Megaprojeto da Petrobras (PETR4) prevê aporte de R$ 26 bilhões em refino com participação da Braskem (BRKM5). Mas esse é um bom investimento para a estatal?
Considerando todos os recursos, o investimento no Rio de Janeiro ultrapassa os R$ 33 bilhões; à Braskem caberá R$ 4,3 bilhões para a ampliação da produção de polietileno

Há cerca de um ano, Magda Chambriard assumia o comando da Petrobras (PETR4) com uma missão dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: aumentar os investimentos da estatal. Nesta quinta-feira (3), a executiva fez jus ao pedido ao anunciar um aporte de R$ 26 bilhões no Rio de Janeiro.
“Acho que sim, que estamos atendendo às expectativas do presidente Lula, as nossas próprias expectativas e da sociedade", disse Chambriard durante coletiva para detalhar os investimentos.
Os R$ 26 bilhões serão destinados à ampliação da produção da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e ao Complexo de Energias Boaventura (ex-Comperj). A Braskem (BRKM5) também participará dos aportes, com R$ 4,3 bilhões para a ampliação da produção de polietileno.
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“O complexo de Energia Boaventura em associação com a Braskem também é uma prova disso de atender as expectativas. Com a Braskem mais efetiva, estamos gerando um ciclo virtuoso na região de Duque de Caxias e dando insumos para uma cadeia industrial longa que vem a seguir de nós”, afirmou Chambriard.
Com os recursos, a Petrobras pretende aumentar a produção de diesel S-10 em 76 mil barris por dia (bpd); a de querosene de aviação em mais 20 mil bpd; e a de lubrificantes grupo II para mais 12 mil bpd. Em manutenção e paradas programadas, a previsão é de R$ 2,4 bilhões.
Já a Braskem vai ampliar a produção de polietileno em 230 mil toneladas por ano, usando o gás natural via Rota 3 como matéria-prima.
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Participando da mesma coletiva que Chambriard, o diretor executivo de processos industriais e produtos da Petrobras, William França da Silva, esclareceu que os investimentos diretos da estatal em projetos de refino e petroquímica no Rio de Janeiro vão somar R$ 29 bilhões.
“Serão R$ 20 bilhões do valor anterior anunciado em setembro, mais R$ 6 bilhões no BioQAV [bioquerosene de aviação], e mais R$ 2,4 bilhões das manutenções programadas que vão acontecer na Reduc nos próximos anos e mais R$ 860 milhões nas térmicas Reduc. Os outros R$ 4,3 bilhões são da Braskem”, disse.
Considerando todos os recursos, o investimento total ultrapassa os R$ 33 bilhões, de acordo com os cálculos do executivo.
A reação do mercado ao investimento bilionário da Petrobras
O histórico de investimentos da Petrobras joga contra a estatal, que já colocou recursos fartos em segmentos que não deram retorno no passado. Mas este não parece ser o caso agora.
Os investimentos estão previstos no Plano de Negócios 2025-2029 da companhia, por isso, as ações PETR3 e PETR4 seguiram operando em alta — de 0,92% e 0,69%, respectivamente — quando o anúncio do aporte foi feito.
A própria Chambriard comentou o assunto, pontuando que os investimentos foram acelerados dentro do plano estratégico da Petrobras até 2029 e que a empresa passou a desempenhar dentro do guidance desde outubro do ano passado.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, pondera que o investimento em exploração e produção (E&P) geralmente traz mais retorno para a Petrobras, uma vez que o refino tem uma margem mais baixa. No entanto, ele lembra que esse tipo de aporte permite que o País seja menos dependente da importação.
“O primeiro ponto a ser observado é que esse investimento já estava previsto no plano estratégico. Além disso, a construção de uma refinaria ajuda de fato o governo, mas não deixa de ser uma autodefesa para o negócio”, diz Hungria.
“A Petrobras tem a chance de produzir mais localmente e depender menos de importação, ainda que não seja o investimento com maior retorno possível”, acrescenta.
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Petrobras de olho na transição energética
A Reduc concluiu com sucesso o teste de produção do primeiro combustível de aviação com conteúdo renovável (SAF) por coprocessamento, alcançando até 1,2% de óleo de milho na fabricação do QAV.
A autorização pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) já foi emitida e a produção comercial na refinaria terá início nos próximos meses.
- Vale lembrar que a Reduc já produz diesel R5, com 5% de conteúdo renovável, e recebeu a autorização da ANP para iniciar os testes com o novo teor de 7% para produção do diesel R7.
"Estamos produzindo petróleo, gás, e tirando vantagem desse petróleo e gás para combustíveis mais eficientes e focando na transição energética na veia", disse Chambriard.
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O preço dos combustíveis vai subir, Chambriard?
A Petrobras entrou 2025 com uma defasagem percentual expressiva com relação aos preços praticados no mercado internacional — na ocasião, a diferença era puxada pela valorização do dólar nos últimos meses de 2024.
Agora, esse tema pode voltar à tona com a recente disparada de preços do petróleo no mercado internacional, que chegou à casa dos US$ 75 o barril com a escalada do conflito entre Irã e Israel e voltou para os atuais US$ 68 com o frágil cessar-fogo mediado pelos EUA.
Questionada sobre um possível ajuste nos preços praticados, Chambriard disse que a Petrobras continua acompanhando as tendências.
"Não nos assombramos com variações bruscas. Está tudo dentro do esperado. Nada de ansiedade", afirmou na coletiva de hoje.
Vale lembrar que a política atual da Petrobras busca suavizar a volatilidade internacional, mas tem sido usada com frequência este ano.
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