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Sabesp fará uma oferta de ações na B3 para reduzir a participação do governo e privatizar a estatal paulista de saneamento
A equipe do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está preocupada em não repetir no processo de privatização da Sabesp (SBSP3) o problema político que se tornou a operação da Eletrobras (ELET3) realizada no ano passado pelo governo federal.
Tarcísio anunciou ontem que a estatal paulista de saneamento fará uma oferta de ações na B3 para reduzir a participação do governo do Estado.
O governador considera que esse é o modelo mais adaptável para a Sabesp por ser mais flexível. "O objetivo é oferecer uma maior concentração de capital para atrair investidores de referência", complementou.
A expectativa é que esse modelo garanta investimento para todos os municípios do Estado, mesmo os que não apresentam vantagem econômica. A redução da tarifa é outro benefício citado pelo governador.
O Governo de São Paulo seguirá acionista da Sabesp mesmo após a privatização da companhia, segundo o governador. No entanto, a definição da participação, que hoje é de 50,3%, ainda será decidida.
"O Estado não vai sair completamente da empresa, apenas do controle. Seguirá com participação minoritária, acompanhando o seu crescimento" da empresa"", afirmou Tarcísio.
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A operação, portanto, terá um formato semelhante ao que permitiu o governo federal passar o controle da Eletrobras para a iniciativa privada.
Mas o secretário de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Benini, afirmou que o governo paulista quer evitar o chamado "risco Eletrobras" na privatização da Sabesp.
"A gente quer que o Estado tenha uma participação (na Sabesp, após a privatização) parecida com a trava (de participação dos acionistas), para não acontecer a mesma coisa que aconteceu com a Eletrobras, o risco Eletrobras", afirmou Benini ao Broadcast Político.
O secretário fez referência à ação em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva questionou, no Supremo Tribunal Federal (STF), as regras para privatização da Eletrobras. O petista quer maior poder decisório na empresa.
Segundo Benini, o episódio gerou temor no mercado financeiro, e o governo paulista quer definir um modelo de privatização que dê maior segurança jurídica aos futuros acionistas.
"O que a gente ouviu muito do mercado é que isso se tornou um risco. A gente quer evitar. Dependendo da participação que o Estado for ficar, mais ou menos por ali que a gente vai colocar a trava", explicou o titular da SPI.
No caso da Eletrobras, uma das regras do processo de privatização foi a de que o poder de voto de qualquer acionista estaria limitado a 10%, mesmo que a posição acionária seja maior do que essa. É exatamente o que acontece com a União, que conta hoje com pouco mais de 40% do capital da companhia.
O governo paulista pretende adotar um mecanismo semelhante na Sabesp. A ideia de colocar uma trava de participação para os acionistas é uma forma de pulverizar a governança na empresa e evitar que ela tenha um único controlador.
"Não quero vender a Sabesp para alguém, não quero que ela tenha outro controlador, ela tem que travar a participação de todo mundo", disse Benini
O secretário afirmou que ainda não se sabe qual será a trava, mas o desejo do governo é de que ela seja maior que a da Eletrobras, que ficou em 10%, e menor que 30%.
"Não vou mais de 30% porque, a partir de 30%, ele vira um acionista. Não quero um controlador. Quero pulverizar, mas não quero pulverizar tanto, mas ainda quero ter acionistas que consigam influir na administração da empresa."
Com os recursos que vão para o caixa da Sabesp com a oferta de ações, o governo de São Paulo prevê um aumento dos investimentos da companhia.
Nesse cenário, a expectativa é antecipar em quatro anos a universalização do acesso a esgoto e saneamento. Assim, a meta será atingida em 2029 e não mais em 2033.
O investimento necessário para a universalização dos serviços de saneamento básico, cobertura de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgotos é de R$ 56 bilhões, de acordo com a Sabesp.
"A privatização precisa ser vantajosa no que diz respeito à realização de investimentos, antecipação de metas de universalização e redução de tarifas", disse Tarcísio.
O governador destacou ainda que, atualmente, cerca de 80% do valor presente da empresa está concentrado em 11 municípios do Estado. "Com esse investimento, vamos conseguir atender todos os municípios, independente da base de clientes e rentabilidade", afirmou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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