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A fabricante de carros elétricos bateu recorde de entregas no ano: 1,31 milhão. O número foi alcançado graças ao início da produção nas novas fábricas em Austin, no Texas, e em Brandemburgo, na Alemanha
Quando Elon Musk anunciou uma redução nos preços dos carros da Tesla (TSLA34) em dezembro do ano passado, causou surpresa — ele sempre foi contra a prática de descontos para impulsionar as vendas. Mas nada como uma crise para ver até um bilionário mudar de ideia.
A estratégia parece que deu algum resultados A Tesla anunciou nesta quarta-feira (25) lucro líquido de US$ 3,687 bilhões no quarto trimestre de 2022, o que representa uma alta de 59% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O lucro ajustado por ação saltou de US$ 0,85 para US$ 1,19 na mesma base de comparação. Já a receita somou US$ 24,318 bilhões, um crescimento de 37%.
Analistas tinham as seguintes projeções para os resultados da Tesla no quarto trimestre, de acordo com a Refinitiv:
No ano, a Tesla teve lucro de US$ 12,556 bilhões, resultado 2,3 vezes maior do que o obtido em 2021, enquanto a receita somou US$ 81,462 bilhões em 2022 como um todo, um avanço de 51% ante 2021.
Mesmo tendo superado as previsões, os investidores penalizaram inicialmente as ações da Tesla. Os papéis da fabricante de carros elétricos chegaram a cair 0,44% no after market em Nova York, mas logo se recuperaram e passaram a operar em alta de 6,64% no pré mercado desta quinta-feira (26). Nos últimos seis meses, o preço dos papéis recuou mais de 40%.
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A Tesla registrou receita automotiva de US$ 21,3 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado, representando um crescimento de 33% ano a ano — US$ 467 milhões disso vieram de créditos regulatórios no quarto trimestre de 2022, quase metade do ano anterior no mesmo período.
As margens brutas automotivas chegaram a 25,9%, o menor valor dos últimos cinco trimestres.
Em um nota aos acionistas, a Tesla reconheceu que os preços médios de venda “estão em uma trajetória descendente há muitos anos” e disse que uma mudança seria necessária para que a Tesla se transformasse em uma empresa que vende vários milhões de carros anualmente.
No início deste mês, a Tesla divulgou números de entrega e produção de veículos para o quarto trimestre de 2022 que estabeleceram um novo recorde, mas ficaram aquém das metas da empresa e das expectativas dos analistas — apesar de ter reduzido os preços de seus carros em dezembro para estimular as entregas antes do final do ano.
A Tesla reportou 405.278 entregas e produção de 439.701 veículos no período encerrado em 31 de dezembro de 2022. As entregas no ano totalizaram cerca de 1,31 milhão, um recorde para a Tesla, depois que a empresa iniciou a produção nas novas fábricas em Austin, no Texas, e em Brandenburg, na Alemanha.
A empresa de Musk entrou em 2023 mantendo os descontos em todo o mundo — incomodando os clientes nos EUA e na China, que recentemente compraram novos Tesla a valores mais altos, e provocando um declínio instantâneo nos preços dos modelos usados.
Atualmente, Musk está dividindo seu tempo, atenção e recursos entre a Tesla, a SpaceX e o Twitter, a empresa de mídia social que adquiriu recentemente.
No ano passado, o bilionário vendeu bilhões de dólares em participações na Tesla, incluindo US$ 3,6 bilhões no quarto trimestre, em parte para financiar o acordo com o Twitter, fechado no final de outubro de 2022.
Desde que assumiu o Twitter, ele fez mudanças radicais nos negócios e no serviço, inclusive permitindo que pessoas que haviam sido permanentemente suspensas da plataforma voltassem a ficar online.
Os movimentos de Musk no Twitter e suas declarações políticas na plataforma se correlacionaram com um declínio acentuado na reputação do bilionário e da própria Tesla, de acordo com pesquisa do YouGov.
No ano passado, Musk chegou a dizer que as fábricas da Tesla eram semelhantes a “fornalhas que queimam dinheiro”.
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