Sem BRB, fundos de pensão e banco público correm risco de calote de até R$ 3 bilhões com investimentos em títulos do Master
Segundo pessoas próximas à operação entre o Master e o BRB, o Banco de Brasília carregaria no negócio R$ 2,96 bilhões de letras financeiras do Master. Isso significa que, caso o BC tivesse aprovado o negócio, esses papéis seriam pagos pelo BRB

A reprovação pelo Banco Central (BC) da operação da compra de parte do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) deixará fundos de pensão e pelo menos um banco estatal expostos ao risco de não pagamento por parte do Master. O Estadão/Broadcast identificou ao menos 13 instituições que fizeram investimentos em letras financeiras do Master, que não têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo pessoas próximas à operação entre o Master e o BRB, o Banco de Brasília carregaria no negócio R$ 2,96 bilhões de letras financeiras do Master. Isso significa que, caso o BC tivesse aprovado o negócio, esses papéis seriam pagos pelo BRB.
Com a negativa, se o Master tiver problemas de solvência, os investidores que compraram esses títulos correm o risco de não resgatar o valor investido — ou seja, podem levar calote.
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Procurado, o Master não se manifestou.
O Banco Central, por sua vez, ao analisar a operação como um todo, entendeu que havia riscos de o BRB ser contaminado por "ativos podres" do Master (com valor de mercado menor do que o constante em balanço), o que geraria outro problema para o banco estatal. A visão do BC, portanto, foi mais ampla, e levou em consideração outros efeitos colaterais para negar a operação.
O Estadão/Broadcast identificou 12 fundos de pensão e um banco público, o Banco da Amazônia, que carregam letras financeiras do Master, chegando a R$ 1,81 bilhão, pelo valor da emissão. Há ainda mais R$ 1,14 bilhão de outros compradores.
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Pelo levantamento, a Rioprevidência, fundo de previdência vinculado ao governo do Rio de Janeiro que gerencia recursos dos funcionários públicos do Estado, comprou R$ 970 milhões em letras financeiras do Master — cerca de 8% do patrimônio da entidade, pelo balanço do fim de 2024.
Em segundo lugar aparece Amapá Previdência (Amprev), gestora do Sistema Próprio de Previdência Social dos servidores públicos do Estado do Amapá, com R$ 400 milhões. O instituto tem entre seus conselheiros o advogado Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e aplicou, neste ano, também R$ 250 milhões em letras financeiras do BRB, numa operação irregular, já que a compra de títulos de bancos públicos é proibida a entidades de previdência de servidores.
O fundo de pensão Maceió Previdência, dos funcionários públicos da prefeitura da capital de Alagoas, também comprou R$ 100 milhões de letras financeiras do Master.
Procuradas, as entidades não responderam à reportagem.
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