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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

EXPERT XP 2025

“Trump não deve manter tarifa de 50% contra o Brasil porque isso está beneficiando reeleição de Lula”, diz gestor

Durante participação no Expert 2025, Fábio Okumura, gestor do ASA, explicou por que acredita que o presidente norte-americano fará jus ao ditado popular que diz que ele sempre “amarela” nos momentos decisivos

Bia Azevedo
Bia Azevedo
25 de julho de 2025
18:30 - atualizado às 21:44
Fábio Okumura, gestor do ASA Investimentos, durante participação no Expert 2025
Fábio Okumura, gestor do ASA Investimentos, durante participação no Expert 2025 - Imagem: Divulgação/XP

A poucos dias do prazo que Donald Trump deu para a entrada em vigor das tarifas de 50% contra o Brasil, em primeiro de agosto, o mercado está tentando ver até onde o presidente norte-americano está realmente disposto a ir. 

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E, na visão de Fábio Okumura, gestor do ASA , o republicano deve fazer jus ao ditado: “Trump always chickens out”. Em português: Trump sempre amarela.

“Na minha avaliação, essa questão das tarifas não deve se sustentar em 50% a partir de agosto. O tiro está saindo pela culatra: em vez de prejudicar, Trump acaba impulsionando a reeleição do Lula", afirmou em participação no Expert XP 2025.

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Isso porque as tarifas estariam sendo associadas à direita brasileira — mais especificamente à família Bolsonaro —, com o presidente Lula reivindicando o discurso da soberania nacional contra a intervenção estrangeira.

No painel — que também contou com a participação de Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central e head de macroeconomia do ASA, e Charles Ferraz, da mesma casa —, o time de especialistas conversou sobre uma tese que vem ressoando desde o retorno de Trump à Casa Branca: o fim do excepcionalismo norte-americano.

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O excepcionalismo norte-americano chegou ao fim?

Para o ex-diretor do Banco Central, dois fatores são fundamentais para avaliar se a maior economia do mundo está prestes a perder sua liderança global.

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O primeiro é a produtividade econômica da maior potência do mundo, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) per capita — que representa o valor total da produção de bens e serviços do país dividido pelo número de habitantes. 

“Nesse quesito, os EUA são soberanos há 50 anos. Todo país que tenta se aproximar acaba falhando. O Japão, por exemplo, chegou a atingir 80% da produtividade norte-americana, mas hoje está em 60%. A Europa, que dava sinais de que ganharia escala e encostaria nos EUA, chegou a 90%, mas depois afundou. Hoje parece estar na casa dos 70%. A China ainda está em 20%”, afirmou o ex-BC no evento.

Sob esse ponto de vista, não há nada que ameace o domínio norte-americano. No entanto, o real problema está no segundo fator: o tamanho da economia. 

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“Nesse quesito, é questão de tempo para a China ultrapassar os EUA. Em 20 anos, a China deve ser maior do que os EUA, os mercados olharão para lá como benchmark”, diz Kanckzuck.
Okumura concorda: “ainda vejo os EUA com uma liderança muito significativa, mas é inegável que estamos assistindo ao avanço de outros agentes, blocos e países que vêm reduzindo esse gap. O mundo caminha para uma ordem mais multipolar, em que os Estados Unidos já não detém exclusividade sobre o protagonismo global”.

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