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Parte relevante da valorização em dólares da bolsa brasileira no primeiro semestre está associada à desvalorização global da moeda norte-americana
O desempenho do Ibovespa no primeiro semestre surpreendeu ao registrar um retorno de 15,44% entre janeiro e junho — e surpreende ainda mais quando se olha para o retorno da bolsa brasileira em dólares: uma alta de 34,45%.
Essa disparada já faz de 2025 o melhor ano para investidores internacionais desde 2016, quando o índice saltou 66,46% impulsionado pela valorização das commodities e pela transição política decorrente do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Os dados são da consultoria Elos Ayta e explicam como o Ibovespa voltou ao radar de investidores globais.
Em dólar, o Ibovespa encerrou o dia 4 de julho aos 26.166,39 pontos — um patamar que não era registrado desde 28 de fevereiro de 2024.
A marca é significativa, principalmente acompanhada da rentabilidade próxima de 35%. Entretanto, a pontuação da bolsa brasileira ainda está 41,5% abaixo da máxima histórica de 44.616,04 pontos, atingida em 19 de maio de 2008.
Isso significa que o Ibovespa ainda tem um espaço considerável para recuperar antes de bater o teto histórico.
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Um dos grandes motores da bolsa brasileira é o capital estrangeiro.
Não por acaso o Ibovespa teve um desempenho impressionante no primeiro semestre: de janeiro a junho, o fluxo líquido de recursos estrangeiros na B3 chegou a R$ 26,5 bilhões — o maior saldo desde o primeiro semestre de 2022.
E o investidor global olha para o Ibovespa em dólares, não em reais.
O motivo é muito simples. Em dólares, o estrangeiro consegue comparar o desempenho da bolsa brasileira com bolsas estrangeiras como o S&P 500, Euro Stoxx ou outros mercados emergentes.
Além disso, é possível avaliar o retorno real com a aplicação e medir o impacto do câmbio sobre os investimentos — já que muitas vezes uma alta no índice de ações em reais pode se converter em perda líquida quando o dólar se valoriza.
O que não foi o caso neste ano.
Parte relevante da valorização em dólares do Ibovespa no primeiro semestre está associada à desvalorização global da moeda norte-americana.
No acumulado do ano até o início de junho, o dólar recuou 12,65%, movimento que potencializou os ganhos do Ibovespa na moeda estrangeira.
Em 2020, por exemplo, o movimento foi contrário. O Ibovespa recuou -20,18% em dólares, mesmo que tenha fechado praticamente estável em reais, segundo a Elos Ayta.
Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, avalia que em um ciclo que tem sido marcado pela aversão ao risco nos mercados emergentes, a força demonstrada pelo Ibovespa ganha relevância estatística neste ano.
A valorização de 34,5% em apenas seis meses, superando o ganho de 31,8% registrado em todo o ano de 2023, não é um movimento comum. Rivero afirma que sinaliza uma reprecificação otimista do mercado com os ativos brasileiros.
Mas há de se ponderar o fator volatilidade e especulativo que a bolsa brasileira tem para os estrangeiros.
Quando os fundamentos se alinham, o retorno pode ser extraordinário, mas quando desalinha, a penalização é rápida e severa — como em 2015, 2020 e 2024.
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