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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

VALE O RISCO?

CDB do Banco Master a 185% do CDI ou IPCA + 30%: vale a pena investir agora? Entenda os riscos e até onde vai a garantia do FGC

Os títulos de renda fixa seguem com desconto nas plataformas de corretoras enquanto a situação do banco Master continua indefinida

Monique Lima
Monique Lima
8 de setembro de 2025
15:19 - atualizado às 8:27
FGC + Banco Master
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Imagem: Divulgação/ Banco Master

De um lado, uma série de investidores com Certificados de Depósito Bancários (CDB) do Banco Master querem se livrar dos papéis. Do outro, investidores olhando para taxas como 35,5% ao ano e IPCA + 30% se perguntando “será que não vale a pena investir?”. 

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O mercado secundário de grandes plataformas, como BTG e XP, está cheio de CDBs do Master vendidos por investidores que aceitaram grandes descontos para se livrar dos papéis. Agora, eles são oferecidos para outros investidores porventura interessados nos seus grandes retornos.

Tem para todos os gostos em termos de prazo e rentabilidade. Tem título com vencimento daqui a um mês oferecendo 185% do CDI, o equivalente a algo em torno de 2,3% de retorno em 30 dias. 

Essa rentabilidade também aparece em CDBs com vencimento em dezembro deste ano. No caso de prazos tão curtos, o risco é tão grande assim? Afinal, os papéis contam com garantia do fundo garantidor de créditos (FGC) até R$ 250 mil. 

Especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro afirmam que sim. Isso porque o maior problema do banco Master é justamente a sua falta de liquidez para honrar compromissos. Com a negativa da venda para o Banco de Brasília (BRB), há muita incerteza em relação à capacidade do banco de pagar suas dívidas nos próximos meses. 

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“Basicamente, em um cenário de compra do título hoje, o investidor pagaria um preço menor porque o mercado está precificando o risco de você não receber tudo de volta”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos. 

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A relação risco-retorno do CDB do Master 

As taxas altas dos CDBs do Master neste momento não são sem motivo. Um título que paga 185% do CDI não oferece esse retorno “de graça”. 

As taxas do banco Master estão elevadas porque o mercado está exigindo um prêmio maior para financiar um banco classificado como arriscado pelo Banco Central numa operação de venda. Antes havia a expectativa de que o BRB assumisse parte do risco ao absorver as dívidas do Master, agora, essa rede de proteção sumiu. 

Os títulos oferecidos nas plataformas são aqueles que foram readquiridos pelas corretoras com desconto, agora oferecidos a preços bem menores — e consequentemente, retornos maiores — que no passado. É a lei de oferta e demanda aplicada ao mercado de crédito: quando o risco sobe, a taxa de retorno sobe para compensar, e o preço cai.

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Teoricamente, um título com vencimento em dezembro é menos arriscado que um título com vencimento em 2027. Mas nem isso se aplica no caso do banco Master. A instituição tem problemas de liquidez mesmo no curto prazo. Em maio, precisou de um empréstimo de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para honrar seus compromissos. 

“O detalhe está na situação da instituição que está sem liquidez para honrar os compromissos. Se o investidor compra o CDB agora e se vê na situação de vender o ativo antes do vencimento, provavelmente enfrentará dificuldade ou terá que aceitar um desconto significativo, revertendo eventuais ganhos esperados”, diz Igor Leite, planejador e consultor financeiro. 

Nesta situação, a perda está associada à venda antecipada dos papéis. Mas existe uma segunda possibilidade que também pode resultar em perda para quem comprar CDBs do Master agora: uma intervenção do Banco Central

A garantia do FGC

Agentes do mercado financeiro vislumbram a possibilidade de uma intervenção a qualquer momento. Isso significa decretar a falência da instituição financeira e liquidar suas dívidas.  

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  • Este cenário é apenas uma possibilidade e não há informações concretas até o fechamento da matéria que indiquem que isso acontecerá. 

