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Relatório da agência de risco projeta estabilidade na qualidade do crédito até o próximo ano, mas desaceleração da atividade em meio a juros altos e incertezas políticas exigem cautela
As principais empresas não financeiras do país devem conseguir manter as contas em dia e pagar suas dívidas mesmo diante da desaceleração da economia, prevista para o fim de 2025 e 2026. Um novo relatório da agência de classificação de risco Moody's conclui que a qualidade do crédito corporativo deve se manter estável, mesmo com desafios no horizonte.
O estudo mostra que, enquanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve cair de 3,4% em 2024 para cerca de 2% nos próximos dois anos, as companhias continuarão gerando caixa de forma positiva.
Trata-se de um bom sinal para quem investe em debêntures, os títulos de dívida emitidos por empresas. Nos últimos anos, essa modalidade de investimento em renda fixa tem se tornado cada vez mais popular, especialmente os papéis isentos de imposto de renda, cujos retornos em relação aos títulos públicos têm diminuído com o aumento da demanda.
A avaliação da Moody’s, no entanto, a resiliência do crédito não vale para todos os setores da economia. As empresas voltadas ao mercado interno devem registrar avanço mais sólido, com alta de 4% no Ebitda. Já as exportadoras de commodities — que concentram a maior parte da dívida corporativa do país — devem crescer apenas 1%.
Mas ainda há um grande vilão, segundo a Moody's: o juro alto. A agência de risco afirma que, embora as empresas brasileiras mantenham a capacidade de pagar as dívidas, as despesas elevadas com juros vão limitar os lucros e a geração de caixa.
Além disso, tem a eleição presidencial de 2026. As empresas tendem a administrar suas dívidas de curto prazo para evitar a volatilidade do período.
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Segundo a Moody’s, a resiliência do crédito encontra oportunidade no setor de infraestrutura. A agência estima que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) devem injetar cerca de R$ 364 bilhões em projetos federais e estaduais entre 2025 e 2029.
Esse valor reúne projetos futuros com datas de licitação já anunciadas e projetos licitados desde 2020, que agora entraram na fase inicial de investimento.
As empresas associadas aos projetos concentram a maior parte desse investimento por meio da emissão de dívida. É o caso de obras em rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, sistemas de metrô e saneamento.
A agência também aponta outro setor “vencedor”: o de energia elétrica. A demanda por energia deve crescer, em média, 3,4% ao ano até 2029, segundo a Moody’s. O impulso virá de novos data centers e projetos de energia verde.
Além da geração, o aumento da demanda exigirá mais investimentos em transmissão para escoar a energia de novos projetos eólicos e solares.
Ambos os setores costumam ser populares entre pessoas físicas, por contarem com emissões incentivadas. Trata-se das debêntures isentas de IR, por serem voltadas ao financiamento de projetos de infraestrutura. Além disso, as empresas e projetos de infraestrutura e energia tendem a ser mais defensivos, com fluxo de caixa estável e previsível.
O relatório da Moody's detalha o desempenho esperado para diferentes empresas e mostra um cenário de duas velocidades.
As companhias ligadas ao consumo doméstico e aos serviços se beneficiam de salários reais sustentados e de uma confiança do consumidor próxima dos níveis de 2024. Já as empresas de commodities enfrentam um cenário mais desafiador por causa da volatilidade e da fraqueza dos preços internacionais.
Mercado Livre (Ba1 estável): A Moody’s projeta que a empresa mantenha crescimento robusto, impulsionado pela plataforma de e-commerce e serviços financeiros, que continuam superando o varejo físico.
Localiza (Ba1 estável) e Movida (Ba3 estável): As duas locadoras de veículos devem melhorar a geração de fluxo de caixa. A agência prevê uma expansão de frota lenta, favorecida pela alta nos preços dos aluguéis e pelo aumento das taxas de utilização.
Vale (Baa2 estável): Mesmo com a demanda fraca da China e a queda nos preços dos metais, a mineradora deve aumentar o Ebitda em 2025-2026. A Moody’s aponta que o ganho virá do crescimento dos volumes de produção e do bom controle de custos.
JBS (Baa3 estável) e BRF (Ba2 estável): As produtoras de proteína devem se beneficiar da safra recorde de grãos, que mantém os preços de insumos baixos. A JBS aproveita especialmente o bom momento do mercado de aves, enquanto a BRF pode sustentar o Ebitda com seu controle de custos.
Braskem (B2 negativa): A petroquímica deve sofrer com Ebitda e geração de caixa limitados. Operações fracas no México tendem a reduzir os spreads (diferença entre o preço de compra da matéria-prima e o de venda do produto) das vendas. O excesso de queima de caixa ameaça a liquidez necessária para pagar dívidas.
Gerdau (Baa2 estável), Usiminas (Ba2 estável) e CSN (Ba3 estável): As siderúrgicas continuarão com Ebitda pressionado. A Moody’s destaca como principais fatores o excesso de oferta global de aço, intensificado pela desaceleração da China, e o risco de novas importações no mercado brasileiro.
Suzano (Baa3 positiva) e Eldorado Brasil Celulose (Ba2 em revisão para rebaixamento): As duas empresas enfrentam preços mais baixos da celulose por causa da demanda fraca da China, mas ainda geram fluxo de caixa positivo graças aos custos de produção competitivos.
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