MRV&Co (MRVE3) registra prejuízo de R$ 838 mi no 2T25 ao arrancar band-aid na Resia; operação no Brasil tem lucro
O impacto já era esperado pelo mercado. No início de julho, a companhia já havia admitido perda contábil de US$ 144 milhões com a subisiária norte-americana
A MRV&Co (MRVE3) reportou um prejuízo líquido consolidado de R$ 838 milhões no segundo trimestre de 2025, conforme os números do balanço divulgado nesta terça-feira (12), puxado principalmente pelo reconhecimento de perda contábil de US$ 144 milhões na Resia, braço norte-americano e principal pedra no sapato do conglomerado.
Apesar de representar uma piora em relação ao mesmo período de 2024, quando o grupo — que engloba a MRV, Luggo, Urba e a subsidiária dos EUA — divulgou prejuízo de R$ 69 milhões, o impacto já era amplamente esperado pelo mercado.
No começo de julho, a companhia resolveu arrancar de vez o Band-Aid da Resia e admitiu o impairment na operação. Os executivos da empresa explicaram que, com o avanço das taxas de juros dos EUA — hoje entre 4,25% a 4,50% —, os investidores passaram a exigir retornos mais gordos para comprar imóveis.
Isso fez com que os preços da venda dos ativos residenciais caíssem consideravelmente. Assim, a Resia, que constrói imóveis residenciais para locação, foi diretamente afetada. Você pode entender mais detalhes nesta matéria.
“O impairment todo passou para dentro da contabilidade do segundo trimestre de 2025. Esse é o único grande ajuste sobre a Resia”, destaca Ricardo Paixão, CFO da MRV, ao Seu Dinheiro.
A receita operacional líquida consolidada atingiu R$ 2,7 bilhões entre abril e junho. Esse desempenho foi principalmente impulsionado pelo segmento de incorporação — que abrange as marcas MRV e Sensia — e registrou um crescimento de 20,8% na receita operacional líquida em relação ao segundo trimestre de 2024, totalizando R$ 2,525 milhões.
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A margem bruta consolidada chegou a 29,4%, alta de 0,7 ponto percentual ano a ano.
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MRV Incorporação
Já a principal divisão dos negócios reportou um lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 88,342 milhões. Na base ajustada, que exclui efeitos não recorrentes, o lucro foi de R$ 125,496 milhões, um avanço de 65% frente ao mesmo período do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 467 milhões no trimestre, avanço de 63,1% em relação ao intervalo de abril a junho de 2024. A margem bruta subiu 4,1 p.p. ano a ano, para 30,2%.
De acordo com o CFO, parte desse avanço pode ser atribuído ao bom momento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
“O programa está funcionando muito bem, com parâmetros revisados recentemente no âmbito federal. Também observamos avanços regionais, com um número maior de estados estudando essa solução e oferecendo subsídios adicionais para a compra do imóvel”, afirma Paixão ao Seu Dinheiro.
No entanto, o segmento teve consumo de caixa de R$ 55,069 milhões no segundo trimestre, afetado pelo atraso no repasse de unidades para a Caixa Econômica Federal, que diminuiu para 1.324 no final de junho, de 1.418 ao final de março, com impacto de R$ 77 milhões a menos de geração de caixa.
As outras unidades do grupo
A Urba, unidade de loteamentos, registrou lucro líquido de R$ 5,6 milhões no segundo trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 14,5 milhões apurado no mesmo período de 2024. A unidade de negócios também melhorou seu desempenho operacional, transformando a queima de caixa de R$ 18 milhões do ano anterior em uma geração positiva de R$ 17,4 milhões.
A receita operacional líquida saltou 96,2% na base anual, para R$ 83 milhões.
Já a Luggo, voltada para imóveis de aluguel, teve prejuízo de R$ 19 milhões, revertendo o lucro de R$ 28,9 milhões no mesmo trimestre do ano passado. A subsidiária reportou queima de caixa de R$ 30,3 milhões, versus o resultado positivo de R$ 1,8 milhão no mesmo intervalo de 2024. A receita operacional líquida caiu 92,9% ano a ano, para R$ 9 milhões.
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