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Segundo a BCA Research, o melhor a se fazer é evitar os ativos brasileiros em meio a um cenário economicamente conturbado e sem expectativa de melhora no curto prazo

O Ibovespa, principal índice da bolsa, vive dias de tormento. Depois de o JP Morgan reduzir a recomendação do Brasil de compra para neutro nesta semana, os ativos locais foram reprovados por outra análise gringa. A BCA Research, consultoria canadense, defendeu que o melhor a se fazer é evitar o país e recomendou a venda das ações brasileiras.
Essa série de cortes sobre os ativos do Brasil tem refletido na cotação do Ibovespa. O índice acumula nove pregões seguidos de queda. Desde o início de agosto, há uma desvalorização de 6,22%.
E a tacada contra as ações brasileiras não foi a primeira da consultoria. Os analistas já tinham recomendação de venda para títulos e crédito soberano. O motivo para o pessimismo, segundo a equipe de análise, é que o Brasil está desequilibrado, com o consumo mais alto que os investimentos, enquanto a oferta está estagnada.
Ainda segundo o relatório, a resiliência vista na economia, com o desemprego em queda, é fruto da política fiscal ou, em bom português, dos gastos do governo.
“A generosidade fiscal agrava a sustentabilidade da dívida pública e alimenta a inflação”, destaca. A BCA critica ainda os cortes das taxas de juros.
Nas quatro últimas reuniões, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, que passaram de 15% para 14% ao ano.
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“Os cortes nas taxas de juros dos bancos centrais são motivados politicamente – cortando mesmo quando há restrições fiscais.”
Ainda segundo os analistas, a política monetária se torna mais frouxa, mas a inflação permanece alta. O último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), de julho de 2026, avançou 0,07% no mês e acumula alta de 4,44% em 12 meses.
Como resultado desse cenário incerto, a consultoria recomenda a compra de CDS (Credit Default Swap, em inglês) brasileiros de cinco anos como uma operação de curto prazo. Trata-se de um contrato de derivativo que funciona como um seguro contra o risco de calote de um país.
Para a BCA, a solução para os problemas do Brasil seriam reformas estruturais que aumentassem a produtividade, combinadas com corte de gastos e uma flexibilização monetária considerável.
Porém, o que se viu foi o contrário: gastança. “As reformas estruturais não foram implementadas e as taxas de juros permanecem elevadas. Consequentemente, o investimento de capital está estagnado”.
Na verdade, diz o relatório, o governo aumentou novamente seus gastos antes das eleições, com medidas de estímulo que beneficiaram consumidores em vez de investimentos.
“Essa generosidade fiscal, que está impulsionando o consumo, ocorre em um momento em que a dívida pública já se encontra em uma trajetória insustentável.”
Para a BCA, diante desse cenário, a demanda vai superar a oferta e a inflação vai subir. Com isso, os rendimentos dos títulos locais subirão, piorando a dinâmica da dívida pública do país.
“Um prêmio de risco mais elevado pressionará a moeda, reforçando a onda de vendas de títulos e ações.”
Para a BCA, o favoritismo de Lula se fortaleceu e o resultado confirmará a trajetória de deterioração da situação fiscal brasileira. Além disso, trará “um acerto de contas aos mercados financeiros”.
Entre os argumentos para o favoritismo está a taxa de desemprego, em 5,4%, que permanece próxima de sua mínima em 14 anos.
Já Flávio Bolsonaro desperdiçou uma vantagem inicial nesta campanha eleitoral. Sua campanha enfrenta atualmente uma série de obstáculos:
Por sua vez, o Centrão manterá influência sobre o orçamento, independentemente de quem vencer a Presidência.
Ainda segundo a BCA, o Centrão vai forçar a continuidade dos gastos fiscais.
Em julho, o Senado aprovou um pacote estimado em até R$ 220 bilhões, com benefícios fiscais direcionados a aposentadorias, salários e alívio da dívida, sem, no entanto, definir a fonte de financiamento.
*Com informações do Money Times
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