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Juros, inadimplência, tributação e independência regulatória dividem fintechs e grandes instituições financeiras. Veja o que dizem
Os investidores estão acostumados a acompanhar tensões entre bancos tradicionais e fintechs. Mas poucas vezes esses embates ganharam um tom tão explícito quanto a troca de farpas pública entre a Febraban, federação que representa os grandes bancos, e David Vélez, fundador do Nubank.
O duelo começou após publicações de Vélez nas redes sociais no fim de novembro. Segundo ele, a fintech do cartão roxinho teria sido responsável por ampliar a inclusão, reduzir tarifas, estimular concorrência e contribuir mais para o público do que qualquer grande banco no Brasil.
Não demorou para que a Febraban reagisse. A associação acusou Vélez de omitir informações essenciais, sustentar “narrativas incompletas” e pintar um retrato que, segundo ela, não bate com os números da instituição.
A avaliação é que a realidade do Nubank seria menos romântica do que o discurso sugere, com “realidades que precisam ser enfrentadas”, segundo a entidade — com juros mais altos, inadimplência elevada e forte foco em operações de curto prazo, mais caras ao consumidor.
Ao Seu Dinheiro, o Nubank afirmou que “não responderá a ataques”.
Mas o que de fato está em discussão e qual o pano de fundo dessa disputa acalorada?
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A ascensão do Nubank e de outras fintechs redefiniu a lógica bancária no Brasil nos últimos anos.
O banco digital roxinho chegou ao mercado com uma proposta simples: cartão de crédito sem anuidade, aplicativo intuitivo, atendimento rápido e zero fila – uma ruptura importante em um universo dominado por tarifas, burocracia e atendimento presencial.
O público abraçou a ideia. Hoje, o Nubank ultrapassa a marca de 120 milhões de clientes globalmente, de acordo com dados do terceiro trimestre de 2025.
A escala tornou a fintech uma das maiores instituições financeiras do país, hoje com cerca de 110 milhões de clientes (equivalente a mais de 60% da população adulta do país), desafiando a hegemonia dos bancões e pressionando o setor a acelerar a digitalização.
Esse avanço forçou os bancos incumbentes a reverem modelos, investir em tecnologia e rever a estrutura de custos.
Mas também abriu tensão regulatória e tributária: os grandes bancos afirmam que fintechs operam com menos custos físicos, carga tributária mais leve e exigências regulatórias proporcionais – o que permitiria margens mais altas e modelos de crédito mais agressivos.
As fintechs questionam, afirmando que os bancões se beneficiaram por décadas de concentração, tarifas elevadas, pouca competição e margens extraordinárias com estruturas caras.
Na publicação que desencadeou a polêmica, Vélez apresentou, há cerca de uma semana, um conjunto de números que, segundo ele, evidenciam o impacto competitivo do Nubank sobre o setor financeiro nos últimos oito anos.
O executivo destaca que:
Além disso, o ganho para os consumidores com tarifas não cobradas teria chegado a R$ 111 bilhões, de acordo com o executivo.
“Em 2025, o Nubank tem sido o MAIOR pagador de imposto de renda entre as instituições financeiras brasileiras, considerando valores brutos e relativos (taxa efetiva)”, escreveu Vélez.
Na visão do fundador do Nubank, os grandes bancos estariam incomodados com o reposicionamento estrutural do setor, em que o digital, a escala e a eficiência passam a ser mais relevantes do que agências, tarifas ou estruturas convencionais.
“Estamos apenas começando”, escreveu. “Desde o nascimento no Brasil, vamos levar o roxinho para o mundo inteiro.”
A Febraban, no entanto, diz que a leitura apresentada pelo Nubank era “totalmente enviesada” e ignorava pontos centrais do modelo de negócio da fintech.
A entidade afirma que o portfólio do Nubank está concentrado em operações mais caras e de curtíssimo prazo, com impacto direto sobre o endividamento e a inadimplência de parte da clientela.
“Realmente, são números impactantes, mas inclusão financeira vai para muitíssimo além da só abertura de conta e da oferta de um produto”, escreveu a Febraban.
