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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Commodities e chance de juro menor dão suporte, mas julgamento de Bolsonaro limita ganhos e Ibovespa cai

O principal índice da bolsa brasileira chegou a renovar máximas intradia, mas perdeu força no início da tarde; dólar à vista subiu e ouro renovou recorde na esteira do ataque de Israel ao Catar

Carolina Gama
9 de setembro de 2025
13:06 - atualizado às 13:51
Touro e urso nos mercados financeiros ações bolsa
Touro e urso nos mercados financeiros - Imagem: DALL-E/ChatGPT

O Ibovespa estava renovando uma sequência de máximas intradia, embalado pelo avanço das commodities e pela perspectiva de corte de juros nos EUA. Na badalada do meio-dia, o principal índice da bolsa brasileira começou a perder força e ir às mínimas da sessão, fechando em queda nesta terça-feira (9).

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Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado hoje teve dois gatilhos — um no Brasil e outro nos EUA. “O Ibovespa sobe com as commodities e também com a perspectiva de corte de juros, mas o julgamento limita esses ganhos”, diz. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou na manhã de hoje o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por tentativa de golpe de Estado. Os investidores monitoraram o caso com atenção, já que haveria o voto de Alexandre de Moraes. Mais cedo, o ministro-relator classificou o envolvimento de Bolsonaro no caso como uma "estratégia golpista".

Moraes segue na mira do presidente norte-americano, Donald Trump, e, como o desfecho do processo ocorrerá na sexta-feira, há temores de que, até lá, os EUA adotem novas sanções contra o Brasil.

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O Ibovespa inverteu o sinal no meio da tarde e terminou o dia em baixa de 0,12%, aos 141.618,29 pontos. Na máxima do dia, o principal índice da bolsa brasileira chegou aos 142.285,53 pontos. Na mínima, foi a 141.605,45 pontos. No mercado de câmbio, o dólar à vista avançou 0,35%, cotado a R$ 5,4363. 

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Juros menores nos EUA seguem no radar

A revisão de hoje do payroll, o principal relatório de emprego dos EUA, manteve a porta aberta para o primeiro corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na semana que vem. 

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O total de empregos criados nos EUA no ano até março de 2025 foi revisado para baixo em 911 mil, segundo o Departamento do Trabalho do país. O número veio abaixo da previsão de analistas do Commerzbank e do ING, de corte de 700 mil vagas.

Na semana passada, o relatório de agosto do mercado de trabalho norte-americano trouxe números mais fracos do que o esperado pelo mercado. Os resultados elevaram as apostas de cortes de juros nos EUA até o final de 2025, mas também gerou preocupações sobre a desaceleração da maior economia do mundo. 

Em Wall Street, o Dow Jones fechou em alta de 0,43%, enquanto S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,27% e 0,37%, respectivamente. As ações dos maiores bancos norte-americanos chamam atenção. Bank of America subiu1,68%, Wells Fargo ganhou 2,05%, Morgan Stanley avançou 2,31% e Goldman Sachs teve alta de 2,97%.

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Segundo o Bank of America, o cenário de corte de juros nos EUA pode ter implicações positivas para os mercados de financiamento imobiliários e de hipotecas, o que tende a favorecer bancos. 

O JULGAMENTO DE BOLSONARO e o xadrez eleitoral com LULA e TARCÍSIO; QUAL É O FUTURO DO BRASIL?

As maiores altas e baixas do Ibovespa

Além do julgamento de Bolsonaro e do corte de juros, as commodities também desempenharam um papel de destaque no mercado brasileiro hoje. As altas do minério de ferro e do petróleo impulsionaram as empresas metálicas e as petroleiras, que lideraram os ganhos do Ibovespa. 

As ações das petroleiras avançaram em bloco, acompanhando a cotação do petróleo, que registrou alta de 0,56% o barril do Brent e de 0,59% no WTI. Petrobras ON (PETR3) subiu 1,14% e PN (PETR4), 0,81%; Prio (PRIO3) ganhou 1,4%, Petroreconcavo (RECV3) valorizou 3,20% e Brava (BRAV3) avançou 0,77%.

A Petroreconcavo foi a maior alta do setor. Segundo o Banco BTG Pactual, a empresa mantém disciplina, com forte proteção contra riscos. Além disso, baixa alavancagem, financiamento barato e geração consistente de caixa sustentam uma alocação de capital flexível, com dividendos como cenário-base e fusões e aquisições (M&A) seletivas como potencial de valorização.

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Vale lembrar que o ataque de Israel contra Doha, capital do Catar, ajudou na alta dos preços do petróleo, que chegaram a avançar mais de 2%. Além disso, o aumento das tensões geopolíticas impulsionou o ouro a novo recorde, acima de US$ 3.700 a onça-troy.

As ações da Marfrig subiram 4,62%, e as da BRF, 4,12%. As empresas marcaram para 22 de setembro o fechamento da fusão, após a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Na ponta negativa do Ibovespa, a Braskem liderou as perdas, com os papéis BRKM5 caindo 4,37%. A subsidiária Braskem Idesa anunciou a contratação de assessores para revisar sua estrutura de capital e condições de liquidez. Além disso, o jornal Valor Econômico noticiou que a Braskem pode ser diluída no capital da Braskem Idesa com o avanço do bilionário Carlos Slim na estrutura societária.

A Raízen (RAIZ4) também foi um destaque negativo, com queda de 3,70% e foi acompanhada pela Cosan (CSAN3), que recuou 3,61%. Segundo operadores, os dois papéis subiram muito nos últimos dias e agora passam por uma realização de lucros.

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Os papéis da Direcional caíram 3,41%, e os da Cury, 3,53% na esteira do rebaixamento do JP Morgan, de compra para neutro. O banco avalia que as recentes altas reduziram o potencial de valorização dessas ações. 

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