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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

MULTILATERALISMO AMEAÇADO

Brasil depende demais do agro, diz CEO da JBS (JBSS32) — que alerta para os riscos implícitos

O CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, defendeu a diversificação da economia brasileira e alertou para um cenário global cada vez mais fragmentado

Bia Azevedo
Bia Azevedo
27 de outubro de 2025
18:15 - atualizado às 8:35
Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, sorri em foto oficial com fundo neutro, vestindo terno escuro e camisa azul clara
Gilberto Tomazoni, CEO da JBS - Imagem: Reprodução Linkedin

A JBS (JBSS32) talvez seja a empresa brasileira com mais presença internacional. Ao todo, a companhia tem operações em 16 países e 5 continentes. Até por isso, o CEO, Gilberto Tomazoni, está bastante atento às crises geopolíticas que o mundo tem atravessado nos últimos anos. 

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Mas isso não significa que esteja com medo. Para ele, não há perspectiva para que o cenário internacional se torne menos hostil daqui para a frente, muito pelo contrário. 

“Eu acho que o mundo está caminhando para se tornar menos multilateral e relações bilaterais tendem a se tornar o padrão”, afirmou o executivo em participação no Summit 2025 da Bloomberg Linea.

Tomazoni destaca que o único jeito para as empresas remediarem essa situação é diversificar e se adaptar. 

E isso vale para o Brasil também que, segundo ele, depende excessivamente do agronegócio para crescer. 

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Essa concentração, embora tenha impulsionado o país nas últimas décadas, também o torna mais vulnerável a choques externos, como crises sanitárias, variações de preços de commodities e tensões comerciais.

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De acordo com o executivo, o país não pode depender apenas do agro como motor para a economia. “Precisamos acelerar o desenvolvimento de outros setores, para que sejam tão fortes e pujantes quanto o agronegócio”, afirmou.

Segundo Tomazoni, o país tem potencial para diversificar suas fontes de crescimento, ampliando mercados, criando novas cadeias produtivas e fortalecendo parcerias comerciais — movimento que já vem sendo feito nos últimos 20 anos.

“É assim que eu vejo o Brasil aumentando a sua competitividade em relação ao resto do mundo”, disse. 

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A chave para as empresas lidarem com desafios geopolíticos e outros tantos 

“Em cada país onde estamos presentes, atuamos como uma empresa local. Nos Estados Unidos, por exemplo, 53% da nossa receita vem de lá e também exportamos a partir do mercado norte-americano. Nosso objetivo é contribuir ativamente para a economia de cada país em que operamos. Isso vale para os Estados Unidos, para a Austrália e para todos os lugares onde temos operação”, disse Tomazoni.

Ele ressalta que, além da diversificação geográfica, a empresa também tem várias linhas de negócio fora do país — com frango, suínos, bovinos, alimentos preparados e outras marcas.

“Essa capacidade de se adaptar e diversificar é o que permite enfrentar desafios sanitários, geopolíticos e econômicos”, destacou em painel que discutiu uma agenda para o desenvolvimento do Brasil na visão do setor privado.

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