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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

HORA DE COMPRAR

Pague Menos (PGMN3): por que o Itaú BBA elevou a recomendação para a dona da Extrafarma?

Na visão do banco, as ações ainda podem subir quase 40%, no embalo das mudanças promovidas pelo novo CEO e do crescimento do setor farmacêutico

Bia Azevedo
Bia Azevedo
31 de julho de 2025
17:25
Pague Menos Extrafarma Ultrapar
Imagem: Shutterstock/Andrei Morais

Se rir é o melhor remédio, o Itaú BBA acaba de prescrever a dose certa para quem investe em Pague Menos (PGMN3). Nesta quinta-feira (31), o banco elevou de neutra para compra a recomendação para as ações da rede de farmácias cearense, com preço-alvo de R$ 5,10 — uma alta de quase 40% em relação ao fechamento de ontem (30).

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De acordo com a casa, os papéis são uma opção barata — negociada a 9 vezes preço sobre lucro — para aproveitar a tendência de crescimento do setor farmacêutico, à medida que a população envelhece.

Um dos principais motivos por trás do otimismo dos analistas é a melhora apresentada nos últimos resultados da companhia, com perspectiva de mais balanços fortes pela frente, muito graças ao comando de Jonas Marques, que assumiu como CEO há 18 meses.

“Pode parecer clichê, mas o que realmente nos chamou a atenção foi entender os detalhes da transformação cultural significativa pela qual a empresa passou desde que Marques assumiu”, dizem os analistas em relatório.

O executivo é o primeiro a assumir a liderança da companhia sem fazer parte da família  Queirós, fundadora do negócio. Até então, quem ocupava o cargo era Mário Queirós, o filho do bilionário Francisco Deusmar Queirós.

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Marques foi chamado para resolver problemas que a Pague Menos enfrentava depois da compra da Extrafarma, em 2021 — aquisição que, apesar de ter aumentado o tamanho da rede, fez a cearense herdar problemas de execução, rentabilidade e integração.

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Desde que chegou, o CEO implementou uma série de mudanças. Internamente, o foco virou a otimização da estrutura organizacional, reduzindo a hierarquia e promovendo um ambiente de trabalho mais eficiente. Externamente, a prioridade virou a integração plena com a Extrafarma, buscando sinergias e padronização de processos. 

A empresa também aposta em tecnologia, com foco na melhoria da gestão de estoques e na implementação de uma estratégia omnichannel para otimizar a experiência do cliente, entre outras iniciativas.

Diante disso, o banco acredita que é apenas uma questão de tempo até que o gap de produtividade em relação aos pares mais eficientes diminua e o número de novas unidades acelere, levando a um crescimento anual de cerca de 30% ao ano até 2030.

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A redução da lacuna em relação à RD Saúde

A Pague Menos gerou cerca de R$ 711 mil por loja no mês em receitas brutas no primeiro trimestre, com uma lacuna de 44% em relação à RD Saúde — ante os 60% no mesmo período do ano passado.

“Embora não faça sentido comparar totalmente a Pague Menos com a RD devido às suas diferentes presenças regionais, a atual lacuna de produtividade deve continuar a diminuir. Nossa análise de sensibilidade mostra que, se for cortada pela metade [a lacuna de produtividade], a Pague Menos adicionaria 14% e 70% em receita bruta e lucro líquido”.

São quatro as principais alavancas para diminuir esse gap, de acordo com o relatório. O primeiro é a melhora no sortimento por loja, com foco em itens de maior rotatividade. O segundo é a redução do número de produtos “fora de estoque”.

Os dois últimos são a melhora na gestão de preços e a redução na dispersão entre as diferentes lojas em regiões distintas.

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A pedra no meio do caminho

“Estamos confiantes de que o único gargalo para uma expansão mais rápida é o atual nível de endividamento”, diz o relatório. À medida que a empresa consiga aliviar seu balanço, a aceleração na abertura de lojas deve virar uma realidade.

A expectativa é que a empresa atinja um endividamento de 2,3 vezes dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no final de 2023, ante 3,9 vezes no final de 2023.

“Se assumirmos que a companhia acelere o plano de expansão para 9% da base de lojas nos próximos cinco anos (em linha com os pares), estimamos um acréscimo de NPV [Valor Presente Líquido] de R$ 220 milhões, ou 10% de potencial de alta”, escrevem os analistas do Itaú BBA.

O que não tem remédio, remediado está

Além do endividamento, a concorrência com gigantes do e-commerce — como Amazon, Mercado Livre e Shopee — também é um problema, já que esses players estão avançando pesado no segmento de higiene e cuidados pessoais (HPC).

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Shopee e Meli juntas, por exemplo, aumentaram o Volume Bruto de Mercadorias (GMV) de Saúde e Beleza em R$ 4 bilhões nos meses anteriores ao primeiro trimestre de 2025 — 3,2 vezes mais do que RD Saúde, Pague Menos e Panvel combinados.

Os analistas acreditam que essa tendência veio para ficar. “A Pague Menos, no entanto, está atualmente superando esses players puros com um crescimento estimado de ~40% ao ano em HPCs online”, ressalta o relatório.

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