Vale (VALE3) fecha acima de R$ 70 pela primeira vez em mais de 2 anos e ganha R$ 10 bilhões a mais em valor de mercado
Os papéis VALE3 subiram 3,23% nesta quarta-feira (3), cotados a R$ 70,69. No ano, os ativos acumulam ganho de 38,64% — saiba o que fazer com eles agora

Se a ação da Vale (VALE3) terminou a terça-feira (3) com pouco fôlego, os investidores já nem se lembram mais. Os papéis da mineradora terminaram esta quarta-feira (3) acima dos R$ 70 pela primeira vez desde fevereiro de 2023, e ajudaram o Ibovespa a ter impulso para quebrar um novo recorde e fechar o dia flertando com os inéditos 162 mil pontos.
As ações VALE3 subiram 3,23%, cotadas a R$ 70,69, adicionando R$ 10 bilhões ao valor de mercado da companhia. No ano, os papéis acumulam ganho de 38,64%.
O minério de ferro foi um dos motores de ajudou a Vale a subir nesta quarta-feira (3). Em Dalian, a commodity fechou em baixa de 0,19%, a 800,50 yuans (US$ 113,19) a tonelada, mas na bolsa de Cingapura subiu 0,38%, a US$ 104,30 por tonelada.
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A melhora do preço, no entanto, ainda é vista com desconfiança pelo mercado, pois os fundamentos ainda permanecem fracos. Isso porque, sazonalmente, em novembro, as siderúrgicas buscam se abastecer da commodity olhando a operação durante o fim de ano chinês, que em 2026 cairá em fevereiro.
Por isso, o apetite pelas ações da Vale não está ligado apenas do minério. Especialistas apontam que o tarifaço imposto pelos EUA em julho pesou sobre os papéis do setor, de maneira geral, e, agora, a perspectiva de um acordo que possa derrubar as taxas ajudam o segmento.
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No dia anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o norte-americano Donald Trump conversaram em mais um sinal de um possível entendimento entre os dois países.
É dia de Vale
O principal impulsionador das ações da mineradora nesta quarta-feira (3) foi o Vale Day realizado no dia anterior e que trouxe novas projeções de investimentos e produção da mineradora.
Segundo o Bank of America, o mercado leu os números como um compromisso da companhia com o crescimento em minério de ferro e cobre ao mesmo tempo em que busca otimizar custos e capex.
No relatório, os analistas destacam que a companhia enviou ao mercado "uma mensagem clara de value-over-volume" ao reduzir a meta de produção de minério de ferro em 2026 para 335 milhões a 345 milhões de toneladas, ante a faixa anterior de 340 milhões a 360 milhões de toneladas. Segundo o banco, o corte favorece a perspectiva de preços da commodity.
Já a projeção para níquel e cobre em 2026 permaneceu praticamente estável em relação ao encontro do ano passado, enquanto o orçamento de capex continua "dentro do intervalo" de US$ 5,5 bilhões a US$ 6 bilhões nos próximos anos, segundo os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite, em relatório.
Onde investir em dezembro: as melhores ações brasileiras e internacionais, FIIs e dividendos
O trio chama atenção ainda para o custo C1 — da mina ao porto — do minério de ferro, que foi ajustado de "menos de US$ 20" para o intervalo entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada. Por outro lado, os custos de cobre e níquel recuaram.
"De modo geral, não houve surpresas com as projeções, que ficaram em grande parte em linha com nossas expectativas. Mantemos nossa recomendação de compra, reconhecendo as melhorias observadas desde a base, enquanto os preços do minério de ferro continuam a apresentar tendência acima de nossas expectativas", dizem os analistas.
Na avaliação do BTG Pactual, com uma gestão mais limpa, a Vale consegue virar a página em relação a questões antigas — desafios institucionais, Brumadinho, Samarco, instabilidade operacional — e está recuperando a confiança dos investidores.
Segundo o banco, a tese em metais básicos é sólida e, combinada com fundamentos de minério de ferro mais fortes do que o esperado, faz a companhia oferecer rendimentos de dividendos próximos de 10% a 12% para 2026, mesmo negociando com múltiplos de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) bastante descontados em relação aos pares australianos, 4,1 vezes, ante 5 a 6 vezes, o que a torna atraente.
"A realidade é que a Vale está se tornando uma história mais simples, limpa e talvez mais ‘entediante’, o que consideramos bastante positivo, especialmente considerando as emoções intensas dos anos anteriores", dizem os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi.
O banco reiterou a recomendação de compra para Vale, com preço-alvo para o ativo em US$ 15.
O Citi também manteve a recomendação de compra, com preço-alvo em US$ 14 por ação, mas o múltiplo-alvo foi elevado de 5,0 vezes para 5,5 vezes o Ebitda de 2026. Segundo o banco, as conversas com investidores sugerem que as ações da Vale são atualmente vistas como um ativo de renda fixa relacionado ao minério de ferro, com o mercado esperando fortes retornos para os acionistas, impulsionados pelos preços da commodity.
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