Segundo a federação, 97,7% da carteira de pessoa física do Nubank é composta por linhas de crédito consideradas mais caras, como cartão de crédito (64,8%) e crédito pessoal não consignado (32,8%). Não há participação em financiamentos imobiliários, de veículos ou agronegócio – que tradicionalmente minimizam a média de juros cobradas dos grandes bancos.
A Febraban também alega que as taxas médias de crédito pessoal no Nubank chegam a 110,9% ao ano, contra 50,5% no conjunto de quatro grandes bancos. Já a inadimplência do Nubank seria de três a sete vezes maior que a dos bancões.
Segundo dados do Banco Central, porém, as taxas do Nubank no rotativo do cartão de crédito (362,68% ao ano) são inferiores à da maioria dos quatro grandes bancos brasileiros, com exceção do Banco do Brasil (325,84% a.a). Vale lembrar que, dada a nova regra, os juros e encargos acumulados do rotativo no ano não podem passar de 100% do valor original da dívida.
Já ao considerar o crédito pessoal não consignado, as taxas do Nu, de 112,24% ao ano, são maiores que os quatro maiores bancos — Santander tem juros de 38,67% ao ano, Banco do Brasil, 61,85%, Itaú tem 63,90% e Bradesco cobra 85,95% ao ano.
A federação sugere que o Nubank adota um modelo “rentista”: margens altas, inadimplência elevada, crédito arriscado e estrutura mais leve do que a dos bancos tradicionais.
Esse cenário seria facilitado por assimetrias regulatórias e tributárias — um tipo de “meia-entrada”, nas palavras da Febraban, que permitiria maior retorno sem os mesmos custos estruturais suportados pelos grandes bancos.
É por isso que outro ponto de atrito são justamente os impostos. A Febraban diz que, embora o Nubank declare ser o maior pagador de imposto de renda do setor, a proporção entre lucro e impostos devidos seria a menor entre as instituições analisadas.
A entidade também questiona o fato de a companhia ter sede fiscal nas Ilhas Cayman e ter listado ações no exterior.
Vale destacar que o Nubank não opera como banco no Brasil, mas solicitou nesta semana uma licença bancária ao Banco Central, a fim de não mudar de nome depois de uma nova regra do BC.
"A inclusão de uma instituição bancária no conglomerado atende à Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, que disciplinou a nomenclatura das instituições reguladas", explicou o Nubank.
O posicionamento oficial da empresa é de que atualmente "cumpre todas as exigências regulatórias e opera com todas as licenças necessárias como Instituição de Pagamento, Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. A inclusão de uma instituição bancária no conglomerado não implica em alterações materiais nas exigências adicionais de capital e liquidez — a solidez e resiliência financeira permanecem inalteradas."
Com base em tudo isso, a Febraban elencou dúvidas que pensava “ser do interesse do Vélez esclarecer algumas questões sem respostas”. Veja a seguir:
“Seria uma empresa estrangeira, com sede fiscal nas Ilhas Cayman, foco em extrair lucro no Brasil para investir no exterior, cobrando juros altos, tolerando elevada inadimplência e pagando poucos impostos?”, questiona a Febraban.
“A reflexão que deixamos aqui é se os seguintes dados retratariam um ‘campeão de inclusão financeira’. Ou se revelariam que a fintech, que tem nome expresso de bank e porte de grande banco, na realidade, tem sido campeã de um modelo de assimetrias regulatórias, beneficiada por uma política da meia entrada”, acrescentou.
Procurado pelo Seu Dinheiro, o Nubank enviou nota formal nesta sexta-feira (5):
“O Nubank já apresentou sua posição e dados, baseados em sua trajetória de sucesso e na satisfação de mais de 110 milhões de clientes [no Brasil]. Não vamos ficar respondendo aos ataques. Queremos agora focar nossa energia no que mais gostamos: continuar oferecendo os melhores produtos e serviços financeiros no mercado”, escreveu o banco digital.
*Matéria atualizada às 18h38 para atualizar posicionamento do Nubank.
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