Ibovespa renova máximas e dólar cai a R$ 5,4139 com perspectiva de juro menor nos EUA abrindo as portas para corte na Selic
O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou, nesta sexta-feira (5), o principal relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, que veio bem abaixo do esperado pelo mercado e dá a base que o Fed precisava para cortar a taxa, segundo analistas

O Ibovespa pode sextar tranquilo hoje (5). Impulsionado pela divulgação do principal relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll — que veio bem abaixo do esperado pelo mercado —, o índice encerrou as negociações com um novo recorde nominal ao subir 1,17%, aos 142.640 pontos. A maior marca até então, de 141.422 pontos, foi registrado em 29 de agosto de 2025.
Já o dólar à vista (USDBRL) recuou 0,61% em relação ao real, aos R$ 5,4139. Um dado fraco geralmente assusta os investidores, mas, neste caso, pode ter escancarado as portas para o esperado corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda neste mês.
Lá fora, as bolsas de Nova York terminaram o dia no vermelho com o temor de esfriamento da economia norte-americana tomando o lugar do otimismo com o corte de juros. O Nasdaq recuou 0,03%, enquanto S&P 500 e Dow Jones tinham perdas de 0,32% e 0,48%, respectivamente.
De acordo com o dado divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, o país criou 22 mil vagas em agosto — bem abaixo das projeções, que esperavam 76 mil novos postos de trabalho no período, conforme estimativas compiladas pelo Broadcast.
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Payroll de agosto anima o Ibovespa
O Fed tem reunião marcada para os dias 16 e 17 deste mês e o dado de emprego de agosto era crucial para dar pistas do que o banco central norte-americano pode fazer neste encontro.
Por isso, logo após o payroll, os investidores correram para ajustar posições sobre o corte de juros. A ferramenta de monitoramento do CME Group mostrava 100% de probabilidade de uma redução da taxa — atualmente entre 4,25% e 4,50% ao ano — na reunião deste mês.
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A aposta majoritária ainda continua sendo de um corte de 25 pontos-base (pb), mas a diminuição de 50 pb ganhou força e saiu de zero para 12%. As chances de um movimento mais agressivo do Fed daqui até o final do ano também aumentaram. A expectativa do mercado passou a ser de três cortes de 25 pb até dezembro.
De acordo com o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o início do ciclo de cortes nos EUA amplia o diferencial de taxas em relação ao Brasil. Esse movimento tende a sustentar o fortalecimento do real frente ao dólar, o que favorece a dinâmica inflacionária e abre espaço para cortes na Selic já em dezembro.
Andressa Durão, economista do ASA, diz que o payroll de agosto dá ao Fed a segurança necessária para iniciar o ciclo de corte de juros nos Estados Unidos neste mês. A casa espera uma redução de 25 pb agora.
Já o Inter enxerga um corte maior em setembro, de 50 pb. “O dado de hoje garante o corte na taxa de juros na reunião de setembro. Tendo em vista os dados bem fracos de emprego nos últimos meses, é provável que se veja uma discussão de corte de 50 bp. Se optarem por 25 pb, é possível que o comitê se comprometa com uma sequência de cortes”, afirma André Valério, economista sênior do banco.
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