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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

JOGADA TÁTICA

Não é hora de comprar Minerva (BEEF3): BTG corta preço-alvo das ações, mas revela uma oportunidade ainda mais suculenta

Os analistas mantiveram recomendação neutra para as ações BEEF3, mas apontaram uma oportunidade intrigante que pode mexer com o jogo da Minerva

Camille Lima
Camille Lima
24 de junho de 2025
17:25
Minerva Foods (BEEF3)
Minerva Foods (BEEF3) - Imagem: Divulgação

Se as ações fossem itens em um churrasco na bolsa brasileira, a carne da Minerva (BEEF3) estaria quase no ponto de queimar, na visão do BTG Pactual. O banco ajustou suas estimativas para os papéis do frigorífico, deixando claro que, por enquanto, prefere não se arriscar na grelha. 

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O BTG manteve recomendação neutra para as ações BEEF3 e cortou o preço-alvo, de R$ 10 para R$ 8. Apesar da redução, o preço ainda sugere um potencial de alta de 66% para os próximos 12 meses.

Segundo os analistas, a perspectiva de curto prazo para a Minerva parece construtiva, já que o impulso das exportações e a monetização dos estoques devem sustentar bons resultados daqui para frente. 

Além disso, com os investidores em busca de histórias de crescimento dos lucros, vira e mexe surge espaço para uma chamada tática. 

Então, por que não comprar as ações BEEF3 agora? 

Para o BTG, a resposta está em dois pontos. O primeiro deles tem a ver com os resultados: a alavancagem continua alta, o risco de fluxo de caixa livre ainda persiste e o ciclo de gado no Brasil está começando a mudar. 

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O segundo motivo é que o preço importa. As ações BEEF3 estão sendo negociadas a 5,1 vezes o valor da firma (EV) sobre o EBITDA, muito próximo da média histórica de 10 anos, que é de 5,3 vezes. 

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Isso significa que a margem de segurança para o investidor ficou apertada, como uma carne à beira de passar do ponto.

“Em um ambiente de taxas de juros altas, é difícil justificar manter uma ação de baixo rendimento e alto endividamento na carteira em um horizonte de 12 meses”, escreveu o BTG.

Oportunidade de arbitragem entre as ações e os warrants da Minerva

Embora as ações BEEF3 por si só não estejam despertando tanto apetite no BTG Pactual, os analistas apontam para uma oportunidade mais suculenta envolvendo a Minerva: o aumento de capital do frigorífico trouxe uma chance de arbitragem entre as ações e os bônus de subscrição (warrants). 

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A empresa recentemente concluiu a homologação do aumento de capital de R$ 2 bilhões, e os acionistas que aderiram à oferta receberam bônus na proporção de 1 warrant para cada 2 ações subscritas.

Esses bônus, que começaram a ser negociados na última segunda-feira (23) sob o ticker BEEF11, podem ser exercidos a R$ 5,17 nos próximos três anos. Se totalmente exercidos, podem gerar mais R$ 1 bilhão para a Minerva até 2028. 

Aqui entra o tempero especial da oportunidade de arbitragem: os warrants frequentemente são negociados abaixo de seu valor intrínseco, criando uma janela de oportunidades.

“No passado, a atividade de exercício aumentou em três janelas distintas — inicialmente quando o spread entre o preço da ação e o preço de exercício superava o valor de mercado do warrant e, mais tarde, durante períodos de forte desempenho das ações”, afirmaram os analistas.

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E os analistas acreditam que isso pode se repetir, oferecendo oportunidades táticas para quem souber aproveitar o momento.

Após decepção com balanço, o que esperar do 2T25 da Minerva (BEEF3)?

Agora, saindo um pouco das oportunidades e de volta aos fundamentos da Minerva (BEEF3), o BTG destaca que os resultados do 1T25 foram decepcionantes, com receita e Ebitda abaixo das expectativas.

Contudo, segundo analistas, a explicação para esse resultado aquém do esperado pode estar no acúmulo de estoques. O abate de gado no Brasil, por exemplo, aumentou 32% em relação ao trimestre anterior, mas os volumes de carne vendidos cresceram apenas 3%.

“Acreditamos que a Minerva aproveitou a cota de importação sem impostos dos EUA para antecipar exportações e estocar carne para vendas futuras. Esperamos que esses estoques sejam monetizados no segundo trimestre, com preços fortes, já que os preços da carne bovina nos EUA continuam a bater novos recordes”, projetaram os analistas.

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Além disso, as exportações para a China e os EUA continuam firmes, o que deve trazer um impulso adicional ao frigorífico, com o mercado demandando mais proteína.

Os analistas também preveem alguma melhora nas margens no curto prazo, impulsionada pela entrada das plantas adquiridas da Marfrig. 

O que esperar da alavancagem e do fluxo de caixa?

No curto prazo, os analistas veem espaço para uma melhora nas margens, impulsionada pela integração das plantas adquiridas da Marfrig. 

Porém, a alavancagem da Minerva segue como um ponto de atenção. Mesmo após a injeção bilionária de capital, a dívida líquida da empresa continua elevada, principalmente quando se leva em consideração as linhas de financiamento de capital de giro.

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Nos últimos trimestres, a Minerva recorreu a estratégias como adiantamentos de clientes, financiamento de fornecedores e FIDCs para melhorar seu fluxo de caixa. "Essas ferramentas foram adequadas na época, mas têm um custo", explicaram os analistas do BTG.

Em um cenário de despesas elevadas e pressão sobre o capital de giro, a Minerva pode enfrentar dificuldades em gerar fluxo de caixa livre significativo no curto prazo, nas projeções do BTG. 

O banco estima um consumo de caixa de R$ 1,9 bilhão em 2025, com uma geração modesta de apenas R$ 0,2 bilhão em 2026.

“A partir de 2027, a expectativa é que a queda nas taxas de juros comece a aliviar parte dessa pressão, permitindo uma geração de caixa mais robusta”, disse o BTG.

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