Não se assuste com a escalada da Copasa na bolsa: ação CSMG3 pode valer R$ 50 se tirar lições da Sabesp, diz BTG
Os analistas ainda veem um espaço relevante para valorização das ações da Copasa nos próximos meses — mas isso dependerá da concretização de duas condições específicas

Embora o salto das ações da Copasa (CSMG3) em 2025, de quase 65% desde o início do ano, acenda entre os investidores o temor de que todo o potencial possa já ter sido extraído, o BTG Pactual ainda vê um espaço relevante para valorização adicional nos próximos meses.
Para os analistas, o potencial é expressivo: hoje cotadas na casa dos R$ 34, as ações da Copasa poderiam chegar a R$ 50 na bolsa brasileira — isto é, um potencial de alta de 48% em relação ao último fechamento.
Porém, essa performance robusta dependerá da concretização de certas condições e de a empresa mineira tirar algumas lições da Sabesp (SBSP3), trilhando um caminho parecido com o da companhia paulista de saneamento.
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Apesar das perspectivas otimistas, o BTG ainda não mexeu nas premissas que havia fixado para a Copasa até então. O banco segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 para os próximos 12 meses.
O que pode levar a Copasa (CSMG3) aos R$ 50 por ação?
Um dos pontos centrais da análise do BTG é que muitos investidores acreditam que a valorização atual das ações CSMG3 já incorpora a expectativa de privatização da Copasa, especialmente considerando o múltiplo de valor de firma sobre a base de ativos regulatórios (EV/RAB).
Atualmente, a ação da Copasa negocia a 1,14 vez o EV/RAB de 2024 e 1,08 vez para 2025 — múltiplos pouco abaixo dos praticados pela Sabesp.
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Se a Copasa fosse negociada hoje ao mesmo múltiplo da Sabesp, o papel chegaria a cerca de R$ 39, o que representaria um potencial de alta de “apenas” 18%.
No entanto, segundo o BTG, “focar demais no múltiplo EV/RAB é problemático”. A empresa tem investido pouco há anos, o que significa que sua base de ativos regulatórios (RAB) está defasada.
As vantagens em relação à Sabesp
Isso significa que a Copasa tem vantagens que podem gerar um valor significativamente maior se o modelo regulatório for aprimorado, na visão dos analistas, como:
- Crescimento da RAB líquida; e
- Redução de despesas operacionais (Opex) em relação à RAB líquida.
Em 2024, a RAB líquida da Copasa era estimada em R$ 15,1 bilhões, enquanto a da Sabesp somava R$ 86,9 bilhões. Isso significa que a Sabesp tem 5,77 vezes mais RAB do que a Copasa.
Embora à primeira vista isso poderia sugerir que a Sabesp opera em uma escala 5,77 vezes maior, o BTG avalia que não é bem assim, já que, por quilômetro, a RAB da Sabesp é apenas 3,7 vezes maior, e, por ligação, 2,6 vezes maior.
Outra métrica que evidencia o potencial de valorização é a relação entre as despesas operacionais e suas respectivas RABs (Opex/RAB) em 2024:
- Sabesp: 9,2%
- Copasa: 16,3%.
Segundo os analistas, essa diferença não se justifica por uma eficiência operacional menor da Copasa.
“Como a relação Opex/RAB da Copasa é muito mais alta, caso ela siga o mesmo modelo regulatório da Sabesp, o valor justo de seu EV/RAB seria significativamente maior.”
Quanto vale a Copasa?
Para o BTG, se a Copasa (CSMG3) operar sob o mesmo marco regulatório da Sabesp, seu valor justo poderia chegar a R$ 50 por ação, o que corresponde a um EV/RAB de 1,44 vez para 2025.
Ou seja, com um prêmio no múltiplo, visto que a base regulatória de ativos da companhia mineira está “mais velha e mais depreciada”, segundo os analistas.
Esse cenário considera que a Copasa consiga reter cerca de 15% das despesas operacionais como ganho de eficiência — com economia maior no início e redução ao longo do tempo — e que o desconto do fluxo de caixa ocorra com um custo de capital real similar ao da Sabesp.
Para que esse potencial se concretize, porém, é necessário que a privatização avance e melhorias regulatórias sejam implementadas.
Em que pé está a privatização?
A semana passada marcou um passo importante da Copasa (CSMG3) rumo à privatização. Na última quinta-feira (25), enfim entrou em tramitação o projeto de lei que autoriza a desestatização da empresa mineira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O projeto de lei será agora analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para as demais comissões e, por fim, para a votação em plenário. O projeto depende de pelo menos 60% dos votos para ser aprovado.
O governo de Minas Gerais terá até o final de outubro para aprovar todas as medidas legislativas necessárias ao processo de integração do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê a amortização de dívidas com o governo federal.
Além disso, o governo mineiro terá até o final de novembro para apresentar ao governo federal quais empresas pretende privatizar ou federalizar para atender parte da renegociação da dívida.
A movimentação ocorre poucas semanas após a aprovação da PEC 24/2023 na Câmara dos Deputados, com a eliminação da exigência de referendo popular para qualquer potencial privatização da empresa.
Na visão do Itaú BBA, esses acontecimentos representam “eventos-chave para a redução de risco e aumentam significativamente a probabilidade de privatização”.
Conteúdo Empiricus
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