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MERCADO DE TRABALHO

Demissões a pedido: por que os jovens estão liderando os pedidos de demissão voluntária?

Estudo da FGV mostra que o número de demissões voluntárias registrado em setembro de 2024 foi o maior em comparação com o mesmo mês desde 2020 — e por jovens entre 18 e 24 anos correspondem a boa parte desses pedidos

Carteira de trabalho e bandeira do Brasil
A taxa de desemprego deve desagradar o investidor local, enquanto o exterior navega nas máximas históricas - Imagem: Shutterstock

O ano de 2024 ainda nem terminou e já bateu um recorde aparentemente inusitado: o de pedidos voluntários de demissão — e o que chama atenção é o número de jovens que pedem para deixar o emprego. 

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No acumulado de janeiro a setembro, foram registrados 6,5 milhões de desligamentos a pedido, um crescimento 16,1% em relação ao mesmo período de 2023 e de 22,8% em relação a 2022, de acordo com estudo da FGV. 

O levantamento mostra que o número de demissões voluntárias registrado em setembro de 2024 foi o maior em comparação com o mesmo mês desde 2020.

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Jovens lideram demissões voluntárias

O estudo revela ainda que 29,2% do total de pedidos de demissão entre janeiro e setembro de 2024 foi feito por jovens entre 18 e 24 anos, seguido por pessoas entre 30 e 39 anos (26,7%) e 40 mais (23,2%).

Considerando apenas o mês de setembro de 2024, foram registrados 218.861 pedidos de desligamento de jovens nessa faixa etária, número foi 20,7% maior do que o registrado em setembro de 2023.

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De acordo com Janaína Feijó, pesquisadora responsável pelo estudo, os jovens são historicamente o grupo mais representativo no mercado de trabalho e, consequentemente, o que tem a maior probabilidade de se demitir. No entanto, chama a atenção essa aceleração da taxa de pedido de demissão.

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Para a pesquisadora, há dois fatores principais relacionados a esse fenômeno: economia mais aquecida e certas características específicas dessa geração de jovens que está entrando no mercado de trabalho.

“A atual conjuntura do mercado de trabalho, com taxa de desemprego em menor nível na série histórica dos últimos 12 anos e economia mais aquecida, cria mais oportunidades de emprego, aumentando a migração, seja por salário ou por flexibilidade, por exemplo”, explica. 

Além do fator econômico, Feijó destaca o fato da geração mais jovem valorizar outros fatores relacionados ao trabalho para além do salário, como cultura organizacional, missão, valores e, em especial, flexibilidade.

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“Grandes empresas já estão no presencial novamente, gerando um impacto na questão da flexibilidade.”

EUA x BRA: movimento inverso?

Nos EUA, no entanto, o movimento de desligamento de jovens é inverso. 

Pesquisa realizada recentemente pela consultoria Intelligent com quase 1000 líderes empresariais norte-americanos revelou que 60% das empresas demitiram pessoas da geração Z – que inclui os jovens entre 18 e 24 anos – contratadas há menos de um ano. 

Os principais fatores apontados estão ligados a questões comportamentais e comunicacionais, revelando um outro aspecto do impacto da característica geracional na dinâmica das demissões.

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“Sabemos que uma pessoa tende a ser contratada pelas habilidades técnicas e demitida pelas socioemocionais. A geração Z vem menos preparada para lidar com o estresse, tem menos resiliência. Além disso, o conhecimento técnico ainda está se formando.”, explica Janaína.

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