Em meio à tensão no Oriente Médio, Opep+ mantém cautela ao elevar produção de petróleo
Mesmo com os ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetando o fluxo de petróleo na região, o grupo decidiu elevar a oferta em 206 mil barris por dia

A Opep+ decidiu neste domingo (1) elevar a produção de petróleo em 206 mil barris por dia, em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que já afeta o fluxo de petróleo de integrantes relevantes do grupo no Oriente Médio.
Historicamente, a aliança costuma ampliar a oferta para compensar interrupções no mercado. Desta vez, porém, analistas apontam que a margem para novos aumentos é limitada. Segundo eles, apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos dispõem de alguma capacidade ociosa — e ainda assim enfrentam entraves para exportar enquanto a navegação no Golfo não for normalizada.
Nas últimas semanas, Riade vinha ampliando produção e embarques, segundo fontes ouvidas pela Reuters, em preparação para possíveis ataques dos EUA ao Irã.
Abastecimento de petróleo passa por revés
Desde sábado, há relatos de interrupções nos envios de petróleo, gás e derivados pelo Estreito de Ormuz. Armadores afirmam ter recebido um comunicado atribuído ao Irã indicando que a área estaria fechada à navegação. A rota é considerada estratégica, por concentrar mais de 20% do petróleo comercializado globalmente, mas a situação ainda é acompanhada pelo mercado.
De acordo com cinco fontes consultadas pela Reuters, o grupo chegou a debater uma elevação entre 137 mil e 548 mil barris por dia, mas fechou consenso no piso de 206 mil bpd. O acréscimo equivale a menos de 0,2% da oferta mundial.
Na sexta-feira, os contratos de petróleo avançaram até US$ 73 por barril, maior patamar desde julho, impulsionados pelo receio de que o conflito no Oriente Médio se amplie e comprometa ainda mais o abastecimento via Ormuz.
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A analista Helima Croft, do RBC e especializada em Opep, afirmou que lideranças do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã poderia levar a cotação do petróleo acima de US$ 100 por barril. Analistas do Barclays também consideram esse patamar possível.
Para Croft, mesmo um aumento expressivo anunciado pela Opep teria efeito restrito sobre os preços, dada a limitada capacidade de expansão fora da Arábia Saudita.
A reunião de domingo reuniu apenas oito integrantes da Opep+: Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuweit, Iraque, Argélia e Omã. Embora a aliança inclua a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros como a Rússia, as decisões recentes de ajuste na produção têm sido conduzidas majoritariamente por esse grupo reduzido.
Entre abril e dezembro de 2025, esses oito países ampliaram suas cotas em cerca de 2,9 milhões de barris por dia — o equivalente a aproximadamente 3% da demanda global. Os aumentos foram suspensos entre janeiro e março de 2026, diante da fraqueza sazonal do consumo.
*Com informações do Money Times
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