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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

SD EXPLICA

Entenda o colapso da Ambipar (AMBP3): como a gigante ESG virou um alerta para investidores

Empresa que já valeu mais que Embraer e Gerdau na bolsa de valores hoje enfrenta risco de recuperação judicial após queda de mais de 90% nas ações

Bia Azevedo
Bia Azevedo
16 de outubro de 2025
18:30 - atualizado às 16:19
Caminhão de coleta da Ambipar estacionado, com título “Entenda o colapso da Ambipar: como a gigante ESG virou um alerta para investidores” em destaque
Como a Ambipa virou alerta para os investidores - Imagem: Divulgação com intervenção de IA

A Ambipar (AMBP3) tem vivido dias de pânico na bolsa. As ações da companhia vêm despencando nas últimas semanas, levando junto o valor de mercado, que hoje mal passa de R$ 1 bilhão.

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Difícil acreditar que se trata da mesma empresa que, não faz muito tempo, chegou a valer mais que gigantes como Embraer (EMBR3) e Gerdau (GGBR4). Naquela fase de euforia, o papel bateu R$ 268, e a Ambipar figurava entre as 20 empresas mais valiosas da B3, com um valor de mercado superior a R$ 27 bilhões.

Então, resta saber: como a empresa que surgiu como umas das grandes apostas da economia verde veio parar aqui?

A história da Ambipar

Com atuação no gerenciamento de resíduos perigosos e foco em sustentabilidade, a empresa estreou na B3 em julho de 2020, surfando a onda ESG e prometendo crescimento acelerado por meio de aquisições no Brasil e no exterior. 

Para tal, a Ambipar precisou se endividar, o que não caiu nada bem quando a taxa de juros no Brasil começou sua escalada logo no fim da pandemia de covid-19.

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Esse contexto arrastou o valor das ações — que chegaram na bolsa valendo cerca de R$ 24 — aos R$ 8. Foi quando a virada começou.

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Os papéis saltaram de R$ 8 para R$ 268… sem que o mercado pudesse enxergar o racional por trás disso, em uma disparada que um gestor classificou como “a mais estranha nos últimos 20 anos”. Até porque o mar não estava para peixe para a companhia.

Na verdade, o que estava acontecendo é que o controlador da companhia, Tércio Borlenghi Junior, estava comprando muitas ações da empresa.

Além disso, a própria Ambipar foi a mercado com um programa de recompra de ações. Teve também a entrada dos fundos da Trustee, que têm Nelson Tanure como cotista, e impulsionou ainda mais os papéis.

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Esses movimentos levaram a um short squeeze das ações da Ambipar. Ou seja, os investidores que apostavam na queda dos papéis foram forçados a cobrir suas posições. Esse movimento amplificou ainda mais a valorização na bolsa.

Em outras palavras, tinha muita gente apostando na queda das ações. Mas quando os players começaram a comprar os papéis, esse cenário esperado não se concretizou — não graças ao desempenho da empresa e sim em razão do movimento especulativo.

Quando a casa começou a cair…

O castelo começou a ruir em setembro deste ano, quando a Ambipar pediu proteção judicial contra credores. O gatilho foi a má performance dos green bonds — títulos sustentáveis emitidos em dólar para financiar projetos ambientais.

A Ambipar havia emitido esses títulos de dívida pelo Deutsche Bank em dólar.

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Para se proteger da volatilidade do câmbio, já que suas receitas são em reais, a empresa contratou um contrato de swap com o banco, transformando, na prática, sua dívida em dólar em uma obrigação em real.

O problema veio com um aditivo contratual que vinculava o derivativo à performance dos próprios títulos.

Quando o preço desses títulos verdes começou a cair, esse aditivo foi acionado. Imediatamente, o Deutsche Bank exigiu o depósito de garantias adicionais para cobrir a desvalorização.

Essa exigência gerou um risco de efeito dominó na Ambipar, que poderia gerar um rombo de R$ 10 bilhões no caixa da empresa. Isso porque quase todos os contratos financeiros da Ambipar contêm cláusulas de vencimento cruzado, em uma espécie de efeito cascata de cobrança entre os credores.

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Foi aí que a empresa correu para a Justiça para se proteger disso, com uma medida que funciona como um passo anterior à recuperação judicial.

A pergunta que não quer calar

A Ambipar alegava ter R$ 5 bilhões em caixa no fim do segundo trimestre. Mas, foi à justiça pedir proteção por uma dívida de R$ 600 milhões. Segundo analistas, isso parece contraditório. 

A Ambipar justifica que precisa da proteção judicial para se proteger de um efeito cascata de vencimento das suas dívidas.Mas os credores começaram a tentar rastrear o caixa da empresa, e acharam só US$ 80 milhões (R$ 400 milhões).

A preocupação é que a Ambipar alegue falta de caixa para honrar compromissos, apesar de bilhões reportados em seu demonstrativo financeiro.

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A empresa culpa o ex-diretor financeiro João Arruda pela assinatura do aditivo com o Deutsche Bank, alegando que ele agiu sem aprovação do conselho. Arruda nega e afirma que o contrato trouxe benefícios.

A lição para o investidor

Segundo analistas, o caso Ambipar é um exemplo clássico de como o mercado pode se deixar levar por narrativas — mas preço e fundamentos não ficam descorrelacionados para sempre. Quando isso acontece, é o preço que acaba convergindo para a realidade.

O Seu Dinheiro gravou um vídeo explicando em detalhes essa confusão, você pode conferir ou enviar para seu amigo investidor que quer entender de forma rápida e fácil o que está por trás do colapso Ambipar.

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