E agora, Petrobras (PETR4)? Preço da gasolina está mais de 15% defasado e pressão por reajuste vem aí
Apesar da defasagem elevada do preço da gasolina, analistas preveem que os embates políticos recentes devem ajudar a segurar uma eventual alta do combustível nas refinarias

A crise no comando, com a possível saída de Jean Paul Prates da presidência, não é a única dor de cabeça que a Petrobras (PETR4) terá que enfrentar. Na realidade, a defasagem do preço da gasolina vendida no Brasil em relação ao mercado internacional se somou à lista de preocupações da estatal.
Isso porque, apesar de a diferença de preços ter registrado uma queda tímida nos últimos dias, a defasagem permanece elevada.
De acordo com dados da a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a diferença de preços está a uma média de 16% nos principais polos de importação do país, levemente abaixo dos 19% do dia anterior.
A Petrobras está há 172 dias sem reajustar a gasolina e, de acordo com a Abicom, por 64 dias a janela de importação esteve totalmente fechada. No caso do diesel, apesar de uma defasagem menor — de 11% na média —, são 105 dias sem aumento e sem importações.
O movimento acompanha a alta do petróleo do tipo Brent (considerado referência no mercado internacional), que, entre leves altas e baixas, tem sido negociado em torno de US$ 90 o barril.
Além do aumento das cotações do petróleo no exterior, os preços dos combustíveis também vêm sendo afetados pela desvalorização do real em relação ao dólar.
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Vale destacar que a Acelen — divisão no Brasil do fundo árabe Mubadala que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia — tem realizado reajustes semanais e registra a metade da defasagem da Petrobras: de 8% tanto para gasolina como para o diesel, segundo a Abicom.
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O que está em risco para a Petrobras (PETR4)
A Petrobras (PETR4) adotou em maio do ano passado uma nova estratégia para os reajustes dos combustíveis, abandonando a política de paridade de importação (PPI) implantada na gestão de Pedro Parente à frente da estatal, em 2016.
A estratégia comercial que substituiu a antiga política de preços da petroleira incorporou parâmetros que “refletem as melhores condições de refino e logística da Petrobras na sua precificação”, segundo a estatal.
De acordo com a companhia, potenciais reajustes obedecem a critérios técnicos e são de responsabilidade da diretoria — e eventualmente o conselho de administração pode solicitar explicações sobre a evolução dos preços, o que deve ocorrer na próxima reunião.
Segundo com informações do Broadcast, todo mês é realizada uma apresentação sobre a situação dos preços dos combustíveis aos conselheiros.
De acordo com a agência, a próxima reunião do conselho da Petrobras será no dia da Assembleia Geral Ordinária da companhia, em 25 de abril, mas nada impede que o colegiado solicite uma apresentação extraordinária sobre os preços.
‘Efeito Prates’ sobre a gasolina?
Segundo analistas, os embates políticos na Petrobras (PETR4) nos últimos dias, que indicavam uma possível demissão do presidente Jean Paul Prates, devem ajudar a segurar uma eventual alta da gasolina nas refinarias da estatal.
Isso porque um aumento no preço dos combustíveis neste momento abriria margem para mais ataques contra Prates.
"O que nos preocupa, no momento, é que, o maior embate entre a companhia e o governo pode tirar poder de manobra para a companhia seguir executando a sua atual política de preços como fez ao longo de 2023", avaliou Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.
"Vemos, por exemplo, a defasagem na gasolina ultrapassando com facilidade os dois dígitos porcentuais frente aos preços no Golfo e acreditamos que embates políticos como estes podem diminuir o capital político necessário para a empresa seguir conduzindo a sua política de preços como vêm fazendo desde a sua criação no ano passado", complementou.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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