Recorde do Ibovespa não é cenário de festa: bolsa a 150 mil ainda estará barata, diz especialista de renda variável do Inter
Mesmo com a alta recente, Matheus Amaral revelou que ainda vê o mercado brasileiro subvalorizado. Quais os potenciais gatilhos para a bolsa?

A euforia que tomou conta dos investidores nesta semana, com o Ibovespa batendo novos recordes, não é motivo de festa, afirmou Matheus Amaral, especialista de renda variável do Banco Inter. “A bolsa a 150 mil pontos vai parecer estar no topo, mas na verdade ainda estará barata.”
Na visão do analista de investimentos, o movimento positivo na bolsa acompanhou as expectativas de queda dos juros nos Estados Unidos, que trouxeram um fluxo considerável de investidores estrangeiros para o mercado local. No entanto, ele não vê motivo para grandes comemorações.
“O cenário não é de festa. Não vemos um IPO no mercado, mesmo com a bolsa batendo máxima histórica”, disse Amaral, em entrevista coletiva com jornalistas na sede do banco, em Belo Horizonte (MG).
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Para ele, esse vazio de aberturas de capital na B3 é um reflexo direto do cenário doméstico ainda cheio de incertezas. “Temos muitos riscos e ruídos que estão afetando o investidor local.”
“Ainda esperamos um cenário de negócios melhorando para que se possa ter um ambiente mais benigno para a bolsa brasileira, com IPOs e follow-ons. O que temos hoje ainda é especulativo e muito voltado para os juros nos EUA”, afirmou.
Segundo Amaral, por mais que o movimento da bolsa brasileira esteja sendo guiado pela onda do mercado global, o microambiente local precisa de mais clareza para que o otimismo se sustente.
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Bolsa brasileira vive um novo rali, mas há espaço para mais
Na visão do analista do Inter, embora as ações brasileiras estejam no meio de um rali, ainda há espaço para mais.
A visão otimista para as ações se apoia no fato de que, apesar de a bolsa estar nas máximas históricas em termos nominais, muitas empresas de qualidade continuam sendo negociadas abaixo da média histórica, próximas às mínimas, quando o assunto é valuation.
“Vemos muita empresa boa, de qualidade, negociada a valuations abaixo da média histórica. A própria bolsa hoje negocia a 8 vezes o lucro, sendo que a média dos emergentes é de 10 vezes. Somos a bolsa mais barata entre os emergentes”, afirmou.
“A lucratividade das companhias está elevada, em níveis acima do que vimos em outras crises. Então, tem oportunidade. Não é clima de festa, porque não vemos follow-ons e IPOs e a indústria de fundos de ações está com resgate líquido, então não é um ambiente que possamos comemorar ainda. Mas essa máxima histórica é um bom sinal, pois vemos que tem potencial”, acrescentou.
Os gatilhos para a bolsa
O que pode impulsionar ainda mais o mercado? Para o analista, existem três catalisadores que podem acelerar o rali da bolsa brasileira. O primeiro está relacionado às expectativas sobre os juros nos Estados Unidos. “A nossa bolsa está muito atrelada aos movimentos de lá. Quando os juros caem por lá, nossa bolsa responde positivamente.”
O segundo gatilho apontado por Amaral é a curva de juros do Brasil. “À medida que as expectativas de queda da Selic se concretizem, isso vai ajudar muito o mercado local”, disse ele.
O Banco Inter projeta que o início dos cortes na taxa básica de juros comece já em dezembro deste ano, o que poderia dar o impulso adicional que o mercado brasileiro precisa.
Por último, o especialista vê uma oportunidade no cenário político das eleições de 2026. Embora ainda seja cedo para precificar os efeitos, o analista acredita que esse movimento deve começar a ganhar forma em meados do ano que vem, quando a disputa pela presidência estiver mais clara.
*O Seu Dinheiro viajou a convite do Inter.
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