Onda de resgates em fundos de infraestrutura vem aí? Sparta vê oportunidade nos ativos isentos de IR listados em bolsa
Queda inesperada de demanda acende alerta para os fundos abertos, porém é oportunidade para fundos fechados na visão da gestora

A euforia com as debêntures de infraestrutura isentas de imposto de renda cessou de forma abrupta em outubro, diz a carta mensal da Sparta. Após meses de forte demanda e queda dos spreads — diferença entre a taxa do título privado e de um título público equivalente —, o setor passou por uma correção que surpreendeu investidores e gestores de fundos de infraestrutura.
A correção foi tão intensa que mesmo os fundos incentivados com proteção contra abertura de spreads registraram retornos negativos no mês passado.
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Não foi uma queda drástica — o Índice de Debêntures Anbima (IDA), que mede o desempenho dos títulos de infraestrutura, recuou 0,6839% no período de 30 dias até o fim de outubro —, mas foi uma surpresa, visto que são fundos que raramente performaram abaixo do benchmark nos últimos anos.
O jogo começou a virar com o fim da Medida Provisória 1.303/25. A proposta discutia mudanças na tributação dos títulos isentos de IR, o que levou muitos investidores a anteciparem aplicações antes de uma possível alteração nas regras.
No auge da euforia, os spreads das debêntures incentivadas chegaram a níveis negativos em relação aos títulos públicos, o que não condizia com o risco assumido, visto que são dívidas de empresas privadas (mais arriscadas que a União).
Entretanto, com o benefício tributário, o saldo ainda era positivo — e os gestores (incluindo a Sparta) acreditaram que a demanda iria se sustentar mesmo depois que a MP 1.303/25 caducou.
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Não foi o que aconteceu. Sem risco para a isenção de IR, a demanda real se mostrou menor do que o esperado.
Fim da corrida: quem compra agora?
Grandes fundos incentivados (inclusive da Sparta) começaram a fechar para captação. Isso foi um alerta para o mercado: se quem conhece esse universo por dentro está puxando o freio, tem algo errado.
E tinha, eram os spreads muito comprimidos. “No ponto mais baixo, no meio de outubro, alguns papéis AAA e de prazos longos já negociavam em níveis pouco justificáveis pelos fundamentos”, diz a carta da gestora.
Sem os fundos compradores, os preços das debêntures incentivadas recuaram rapidamente e os spreads se abriram — e deixaram os fundos no vermelho.
- Quando os preços das debêntures incentivadas caem, o valor da cota dos fundos que compraram o título também cai — e isso geram um retorno negativo.
A preocupação da gestora é que isso leve a uma onda de resgates por investidores do varejo. “Historicamente, quando os fundos que têm proteção contra abertura de spreads têm retornos mensais negativos, vemos uma onda de resgates nos meses seguintes”, diz a Sparta.
Se isso acontecer, a já escassa demanda estimada para os próximos meses pode nem existir, levando a um ciclo vicioso de retornos negativos nos fundos e saída dos investidores.
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Copo meio cheio para os fundos de infraestrutura
Mas nem tudo é desastre. Para investidores que estão de olho no longo prazo, a Sparta acredita que a abertura dos spreads se mostra uma oportunidade.
“Nossa principal hipótese era de que uma abertura viria apenas com a queda das taxas de juros, compensando a redução do benefício fiscal. Mas o ponto de virada pode ter sido este, e a janela de alocação pode se abrir mais cedo do que esperávamos, já nos próximos meses”, diz a carta.
Os ativos que podem captar essa oportunidade são os fundos de infraestrutura (FI-Infra) listados em bolsa. Trata-se de fundos fechados, com um capital permanente. Isso significa que não sofrem com pedidos de resgate, ao contrário dos fundos abertos que estão no vermelho.
Essa característica dá aos gestores liberdade para atravessar períodos de oscilação de preços nas debêntures incentivadas, sem precisar vender os ativos em momentos desfavoráveis — como uma corrida de resgates, por exemplo.
Para a Sparta, os ativos de infraestrutura ainda representam uma ótima oportunidade de alocação. Na carta, a gestora destaca que a volatilidade atual vem da dinâmica de oferta e demanda e não de questões estruturais do mercado de crédito.
Os juros continuam altos, assim como a remuneração das debêntures incentivadas e dos fundos de infraestrutura.
Dos sete fundos abertos da Sparta, seis registram remuneração acima de dois dígitos no acumulado do ano até outubro. Os três FI-Infra fechados, listados em bolsa, mantêm o padrão.
Este pode ser um retorno passado, mas a gestora segue confiante para o futuro. “A mudança na dinâmica dos ativos isentos traz novas perspectivas, (...) especialmente para os fundos como os FI-Infras listados, além daqueles com indexadores diferentes do CDI.”
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