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Lucro no segundo trimestre supera expectativas, mas queda nas receitas e corte no guidance acendem alerta sobre o desempenho futuro
A BB Seguridade (BBSE3) entregou um lucro forte no segundo trimestre de 2025, sustentado por ganhos financeiros e melhora nos índices de sinistralidade. A companhia reportou R$ 2,24 bilhões de lucro líquido ajustado no período, uma alta de 12,2% na comparação trimestral e de 26,3% sobre o mesmo intervalo do ano passado.
Apesar do bom resultado na principal linha do balanço, os números operacionais decepcionaram. E a perspectiva futura diminuiu: a empresa decidiu revisar para baixo todas as projeções para o ano.
Os principais freios no segundo trimestre vieram da operação da BrasilSeg, com recuo nos prêmios (preço do seguro) emitidos em diversas linhas — incluindo seguro agrícola, de vida e prestamista.
A divisão de previdência, BrasilPrev, também enfrentou um cenário mais desafiador entre abril e junho, com retração nas contribuições e aumento nos resgates. A mudança nas regras de IOF para planos VGBL contribuiu para a saída líquida de recursos, somando R$ 3,7 bilhões de perda no trimestre.
A pressão comercial foi parcialmente compensada pelo bom desempenho financeiro, impulsionado por taxas de juros elevadas e pela deflação nos índices de preços aplicados ao passivo.
Diante desse cenário mais duro, a BB Seguridade cortou seu guidance para 2025. A companhia agora projeta crescimento de apenas 1% a 4% no resultado operacional do ano, contra a estimativa anterior de 3% a 8%.
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A previsão de alta nos prêmios da BrasilSeg passou de até 7% para um intervalo entre recuo de 4% e avanço de 1%. Já a expansão das reservas da BrasilPrev deve ficar entre 9% e 12%, também abaixo dos 12% a 16% esperados anteriormente.
O fraco desempenho na receita no segundo trimestre puxou essas revisões. O seguro rural ficou abaixo do esperado e o seguro de crédito sofreu com um menor volume de vendas. Na previdência, as mudanças nas regras do IOF para planos VGBL devem continuar impactando os resgates e as contribuições.
Para os analistas, o papel continua atrativo pelos dividendos, mas a fraqueza nas receitas e a possibilidade de venda de participação por parte do Banco do Brasil adicionam ruídos no curto prazo.
Mesmo com lucro sólido, os analistas mantêm uma visão cautelosa para a seguradora. A recomendação para BBSE3 segue “neutra” para o BTG Pactual, Itaú BBA e Ativa Investimentos.
Os papéis da companhia estão cotados na faixa dos R$ 34 nesta terça-feira (5), mas as estimativas para os próximos 12 meses apontam para um preço-alvo entre R$ 38,00 e R$ 46,00. Trata-se de um potencial de valorização entre 13,3% e 37,1%.
Apesar dos desafios operacionais, a BB Seguridade segue em destaque entre as ações para renda.
A companhia mantém um perfil gerador de caixa e distribui a maior parte do lucro na forma de dividendos. Para 2025, o dividend yield projetado gira em torno de 12%, segundo estimativas dos analistas — um dos mais altos da Bolsa.
Esse fator continua sendo um dos principais atrativos da ação BBSE3, mesmo em um cenário de crescimento mais fraco.
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