Exclusivo: CEO da Copasa (CSMG3) revela planos ousados até 2029 — enquanto mercado aguarda ansioso o sinal verde para a privatização
Ao Seu Dinheiro, Fernando Passalio contou as apostas para destravar recursos, aumentar eficiência e acelerar a universalização do saneamento em Minas Gerais — mas quais obstáculos ainda precisa superar?

A Copasa (CSMG3) mira alto. A estatal mineira de saneamento anunciou planos ambiciosos para os próximos quatro anos: investir quase R$ 17 bilhões em obras de universalização e melhoria dos serviços. Mas, para transformar esses objetivos em realidade, serão necessárias alavancas relevantes — que vão desde a busca por novas receitas até a tão esperada privatização.
“O que estamos fazendo é um esforço transformador. De 2019 a 2025, conseguimos saltos enormes em eficiência operacional. Antes, nossa execução de capex era muito ruim. Hoje, estamos empenhados para alcançar a universalização até 2033”, afirmou Fernando Passalio, diretor-presidente da Copasa, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.
“Nosso plano de investimentos é ousado: R$ 17 bilhões até 2029. É uma agenda inédita na empresa”, acrescentou, destacando também o comprometimento com a meta de universalização dos serviços de saneamento em Minas Gerais até 2033.
- LEIA TAMBÉM: Onde investir em outubro? O Seu Dinheiro reuniu os melhores ativos para ter na carteira neste mês. Confira agora gratuitamente
Nesse sentido, o pacote de investimentos inclui obras de universalização, manutenção e segurança hídrica, especialmente na região metropolitana de Belo Horizonte, para garantir abastecimento mesmo em períodos de seca.
Também estão no radar de Passalio as “várias oportunidades” que o mercado apresenta, como o aumento no número de concessões — inclusive, fora de Minas Gerais.
Hoje, a Copasa conta com 637 concessões — em um estado com 853 municípios e em um país com 5.570 cidades.
Leia Também
“Em um futuro próximo, a Copasa começará a vislumbrar concessões fora de Minas. Temos uma equipe avaliando as licitações que surgem. Obviamente, esse crescimento territorial será feito com responsabilidade e de olho no nosso fluxo de caixa”, disse o presidente.
Os planos para a disputa de concessões fora de Minas Gerais, porém, são de médio prazo — nas estimativas do CEO, somente para daqui a 18 meses —, e terão início pelas cidades de fronteira com Minas, onde a empresa já tem sistemas operando.
Como a Copasa (CSMG3) quer financiar a agenda ambiciosa
Para tocar os projetos, a Copasa (CSMG3) vem combinando geração de caixa própria com emissões de debêntures incentivadas de infraestrutura. Só em 2025, a empresa já realizou duas emissões e prepara mais uma tranche nos próximos meses.
“Estamos avaliando várias alternativas de financiamento. Há linhas de crédito do Banco do Nordeste para cerca de 250 municípios de Minas, além de debêntures que serão utilizadas conforme oportunidades surgirem”, disse Passalio.
Além de captar recursos, a estatal aposta em novas fontes de receita e em um rigoroso programa de corte de custos.
- SAIBA MAIS: Fique por dentro das principais notícias do mercado. Cadastre-se no clube de investidores do Seu Dinheiro e fique atualizado sobre economia diariamente
Novos negócios e diversificação de receitas
A área de novos negócios da Copasa começou a operar no início deste mês. A intenção é monitorar, avaliar e desenvolver oportunidades de diversificação ou geração de receitas complementares, mantendo a empresa atenta a alternativas fora do core business. “É uma área nova que vai ajudar bastante”, afirmou o CEO.
A liderança da divisão ainda não foi definida, e o plano estratégico 2026-2030, que servirá de guia para essas iniciativas, deve ser finalizado em novembro.
A Copasa também avalia neste momento qual deverá ser a primeira onda de oportunidades que irão compor o escopo de atuação desta nova área de negócios.
- Leia também: Não se assuste com a escalada da Copasa na bolsa: ação CSMG3 pode valer R$ 50 se tirar lições da Sabesp, diz BTG
A gestão de novos negócios surgiu junto com o novo redesenho organizacional da empresa, com reorganização dos processos nas várias gerências e superintendências. O objetivo é permitir ganhos de efetividade e maior capacidade de execução.
