BC libera compulsório para bancos socorrerem o FGC após rombo bilionário do Banco Master
Com a nova resolução, o BC atende a um pleito do setor e permite que os bancos utilizem esse capital para financiar o FGC sem sacrificar o próprio caixa operacional

Em uma manobra para garantir a estabilidade do sistema financeiro nacional, o Banco Central (BC) anunciou nesta terça-feira (3) uma medida que permite aos bancos utilizarem recursos do depósito compulsório para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A decisão surge como um colchão de liquidez após a crise do Banco Master, que forçou o FGC a desembolsar cerca de R$ 56 bilhões para ressarcir depositantes. Com as reservas do fundo severamente atingidas, as instituições financeiras agora precisam realizar aportes para repor esses recursos.
O depósito compulsório é aquela parcela do dinheiro dos clientes que os bancos são obrigados a deixar guardada no Banco Central.
Com a nova resolução, o BC atende a um pleito do setor e permite que os bancos utilizem esse capital para financiar o FGC sem sacrificar o próprio caixa operacional.
Antecipação de recursos na esteira da crise do Master
Em fevereiro, na esteira da crise do Master, o FGC indicou que precisava receber aporte dos bancos, por meio da antecipação de 60 parcelas que as instituições já fariam ao fundo.
Além dos cinco anos que serão antecipados em 2026, estão previstas antecipações em 2027 e 2028. Ao todo, em três anos os bancos vão antecipar sete anos de recursos que seriam injetados no FGC até 2033.
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O cronograma vai funcionar da seguinte maneira:
- Dedução mensal: os bancos injetam o dinheiro no FGC e, em contrapartida, podem abater esse valor do que deveriam recolher ao BC;
- Prazo: a flexibilização vale para os próximos cinco anos
- Tipos de depósito: estão liberadas as deduções tanto sobre depósitos à vista (que não rendem juros) quanto sobre depósitos a prazo (remunerados).
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Neutralidade para o mercado
A medida evita que os bancos tenham que retirar recursos de circulação, o que poderia encarecer o crédito, para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.
O Banco Central justifica que a recomposição da capacidade de atuação do FGC "atende ao interesse público associado à manutenção da confiança no sistema financeiro e insere-se no exercício regular de suas atribuições institucionais".
O BC calcula que a dedução irá resultar na liberação de R$ 30 bilhões em 2026, e tem como objetivo reforçar o capital dos bancos. Do contrário, eles teriam piora nos seus índices de liquidez, já que os recursos teriam que sair do próprio caixa.
Na prática, também funcionaria como um aperto monetário, exatamente o contrário do que indicou o BC na última reunião do Copom, que deve começar a cortar a taxa Selic na reunião deste mês de março.
*Com informações do Money Times
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