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Enquanto o banco suíço prefere outro papel no setor de mineração, Itaú BBA e BB-BI reafirmam a recomendação de compra para a Vale; entenda os motivos de cada um

A ação da Vale (VALE3) superou os R$ 70 — algo que não acontecia desde fevereiro de 2023 —, acumulando ganho de quase 40% no ano. O desempenho transformou a companhia na queridinha dos investidores de commodities, segundo o Itaú BBA. O mesmo, no entanto, não acontece com o UBS BB, que retirou o papel dos preferidos do setor.
Em março, mesmo mantendo recomendação neutra por cautela quanto ao minério de ferro em comparação aos metais básicos, o UBS BB havia escolhido a Vale como principal aposta entre as grandes produtoras do insumo.
Na ocasião, a expectativa era de que a virada operacional, com aumento de volumes, corte de custos, menor capex (investimento) e recuperação da unidade de metais básicos (VBM), ampliaria o fluxo de caixa livre (FCF) ao longo dos anos e abriria distância em relação às mineradoras australianas.
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Essa parte da tese se confirmou mais rapidamente que o previsto: no acumulado do ano, VALE3 superou Rio Tinto e Fortescue em cerca de 25%.
O banco suíço avalia ainda que a ação da Vale já incorporou o movimento de reclassificação e, por isso, passou a ser negociada a preço justo.
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Os analistas Caio Greiner, Myles Allsop e Lachlan Shaw afirmam que o desconto histórico da Vale em relação às concorrentes se fechou.
Nas contas revisadas do UBS BB, a mineradora negocia a um retorno de FCF de 6,6%, em linha com os 6,6% de Fortescue e abaixo dos 7,4% de Rio Tinto — todos calculados com minério de ferro a US$ 96 por tonelada.
Em múltiplos de EV/Ebitda — valor da firma sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) — para 2026, a Vale aparece a 4,9 vezes (considerando dívida líquida expandida), contra 5,6 vezes de Rio Tinto e 5,1 vezes de Fortescue.
Para 2026, o banco suíço projeta Ebitda de US$ 14,9 bilhões e fluxo de caixa livre ao acionista de US$ 3,65 bilhões. O UBS BB se posiciona abaixo do consenso, não apenas pelo preço do minério, mas também por produção de pelotas e prêmios menores, maior compra de minério de terceiros e embarques em torno de 315 milhões de toneladas.
O UBS BB considera o re-rating merecido, citando a perspectiva de elevação de volumes em torno de 20% até 360 milhões de toneladas por ano, corte de 15% no custo total para perto de US$ 50 por tonelada e redução de 20% no capex, além da melhora na agenda ambiental, social e de governança que levou vários gestores globais a remover a companhia de listas de restrição. Ainda assim, avalia que esses benefícios já estão refletidos no preço e que parte dos investidores deve realizar lucros.
O minério de ferro encerrou esta segunda-feira (8) cotado a R$ 107,55 a tonelada na bolsa de Dalian, na China. Em Cingapura, a commodity fechou o dia a U$ 101,90.
O UBS BB mantém a visão de preço lateralizado para o minério de ferro no primeiro semestre de 2026 e queda para cerca de US$ 90 por tonelada em 2027, conforme o projeto Simandou (Guiné) ganha escala.
Por conta disso, o UBS BB trocou sua preferência global para Rio Tinto, cuja exposição a metais básicos, atualmente em cerca de 40% do Ebitda, tende a se beneficiar de preços mais altos de cobre, alumínio e lítio, além de crescimento de volumes próximo de 3% ao ano.
A estimativa é de retorno de FCF de 10% em 2027 nos preços de tela ou 8,5% no cenário do banco suíço, permitindo dividendos ao redor de 7%.
O UBS BB tem recomendação neutra para os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale. O preço-alvo é de US$ 12, o que implica em um potencial de desvalorização de 6,98% na comparação com o último fechamento.
Se o UBS BB trocou a Vale pela Rio Tinto, o mesmo ainda não acontece entre os investidores de commodities — e quem diz isso é o Itaú BBA.
Após uma rodada de conversas com investidores em commodities em Londres, na semana passada, o banco considera que a tese para a Vale tem menos riscos, pois a mineradora está em seu melhor momento operacional desde o desastre de Brumadinho (MG).
O BBA ressalta, no entanto, que uma nova alta da ação irá depender do comportamento dos preços de minério de ferro.
Segundo o banco, o rendimento de fluxo de caixa livre da Vale comprimindo para cerca de 6% a 7% — considerando o preço médio do minério de ferro para 2026 em US$ 100 por tonelada — após o forte desempenho da ação é visto como menos atraente em termos absolutos, mas ainda melhor em comparação com os pares australianos.
"Em relação aos preços, os investidores equilibraram a matemática da exaustão, cerca de 50 milhões de toneladas saindo do sistema globalmente, contra a aceleração gradual de Simandou e os esforços de substituição da Austrália", disseram os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares.
O BBA tem recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 14, o que representa um potencial de valorização de 16,7% em relação ao último fechamento.
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Não é só o Itaú BBA que tem recomendação de compra para a Vale. Na semana passada, o BB Investimentos manteve a mesma indicação para o papel da mineradora, mas elevou o preço-alvo de R$ 68 para R$ 75.
Apesar do limitado potencial de valorização da ação, o BB-BI entende que a tese de investimento da mineradora continua atrativa em uma visão de longo prazo, combinado ao retorno adicional via distribuição de dividendos.
Segundo a analista Mary Silva, a companhia passou uma mensagem positiva no evento Vale Day, mostrando que continua perseguindo as estratégias de crescimento e criação de valor estabelecidas pela gestão atual.
O BB-BI destaca que a mineradora segue intensificando as iniciativas para capturar as oportunidades dos segmentos de atuação nos próximos anos e que a disciplina financeira e a estrutura de capital fortalecida pela geração de caixa devem suportar a expectativa da continuidade de retorno de caixa aos acionistas.
Também na semana passada, após concluir sua avaliação anual da Vale, a Moody's reafirmou o rating Baa2 da companhia, com perspectiva estável.
Segundo a agência de classificação de risco, a empresa mantém um perfil de crédito robusto, sustentado pela posição de liderança global em minério de ferro e níquel, além do avanço gradual em cobre.
A Moody's destacou ainda o baixo nível de alavancagem — menor que 1,5 vez desde 2020 — e a liquidez elevada, com US$ 6,1 bilhões em caixa no fim de setembro.
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