rolagem de contratos futuros e a tradicional disputa pela formação da taxa Ptax, o dólar oscilou em margens estreitas.
Depois de superar R$ 5,20 na primeira hora de negócios e registrar máxima de R$ 5,2017, a moeda passou a operar em leve baixa ao longo da segunda etapa do pregão. Com mínima de R$ 5,1625, o dólar fechou em queda de 0,22%, a R$ 5,1630.
Ainda assim, a moeda norte-americana encerrou junho com valorização de 2,38% frente ao real, após alta de 1,82% em maio. No ano, porém, ainda acumula queda de 5,94%.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, também registrou alta mensal, de 2,23%, refletindo a precificação de juros mais altos nos Estados Unidos até o final do ano.
Para Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, junho foi marcado por um movimento global de alta do dólar, com dados fortes de atividade nos EUA e mudança nas expectativas para a política monetária norte-americana.
Ele afirma que o real, que vinha apresentando uma “performance relativa” melhor que a dos pares no ano, sofreu mais que outras divisas emergentes no mês por fatores locais.
“Tivemos uma piora dos termos de troca, com a devolução da alta do petróleo, e um aumento das preocupações fiscais com as medidas do governo”, diz Goldenstein.
Segundo ele, os investidores passaram a trabalhar com uma probabilidade maior de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que significaria a manutenção da atual política econômica.
Petróleo despenca em junho
No mercado de commodities, o petróleo fechou em queda nesta terça-feira e despencou 20% em junho, depois que o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã aumentou a oferta da commodity com a liberação das exportações iranianas.
O movimento levou os preços do petróleo à maior perda trimestral desde 2020.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI — referência para os EUA — para agosto fechou em queda de 1,77%, ou US$ 1,25, a US$ 69,50 o barril.
Já o Brent — a referência internacional — para setembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 1,3%, ou US$ 0,96, a US$ 72,95 o barril.
No mês, o WTI caiu 20,4%, enquanto o Brent recuou 19,9%. No trimestre, as perdas foram de 31,4% e 29,8%, respectivamente. No semestre, porém, o WTI ainda acumula alta de 21%, e o Brent avança 19,9%.
Segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Tanker Tracker, o Irã já exportou 50 milhões de barris de petróleo desde que o bloqueio imposto pelos EUA foi suspenso há duas semanas para dar início a negociações de paz.
Para o ING, porém, o ritmo agressivo da liquidação no mercado de petróleo surpreendeu. Com a queda de junho, a commodity se aproximou dos níveis pré-guerra de fevereiro e registrou o maior recuo trimestral desde o início de 2020, no contexto da pandemia de covid-19.
“A dinâmica dos preços nas últimas semanas reflete um mercado que está tratando este cessar-fogo temporário entre os EUA e o Irã como um acordo permanente”, afirmam os analistas do banco holandês.
Bolsas no exterior fecham em alta
Enquanto o Ibovespa terminou o mês pressionado, as bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira, com ganho de fôlego ao longo do dia e continuidade da recuperação das ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial (IA).
- O Dow Jones subiu 0,26%, aos 52.317,81 pontos, em recorde de fechamento. O índice acumulou alta de 2,52% no mês e de 12,9% no trimestre. No semestre, avançou 8,85%, seu melhor desempenho para os primeiros seis meses do ano desde 2021.
- O S&P 500 avançou 0,79%, aos 7.499,00 pontos. O índice encerrou junho com queda de 1,06%, mas acumulou alta de 14,8% no trimestre, o melhor resultado desde o fim de 2020. No semestre, o ganho foi de 9,54%.
- Já o Nasdaq subiu 1,52%, aos 26.213,72 pontos. Apesar da queda de 2,81% em junho, o índice acumulou altas de 21% no trimestre e de 12,8% no semestre.
Na Europa, os índices fecharam majoritariamente em alta. O pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,88%, aos 641,73 pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram sem direção única. O Nikkei, do Japão, avançou 0,86%, aos 70.062,32 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,63%, aos 22.881,02 pontos.
*Com informações do Estadão Conteúdo e do Money Times
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