Vale tudo na novela: o que aconteceria se Odete Roitman tentasse passar a perna em Raquel na vida real
Especialista em direito societário analisa rasteira de Odete Roitman em Raquel Accioly que agitou a trama da novela Vale Tudo nos últimos dias

O remake de Vale Tudo não é páreo para a audiência média de 61 pontos no Ibope da novela original, exibida entre 1988 e 1989. São outros tempos. Mas quando o assunto é polêmica, Manuela Dias usa o cartão de crédito como navalha.
Nos últimos dias, um dos assuntos de maior repercussão entre o público teve como protagonistas a vilã Odete Roitman, interpretada por Débora Bloch, e a batalhadora Raquel Accioly, vivida por Taís Araújo.
Na trama global, Odete descobre que sua irmã, Celina, era sócia de Raquel na Paladar, uma empresa de fornecimento de refeições.
Sentindo-se traída e movida por um impulso vingativo, Odete chantageia a irmã e compra a participação majoritária dela na Paladar por um preço irrisório.
Em seguida, dona de 65% do capital da empresa, Odete Roitman dá baixa no CNPJ, fecha a Paladar e ainda deixa o restante das dívidas para Raquel e outros sócios minoritários. Tudo isso à revelia dos envolvidos.
De quebra, Odete despeja a Paladar e ordena a devolução do imóvel em 24 horas.
Leia Também
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
No capítulo seguinte, quando o fechamento da empresa é comunicado aos funcionários, Poliana, o otimista incorrigível interpretado por Matheus Nachtergaele e um dos minoritários prejudicados por Odete, diz que advogados foram consultados e disseram que nada podia ser feito para reverter a rasteira.
Pode isso?
De um lado, a ficção garante aos roteiristas de Vale Tudo toda a liberdade para criar. Fosse na vida real, entretanto, seria possível afirmar que os sócios minoritários da Paladar (Raquel, Poliana e Aldeíde) estão mal assessorados.
Isso porque nada do que Odete fez para prejudicar Raquel tem amparo na lei. Quem afirma é a advogada Paula Taira Horiuti. Ela é sócia do Gasparini, Barbosa e Freire Advogados, especialista em direito societário, fusões e aquisições.
“Ah, se tudo no Brasil ocorresse tão rápido e facilmente assim”, disse ela ao Seu Dinheiro.

Em cinco pontos, a advogada Paula Taira Horiuti explica por que não seria tão simples para Odete Roitman prejudicar Raquel — e os demais sócios por tabela — da maneira como mostrado na novela Vale Tudo.
Não vale tudo na vida real
Para começo de conversa, a venda das quotas detidas por Celina para Odete sem anuência de Raquel é ato anulável.
“Mesmo se não houver disposição contratual quanto ao direito de preferência, o artigo 1.057 do Código Civil veda a cessão das quotas de uma empresa para terceiros sem a anuência de sócios representantes de mais de 25% do capital social”, afirma a especialista.
Isso significa que Raquel poderia ir à justiça e se opor à venda. Até porque ela não é obrigada a ser sócia de alguém que não deseja.
Outra questão que torna anulável a decisão é a falta de deliberação de sócios.
“Para liquidar e dissolver uma sociedade, é necessário que os sócios se reúnam e deliberem sobre a matéria”, afirmou Paula Taira Horiuti.
De acordo com ela, nada impede que a dissolução da sociedade ocorra mesmo sem a aprovação dos sócios minoritários.
A advogada afirma ainda que a atitude de Odete Roitman em Vale Tudo configura abuso do poder de controle por parte do sócio majoritário.
“Caso o sócio minoritário entenda que a decisão do controlador foi abusiva, ou seja, teve finalidade de causar dano à sociedade ou ao minoritário, pode ir ao judiciário para anular a decisão e reverter a liquidação da sociedade”, afirma ela.
Além disso, o processo de dissolução e liquidação de sociedade deve seguir os trâmites previstos em lei.
“É um processo demorado”, diz a especialista em direito societário. “O liquidante designado deve realizar o ativo e pagar o passivo e prestar contas aos sócios periodicamente até que a liquidação seja encerrada.”
Há ainda a questão do imóvel onde operava a Paladar antes do despejo.
“O despejo do inquilino do imóvel por falta de pagamento pode ocorrer de forma liminar, em 15 dias da propositura da ação. O prazo de 24 horas é fantasioso”, afirma Paula Taira Horiuti.
De qualquer modo, Raquel Accioly não precisa se preocupar mais com o despejo. Nos capítulos seguintes de Vale Tudo, Celina comprou o imóvel e o deu de presente para a ex-sócia.
Mas, como disse Paula, “ah, se tudo no Brasil ocorresse tão rápido e facilmente assim”.
COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL
Natura (NATU3) emite R$ 700 milhões em debêntures com meta ligada ao uso de plástico sustentável
17 de setembro de 2026 - 18:24TODO CUIDADO É POUCO
As 3 ações do varejo que se dão bem com o aumento do Bolsa Família — e a pegadinha desvendada pelo J.P.Morgan
17 de setembro de 2026 - 18:00MUDANÇAS NO ALTO ESCALÃO
Taesa (TAEE11) escolhe ex-CFO da Petrobras para o comando do conselho — e ela já foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo
17 de setembro de 2026 - 12:06COMBUSTÍVEIS
Mais caixa e dividendos no tanque: Santander divulga novo preço-alvo para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com potencial de alta de 27%
16 de setembro de 2026 - 16:31NA BERLINDA
“Sem saída fácil”: Braskem (BRKM5) despenca mais de 13% após UBS BB rebaixar ação e cortar preço-alvo em 74%
16 de setembro de 2026 - 14:09LA BELLE DE JOUR
Amazon esquenta disputa em setor após aposta da Raia Drogasil (RADL3); veja quem vence, segundo o BTG Pactual
16 de setembro de 2026 - 12:01TIROU O PÉ
XP rebaixa ação da Sanepar (SAPR11) mesmo com potencial de 33% de alta na bolsa. O que está faltando para o papel?
16 de setembro de 2026 - 11:21QUEM ROUBA A CENA?
O roxinho perdeu o brilho? Itaú BBA rebaixa Nubank e elege um novo favorito entre os bancões
16 de setembro de 2026 - 10:44O CÉU É O LIMITE
Valor de mercado da Petrobras (PETR4) chega perto de R$ 700 bilhões, no maior patamar da história
15 de setembro de 2026 - 19:26FUSÕES E AQUISIÇÕES