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Ameaças do republicano sobre anexar a Groenlândia geram reação na Europa, enquanto a Moscou observa de perto e avalia os desdobramentos em benefício próprio
Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, gerou polêmica nesta semana com declarações controversas que despertaram preocupação entre líderes globais. Enquanto grande parte da comunidade internacional repudiou sua ameaça de anexar o Canadá, a Groenlândia e o Panamá, a Rússia mexe os pauzinhos para tirar proveito da situação.
Após Trump afirmar que não descartaria o uso de força militar para tomar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, sob o argumento de que isso atende aos interesses econômicos e de segurança nacional dos EUA, o governo russo anunciou nesta quinta-feira (9) que está monitorando os esforços de Trump para adquirir a ilha ártica.
“Estamos acompanhando este desenvolvimento bastante dramático de perto. Felizmente, por enquanto, permanece no nível de declarações”, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma coletiva de imprensa em Moscou.
Já algumas figuras pró-Kremlin na Rússia, incluindo aliados próximos a Putin, apoiaram mais abertamente a postura de Trump. Para eles, qualquer movimento dos EUA para reivindicar a Groenlândia poderia legitimar as próprias ambições expansionistas da Rússia, incluindo recuperar antigos territórios soviéticos, como os países bálticos.
Enquanto isso, líderes europeus procuraram se posicionar. A chefe de assuntos exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, destacou que "devemos respeitar a integridade territorial e a soberania da Groenlândia". Já o chanceler alemão Olaf Scholz afirmou que "fronteiras não devem ser alteradas pela força".
Peskov comentou a reação europeia. “A Europa reage de forma muito tímida – é evidente que estão hesitantes em desafiar as palavras de Trump”.
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No entanto, ele ressaltou que o Ártico está na "esfera de interesses nacionais e estratégicos" da Rússia, destacando a importância de paz e estabilidade na região.
Atualmente, as rotas de navegação e os portos da região ártica – onde fica localizada a Groenlândia – passam a maior parte do ano bloqueados pelo gelo, mas com o aquecimento global, a tendência é que o cenário mude, permitindo a abertura de novas rotas marítimas. Rússia e China já lideram esforços nessa área, mas as declarações de Trump indicam o crescente interesse estratégico dos Estados Unidos na região.
Em resposta às declarações de Trump, Dinamarca e Groenlândia reafirmaram que a ilha, onde os EUA possuem uma base militar, “não está à venda”.
O governo dinamarquês anunciou um aumento nos gastos com defesa na Groenlândia e revelou que o rei Frederik X atualizou seu brasão de armas para dar maior destaque simbólico à Groenlândia e às Ilhas Feroe, reafirmando-as como parte central do reino dinamarquês.
Indiferente à oposição, Trump enviou Donald Trump Jr. à ilha.
Na rede social Truth Social, Trump escreveu: “Meu filho, Don Jr., e diversos representantes visitarão algumas das áreas e atrações mais magníficas. A Groenlândia é um lugar incrível, e as pessoas se beneficiarão tremendamente se, e quando, ela se tornar parte da nossa nação. Protegeremos e valorizaremos a ilha de um mundo externo muito cruel. FAÇAMOS A GROENLÂNDIA GRANDE NOVAMENTE!”
*Com informações da CNBC e BBC
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