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Preço das ações da empresa enfrentam trajetória de queda desde setembro, quando pediu proteção judicial contra credores
As ações da Ambipar (AMBP3) atingiram o preço mais baixo de sua história nesta sexta-feira (17). Durante as negociações, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 0,37, com queda de 17%. Com isso, a empresa acumula um derretimento de 97% nos últimos 30 dias.
Os papéis encerraram o pregão de hoje com recuo de 15,56%, a R$ 0,38. O mercado está atento à possibilidade de um pedido de recuperação judicial.
O novo recorde de baixa é mais um desdobramento da crise da Ambipar, que começou em setembro, quando a empresa pediu proteção judicial contra credores. A fim de garantir uma maior transparência sobre sua liquidez, a empresa contratou uma consultoria.
No dia 22 de setembro, os bonds da Ambipar com vencimento em 2031 sofreram forte queda no mercado internacional. A Ambipar emitiu esses títulos de dívida pelo Deutsche Bank em dólar. O recuo aconteceu pouco antes de a companhia anunciar sua sétima emissão de debêntures, no valor de R$ 3 bilhões.
O Deutsche Bank, um dos principais credores, exigiu um aditivo de US$ 35 milhões. Isso poderia antecipar obrigações financeiras de até R$ 10 bilhões, como previsto em contrato em caso de desvalorização dos papéis.
Diante desse cenário, a Ambipar recorreu à proteção judicial em setembro. A companhia alega que o banco estava solicitando garantias adicionais não previstas no acordo original.
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Apesar de registrar uma dívida de R$ 616 milhões, a empresa contava com um caixa de R$ 4,7 bilhões ao fim do segundo trimestre — montante que, em tese, seria suficiente para honrar seus compromissos. Para analistas do mercado financeiro, isso parece contraditório.
A companhia argumenta que a medida tem como objetivo evitar um efeito em cadeia de vencimentos antecipados de dívidas (cross-default).
Enquanto isso, credores tentam rastrear o caixa da Ambipar, do qual apenas US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões) foram localizados até agora, de acordo com fontes próximas ao caso.
A assinatura do aditivo com o Deutsche Bank foi responsabilidade do ex-diretor financeiro João Arruda, segundo a Ambipar. A empresa diz que ele agiu sem aprovação do conselho. Arruda nega e afirma que o contrato trouxe benefícios.
A Ambipar disse para seus credores que contratou a FTI Consulting para realizar uma auditoria independente do seu caixa. O objetivo é analisar se os registros contábeis têm erros ou se estão corretos.
A consultoria também vai avaliar o contrato de derivativos com o Deutsche Bank, apontado como fator determinante da crise financeira.
A contratação da FTI busca oferecer “maior transparência” sobre a liquidez da empresa, segundo a coluna Pipeline, do jornal Valor Econômico, que revelou esta história.
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