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O presidente norte-americano também comentou sobre as negociações comerciais com a China, que devem ser retomadas na próxima semana

Donald Trump pegou muita gente de surpresa quando enviou cartas com tarifas que chegavam a 50% — como no caso do Brasil. A estratégia, segundo os especialistas, é forçar os países a abrirem seus mercados aos produtos norte-americano. Faltando uma semana para as taxas passarem a valer, será que o presidente norte-americano vai cumprir com a palavra dessa vez?
Quem responde a pergunta é o próprio Trump. O republicano disse que a maioria dos acordos que está costurando com parceiros comerciais dos EUA será concluído até 1 de agosto, quando as tarifas entram em vigor.
Em comentários para jornalistas nesta sexta-feira (25), ele afirmou que, atualmente, "a maioria dos acordos está concluída".
"A maioria dos acordos será fechada por cartas que estabelecem tarifas e elas [cartas] mencionam tarifas de 10% ou 15%", disse Trump, ao mencionar que serão enviadas cerca de 200 cartas tarifárias.
A próxima semana será crucial para a guerra comercial travada por Trump: representantes de EUA e China se reúnem, mais uma vez, para negociações. A Suécia sediará as reuniões.
Da última vez que isso aconteceu, norte-americanos e chineses se entenderam sobre as terras raras — um passo fundamental para que houvesse um acordo mais amplo entre as duas maiores economias do mundo.
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Nesta sexta-feira (25), Trump defendeu que os EUA estão se aproximando de um acordo comercial com a China e que já possuem "os limites" para a negociação com Pequim.
Por outro lado, não perdeu a chance de cutucar os chineses: "gosto de um dólar forte, nunca vou falar que gosto de moeda fraca", mas ponderou que "com um dólar forte, não podemos vender nada".
"O dólar mais fraco faz as tarifas valerem mais", disse ele. "Tudo o que a China faz é lutar por uma moeda fraca”, acrescentou.
Já com o vizinho Canadá a situação parece mais complicada. O republicano avaliou que "não teve muita sorte".
"Não tive muita sorte com as negociações com o Canadá. Posso impor uma tarifa unilateral para eles. Não há muita negociação e não estou focado em um acordo com o Canadá", afirmou.
Até o momento, o Brasil é o país que recebeu a maior tarifa (50%) e as negociações com os EUA não deram frutos. Especialistas argumentam que a justificativa política usado por Trump ao citar uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro dificulta bastante um entendimento com os norte-americanos no comércio.
Nesta semana, o republicano chegou a afirmar que não era “bem tratado” pelos países com receberam a tarifa de 50%.
Nesta sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o assunto.
"Se o presidente Trump morasse no Brasil e ele tivesse feito aqui o que ele fez no Capitólio, ele também estaria sendo julgado. Neste país, quem manda é o povo brasileiro", afirmou Lula, em referência à invasão do prédio que abriga o Congresso dos EUA, em janeiro de 2021.
Segundo Lula, Trump foi "induzido" a acreditar na "mentira" de que Bolsonaro está sendo perseguido pela Justiça. O petista disse que explicaria a Trump, se houvesse uma conversa entre os dois, que o ex-chefe presidente tentou dar um golpe e planejou o assassinato dele, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
"Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente. Mas ele foi induzido a acreditar em uma mentira de que o Bolsonaro está sendo perseguido", disse.
Lula também rechaçou a alegação de Trump de que os EUA têm um déficit na relação comercial com o Brasil. "Eles tem superávit de US$ 410 bilhões, quem deveria estar reclamando somos nós. Nós não estamos reclamando, queremos negociar", afirmou.
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