Caso aconteça, o FGC cobre os pagamentos dos CDBs do Master. Nenhuma fonte ouvida pelo Seu Dinheiro vê risco de o fundo não ter condições de honrar os títulos, desde que enquadrados no limite de R$ 250 mil por pessoa física, somando o valor aportado e os rendimentos. 

Entretanto, a garantia se aplica mais ao valor aportado e menos ao rendimento da aplicação, principalmente no caso dos investidores que consideram comprar CDBs do Master agora. Isso por causa do mecanismo de pagamento do fundo. 

Como funciona o resgate do FGC 

O passo a passo começa com o Banco Central decretando a liquidação do banco com problemas — que seria o Master, no caso. O banco liquidado envia ao FGC uma lista com os credores (dentre eles, os investidores de CDBs) e valores devidos. 

Segundo o próprio FGC, só esse processo inicial leva, em média, 30 dias. Depois disso, o investidor pessoa física ainda precisa solicitar o pagamento, indicar seus dados bancários e assinar um termo de autorização do resgate via aplicativo do FGC.

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Na prática, não existe um prazo definido para o resgate acontecer. Segundo os agentes financeiros, pode levar até três meses. 

O problema é que a data que consta para o cálculo de rendimento da aplicação financeira é a data de decretação da falência. Os possíveis três meses até o pagamento não têm correção de juros. Ou seja, sem rentabilidade alguma.

Se você investir hoje no CDB do Master com a perspectiva de receber 185% do CDI, por exemplo, e o BC decretar intervenção no banco no mês que vem, você só vai reaver a aplicação — praticamente sem rendimento — possivelmente em três meses. 

Não importa se o vencimento é em 30 dias ou em 2027, os investidores recebem o valor investido inicialmente mais os juros relativos até o dia de liquidação do banco. O cálculo do FGC usa este dia como fato gerador, considerando a taxa de retorno definida no título.

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“O investidor que respeitou o limite do FGC deve recuperar o dinheiro, embora com atraso e sem os juros contratados até o vencimento. Quem investiu acima disso pode ter perdas relevantes e quem investir agora pode não ter quase nada. Em ambos os casos, o ganho prometido pela taxa alta vira dor de cabeça”, diz Enrico Gazola, economista e sócio-fundador da Nero Consultoria. 

O cenário em que tudo dá certo para o Master 

Existe um cenário otimista. Ele é menos provável segundo as fontes ouvidas pelo Seu Dinheiro, mas existe. É o cenário em que o BRB refaz a sua proposta pelo Master e obtém sucesso, ou outro banco interessado aparece. 

“Se surgir um comprador estratégico, os títulos tendem a se valorizar, as taxas caem e quem entrou antes do anúncio pode ter lucro. Mas, por enquanto, esse é o cenário mais incerto, já que o Banco Central rejeitou a primeira tentativa de venda”, diz Gazola. 

Neste caso, o FGC não seria acionado, o investidor conseguiria levar o título até o vencimento e conseguir o retorno previsto — inclusive os exorbitantes, como os casos de IPCA + 30%, por exemplo. 

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As taxas são, de fato, muito altas. E estão tão altas porque o preço está baixo. A questão é o apetite por risco do investidor. “Se o investidor entender o risco pode ser uma boa oportunidade”, diz Patzlaff.

Entretanto, é necessário que o investidor tenha isso muito claro. Investir nos CDBs do Master agora é extremamente arriscado, mesmo com a garantia do FGC. Existe uma chance alta de o BC intervir no banco e não há clareza em relação a continuidade do processo de compra pelo BRB depois da primeira negativa. 

Os especialistas afirmam que pode valer a pena apenas para quem entende que está correndo um grande risco adicional em troca de retorno. E recomendam: o dinheiro aplicado deve ser um valor que pode ficar travado até o vencimento do papel — ou o resgate do FGC. 

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