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Micaela Santos

Micaela Santos

É repórter do Seu Dinheiro. Formada pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), já passou pela Época Negócios e Canal Meio.

DESTAQUES DA BOLSA

Suzano (SUZB3) reporta prejuízo no 4T24, mas tem bancão elogiando o balanço e prevendo alta de até 40% para as ações 

Revertendo o lucro bilionário do terceiro trimestre, a gigante de papel e celulose registrou prejuízo líquido de R$ 6,737 bilhões, causado mais uma vez pela variação cambial

Micaela Santos
Micaela Santos
13 de fevereiro de 2025
18:24
Suzano (SUZB3)
Suzano (SUZB3) - Imagem: Divulgação

À primeira vista, juntar “alta”, “Ibovespa” e “prejuízo” na mesma frase pode soar estranho, mas foi o que aconteceu com Suzano (SUZB3) nesta quinta-feira (13). 

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Revertendo o lucro bilionário do terceiro trimestre, a gigante de papel e celulose registrou prejuízo líquido de R$ 6,737 bilhões entre outubro e dezembro de 2024, causado mais uma vez pela variação cambial. 

No entanto, as ações SUZB3 chegaram a aparecer entre as maiores altas do Ibovespa hoje, subindo quase 2,14%, cotadas a R$ 59,21. 

Alguns pontos nos resultados da Suzano no quarto trimestre ajudam a entender por que o mercado, desta vez, não se decepcionou com a empresa. 

LEIA TAMBÉM: Hub de investidores serve como ‘atalho’ para networking com as mentes mais brilhantes do mercado financeiro

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Os números da Suzano no quarto trimestre

A receita líquida, por sua vez, cresceu 37% ante 4T23, saindo de R$ 10,372 bilhões para R$ 14,177 bilhões. O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado avançou 44% no mesmo comparativo, de R$ 4,505 bilhões para R$ 6,481 bilhões.

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O prejuízo registrado pela Suzano é bem maior do que a média das expectativas de analistas compiladas pela LSEG, que apontava perda de R$ 4,9 bilhões no período.

Entre outros destaques, estão:

  • Preço médio líquido de celulose – mercado externo: US$ 583 a tonelada (crescimento de 2% contra o 4T23).
  • Preço médio líquido de papel de R$ 6.926 a tonelada (avanço de 3% frente o 4T23).
  • Custo caixa de produção de celulose sem paradas de R$ 807 a tonelada (queda de 1% ante o 4T23).
  • Alavancagem em USD em 2,9x e 3,3x em BRL

De acordo com a Suzano, o prejuízo no 4T24 “ocorreu em função da variação negativa no resultado financeiro, por sua vez explicada pelo impacto negativo da valorização cambial sobre a dívida e operações com derivativos (em contrapartida ao resultado positivo observado no trimestre anterior); além da elevação do CPV [custo dos produtos vendidos] e SG&A [sigla em inglês para despesas de vendas, gerais e administrativas”.

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O que explica a alta nas ações da Suzano após prejuízo?

Para o Santander, a reação positiva do mercado ao resultado da Suzano era esperada. 

Segundo Yuri Pereira e Giovana Langanke, alguns pontos negativos do balanço foram compensados por maiores volumes de vendas, impulsionados pelo Projeto Cerrado, menos paradas para manutenção em relação ao 3T24 e a substituição contínua de fibra. 

Além disso, o Ebitda superou o consenso em 10% e as projeções do Santander em 8%, impulsionado por volumes de vendas mais fortes e menores custos de caixa da celulose.

Apesar de uma leve queda no Ebitda trimestral, os volumes de vendas da Suzano foram sólidos, graças à nova operação nos EUA e pelo mercado doméstico, afirma o banco.

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O Santander mantém recomendação “outperform” para a ação da Suzano, equivalente a compra. O preço-alvo é de R$ 80, uma alta de 35% sobre o fechamento anterior. 

BTG: resultados sólidos

Para Leonardo Correa, Bruno Henriques e Marcelo Arazi, analistas do BTG, a Suzano apresentou resultados sólidos, apesar do cenário adverso para os preços da celulose. 

Os destaques positivos incluem o avanço do Projeto Cerrado, redução de 7% no custo de caixa da celulose, forte geração de fluxo de caixa e queda na alavancagem para 2,9x. 

“E um real mais valorizado não muda nossa tese, pois preços de celulose ligeiramente mais altos podem facilmente compensar esse efeito”, afirmam os analistas.

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O banco de investimentos tem recomendação de compra para SUZB3, com preço-alvo de R$ 81 — equivalente a um potencial de valorização de 36% sobre o fechamento anterior.

VEJA MAIS: Guia gratuito do BTG Pactual revela a recomendação para a Vale (VALE3) diante da temporada de balanços do 4T24; confira

BB-BI: resultados mistos, mas com bom desempenho operacional

Na visão dos analistas do BB Investimentos (BB-BI), por outro lado, a Suzano reportou um resultado misto no trimestre, com bom desempenho operacional tanto no papel quanto na celulose, enquanto a linha financeira voltou a pesar negativamente e levar a prejuízo. 

No entanto, o BB-BI destaca que o prejuízo da variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira se trata de um ajuste contábil e, portanto, sem efeito no caixa neste momento. 

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Os analistas acreditam que a oscilação das ações do setor, incluindo da Suzano, continuará no curto prazo por conta dessa correlação com o câmbio. 

No entanto, os próximos resultados da Suzano devem ser sólidos, impulsionados pelo aumento de volumes, redução de custos com o ramp-up do Projeto Cerrado e estabilidade nos preços da celulose.

“Vale destacar que a forte variação da linha financeira em razão das flutuações do câmbio pode continuar levando novos prejuízos, e que a elevação do nível endividamento continua sendo o principal ponto de atenção, apesar da gradual redução da  alavancagem”, afirma. 

O banco mantém a recomendação neutra para SUZB3, com preço-alvo de R$ 68 para o final de 2025. O valor implica em um potencial de alta de 14% sobre o fechamento anterior.

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Com informações do Money Times*

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