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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

TOUROS E URSOS #242

Tempestade à vista para a Bolsa e o dólar: entenda o risco eleitoral que o mercado ignora

Os meses finais do ano devem marcar uma virada no tempo nos mercados, segundo Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital

Monique Lima
Monique Lima
8 de outubro de 2025
12:59
TOUROS E URSOS #242 Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital
TOUROS E URSOS #242 Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O rali da bolsa brasileira ganhou força nas últimas semanas e colocou o Ibovespa acima dos 147 mil pontos pela primeira vez na história. O avanço é impulsionado pela queda dos juros no mundo — e a sinalização de corte no Brasil —, e pelo apetite dos investidores estrangeiros, que voltaram a olhar para os emergentes em busca de oportunidades. 

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Mesmo com a Selic ainda em dois dígitos, o mercado local começou a refletir expectativas mais otimistas para 2026. Mas há dúvidas sobre a sustentabilidade desse movimento e sobre o quanto ele depende do cenário externo. Nesses primeiros dias de outubro, por exemplo, o Ibovespa devolveu seus ganhos e voltou para 141 mil pontos.  

Para Ricardo Campos, gestor e fundador da Reach Capital, o desempenho recente da bolsa é resultado de uma combinação rara de fatores, mas que tem limite. Em participação no Touros e Ursos desta semana, ele afirmou que, nos próximos meses, a tendência é de baixa diante da precificação dos riscos políticos.  

  • LEIA TAMBÉM: Onde investir em outubro? O Seu Dinheiro reuniu os melhores ativos para ter na carteira neste mês; confira agora gratuitamente

“Até o fim do ano ainda vai ficar essa indefinição [de candidato] da ‘direita’ e pode ser que a Bolsa piore. Os mercados tendem mais a piorar do que melhorar para incorporar tudo isso [indefinição da oposição] nos preços”, disse.  

Bolsa e o cenário global 

Campos acredita que o cenário internacional vive um momento de reacomodação. Nos Estados Unidos, a economia continua sólida, mas dá sinais de desaceleração.   

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A Europa segue em um caminho ainda mais difícil. Segundo o gestor, a Alemanha está gastando em armas, e a França está com uma crise que fez suas taxas ficarem piores do que as da Itália e da Grécia, ambos países historicamente endividados.  

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Já a China tem “o maior problema de todos”, que é o decréscimo mais acelerado do mundo em termos populacionais. 

“A China daqui a cem anos vai ter metade da população. Hoje tem 1,3 bilhão de pessoas, e vai ter 600 milhões. Vai ser do tamanho da Europa”, disse.  Um cenário que agrava a situação de desaceleração da economia local.  

Na visão do gestor, essa combinação de fatores abre espaço para países emergentes com fundamentos sólidos. Isso porque, diante dessa situação, a maior parte dos bancos centrais mundo afora está cortando juros.  

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“Pelo que eu consegui levantar, 34 bancos centrais do mundo estão baixando juros ao mesmo tempo. E, quando acontece isso, os mercados reagem muito bem. E aí, no bolo geral, o Brasil levaria um pedaço disso.” 

Desafios a se vencer  

Mesmo diante da possibilidade de entrada do fluxo estrangeiro, Campos vê dificuldades de sustentação da alta da Bolsa brasileira. O motivo: a volatilidade com as eleições de 2026.  

O gestor acredita que o mercado não começou a precificar as incertezas eleitorais. De um cenário possivelmente encaminhado, em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), despontava como oposição ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a situação ficou menos previsível após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).  

“Lula está jogando sem adversário, enquanto a direita fica se engalfinhando. O Lula está ali, sozinho, e conseguiu uma vitória acachapante com a aprovação da isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil”, disse o gestor.  

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Para ele, o mercado “não se atentou” a essa mudança política e isso ainda deve ser precificado.  

Além disso, existe a questão do custo de oportunidade de investir em ações e não em renda fixa, com os juros em 15% ao ano. "Todo mês que você está na Bolsa e não está no CDI você está deixando de ganhar 1% certo. Tem um custo isso aí". 

Touros e Ursos da semana 

No quadro Touros e Ursos, que dá nome ao podcast — em que os “touros” são os destaques positivos e os “ursos” são os negativos —, a Oi (OIBR3) foi destaque entre os ursos, após a Justiça do Rio de Janeiro afastar a diretoria e o conselho de administração. A empresa corre o risco de liquidação após duas tentativas de recuperação judicial.  

Além disso, Sébastien Lecornu também entrou como urso, após renunciar ao cargo de primeiro-ministro da França em menos de um mês. A situação aumenta a crise política e a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, e os impactos são sentidos nos títulos do governo francês.  

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Por outro lado, entre os touros, Campos destacou as criptomoedas. O avanço da regulamentação das stablecoins nos EUA é visto com um passo importante para a consolidação dos ativos e o aumento de posições como diversificação.  

Até mesmo a Taylor Swift ganhou seu touro com o novo disco, The Life of a Show Girl, batendo recordes de streaming e vendas dias após o lançamento.  

Confira todos os touros e todos os ursos no episódio completo:   

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