Essa reorganização está ocorrendo de forma gradativa, em ondas: a primeira ocorreu em fevereiro de 2025, e a segunda está em execução desde o começo deste mês.
A busca por outras receitas além do core business da Copasa
Entre as apostas para receita adicional, a Copasa estuda a venda de imóveis não essenciais e espalhados pelo estado, que foram acumulados ao longo dos anos e hoje não são mais úteis para a empresa.
“Essa receita não operacional será importante para fazer frente à nossa enorme necessidade de capex”, afirmou o CEO.
A Copasa também trabalha com os órgãos de controle para incluir a prestação do serviço de esgoto em 293 municípios — de um total de 637 — que a empresa hoje atende apenas com água.
“Isso geraria um aumento na necessidade de investimentos, mas também um maior retorno com a geração de mais tarifa para o caixa da empresa. É algo extremamente significativo e devemos ter uma resposta sobre esse processo nas próximas semanas”, disse o CEO.
Outras oportunidades incluem a venda de lodo e a geração de energia via biogás, seja para autoconsumo, atualmente a segunda maior despesa da companhia, ou para venda na rede da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig).
“São várias oportunidades satélites que, combinadas à área de novos negócios, podem gerar eficiência e atratividade para o mercado financeiro”, disse Passalio.
Mais de R$ 2 bilhões em cortes de custos: o que está na mira do CEO
Para o CEO, a busca por eficiência é tão estratégica quanto a geração de receita.
Nesse sentido, a Copasa trabalha uma iniciativa que deve ser lançada nas próximas semanas: um projeto de água de reúso em parceria com a divisão de bioenergia da Aperam, produtora de aço que também produz carvão vegetal a partir de florestas de eucalipto.
O projeto prevê a transformação da água de esgoto tratada da Copasa em recurso para irrigação de eucalipto da Aperam.
Segundo Passalio, o negócio pode gerar economia de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões em investimentos que seriam necessários para atender a exigências ambientais, além de criar uma nova fonte de receita. De acordo com o executivo, o objetivo é expandir o modelo para outras indústrias e plantações.
De olho na redução de despesas, a Copasa iniciou uma grande revisão de processos com a consultoria BCG e planeja envolver a Kearney para aprofundar a análise.
Em paralelo, neste mês será inaugurado um centro de serviços compartilhados para unificar processos, ganhar escala e melhorar eficiência operacional. Esse CSC centralizado deve atender internamente as diversas áreas da empresa e deve permitir, por exemplo, compras comuns para as diferentes regiões do estado.
A estrutura de atendimento também está sendo revisada, com redução de gerências e superintendências regionais, além de maior informatização dos processos.
Todos os olhos na privatização
Embora os planos operacionais da Copasa (CSMG3) chamem atenção, outro evento captura boa parte da atenção do mercado hoje: a privatização.
Com uma participação de 50,03% no capital social da empresa de saneamento, o governo de Minas Gerais discute há anos a possibilidade de privatização ou federalização de empresas como a Copasa. O governador Romeu Zema é quem lidera a proposta, como forma de abater a dívida do estado com a União.
Ainda que esteja confiante com objetivos ambiciosos, o CEO da Copasa deixou claro que a venda das ações pelo governo mineiro será crucial para destravar plenamente os planos.
“Como estatal, a coisa não é simples. Temos um accountability [prestação de contas] público que nos impõe dificuldade para um dinamismo maior para atender ao marco de saneamento”, disse o executivo.
Questionado sobre a dependência da privatização para a agenda arrojada de investimentos, Passalio diz que “tem alguns receios diante desse plano enquanto estatal”.
“É um plano ousado que requer agilidade, coisa que uma estatal não tem tanto quanto uma empresa privada. Em um cenário de companhia privada, teríamos um ganho de eficiência enorme na execução e no cumprimento desse plano até 2029 e do plano de universalização até 2033”, afirmou o executivo.
O projeto de lei que autoriza a privatização da Copasa tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O texto prevê a retirada da exigência de referendo popular da Constituição Mineira para aprovação de lei, o que facilita a desestatização da empresa de saneamento.
A análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pela Comissão Especial formada pela ALMG foi adiada na tarde desta terça-feira (7). Outra reunião para avaliação da proposta deve ser remarcada a partir desta tarde, segundo a rádio Itatiaia.
O aval da Comissão Especial é a última etapa antes da votação da PEC em primeiro turno no plenário.
A expectativa do CEO é que o sinal verde venha já nas próximas semanas. Enquanto isso, a Copasa realiza estudos e análises sobre a melhor forma de executar a operação.
“A Copasa está em compasso de espera por uma eventual aprovação da Assembleia para partirmos para a execução. Obviamente, como empresa privada, a Copasa conseguiria destravar vários gargalos de eficiência. Vemos exemplos no Brasil e no mundo de como a privatização pode ser um ativo para o usuário final do saneamento”, disse Passalio.
Nas palavras do presidente, a privatização permitiria à Copasa atingir todo o seu potencial, especialmente devido à maior agilidade em processos de licitação.
“Com o sinal verde, poderíamos aproveitar melhor oportunidades de mercado, reduzir custos e ganhar eficiência. O ativo mais caro do mundo é o tempo, e, com a privatização, conseguiríamos isso.”
DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS
Black Friday 60% maior: como o iFood quer provar de vez que não é mais um aplicativo de entregas de refeições
15 de outubro de 2026 - 16:35ATENÇÃO, INVESTIDOR
INBR32 dá adeus à B3: prazo para decidir o destino dos BDRs do Inter termina nesta sexta-feira; veja as opções
15 de outubro de 2026 - 10:50ESTRUTURAS INTACTAS
O negócio caiu, mas a ação subiu: por que a disparada dos distratos não assusta os investidores de Tenda (TEND3) e Cury (CURY3)
15 de outubro de 2026 - 6:06ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: dona da Vivo (VIVT3) vai distribuir R$ 450 milhões em proventos; confira os prazos
14 de outubro de 2026 - 19:14EM MEIO À EUFORIA
O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio
14 de outubro de 2026 - 19:03PARA ALÉM DAS ACADEMIAS
Juros são o maior desafio da Smart Fit (SMFT3), segundo o CEO. Como a líder do setor fitness tem crescido nesse cenário?
14 de outubro de 2026 - 17:45SAÚDE NA BOLSA
Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
13 de outubro de 2026 - 19:51DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?
Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
13 de outubro de 2026 - 19:21ESPAÇO PARA FATURAR BILHÕES
O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
13 de outubro de 2026 - 12:45DESALAVANCAGEM EM FOCO
CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
12 de outubro de 2026 - 10:59ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO
Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia
12 de outubro de 2026 - 10:03NA ERA DA IA
Seu próximo gerente pode ser uma IA: veja como Bradesco e Santander estão se preparando e se os apps de banco vão acabar
12 de outubro de 2026 - 7:02O QUE ESTÁ EM JOGO?
Raízen (RAIZ4) quer listar subsidiária na B3 em meio a plano bilionário de reorganização
10 de outubro de 2026 - 9:08ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: Santander (SANB11) distribuirá R$ 1,5 bilhão aos acionistas; saiba quem mais paga
9 de outubro de 2026 - 19:34Conteúdo Market Makers
Bancos vão investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial e soluções de dados em 2026: O que eles já descobriram que você ainda não aplica?
9 de outubro de 2026 - 13:00Conteúdo Empiricus
Qual a importância de saber o valor real da sua empresa? Conheça uma forma gratuita de calculá-lo
9 de outubro de 2026 - 12:00ENERGIA NA MIRA
Não é a Taesa (TAEE11): Ação paga bons dividendos, mas não é a favorita do Itaú BBA; veja as elétricas preferidas do banco
9 de outubro de 2026 - 9:37NOVAS FRONTEIRAS
Quer investir na China sem sair da B3? BTG Pactual Asset fecha parceria com gigante chinesa para preparar novos ETFs
9 de outubro de 2026 - 5:01RECOMENDAÇÃO
O pior já passou para a SLC Agrícola (SLCE3)? Bancos elevam projeções para 2027, mas fazem alerta aos investidores
8 de outubro de 2026 - 17:33Conteúdo Empiricus