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Companhia entrega balanço robusto em meio a cenário global mais apertado para o aço; veja os principais destaques do resultado e o que dizem os analistas

A Gerdau (GGBR4) começou 2026 entregando lucro forte, mas com um alerta no radar: a guerra no Oriente Médio já começa a pressionar os negócios.
A maior produtora de aço do Brasil encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão, alta de 33,6% na comparação anual e de 51,2% frente ao trimestre anterior.
O Ebitda ajustado (que mede a capacidade de geração de caixa operacional do negócio) avançou 23,2% em um ano, para R$ 2,95 bilhões, com recuperação em todas as operações, enquanto a margem Ebitda ajustada subiu 3,9 pontos percentuais, a 17,7%.
Outro ponto de destaque foi a geração de caixa. Embora o primeiro trimestre costume ser mais fraco para o fluxo de caixa livre (FCF), refletindo uma sazonalidade de volumes mais suave e maior consumo de capital de giro, a Gerdau entregou um indicador positivo em R$ 16 milhões no trimestre, revertendo a queima de R$ 1,2 bilhão um ano antes.
Já a receita líquida recuou 3,8% na comparação anual, para R$ 16,7 bilhões. Segundo a Gerdau, a queda reflete uma combinação de volumes menores e preços ainda pressionados, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
E é nesse ponto que entra o pano de fundo global. “A dinâmica de oferta permaneceu desafiadora, com elevada penetração de aço importado e novas capacidades de produção locais, o que continuou limitando a recuperação dos níveis de preço”, afirmou a Gerdau.
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Segundo a companhia, o trimestre foi marcado por um ambiente mais turbulento, com tensões geopolíticas afetando diretamente o setor.
“O primeiro trimestre transcorreu em um cenário global volátil e desafiador, marcado por tensões geopolíticas que impactaram os mercados de commodities e as cadeias globais de suprimentos”, disse a empresa.
Na prática, a guerra no Oriente Médio intensificou pressões já existentes — como inflação e gargalos logísticos — e acabou reforçando um ambiente menos favorável para preços e volumes.
Em meio a esse cenário, as vendas totais da Gerdau somaram 1,32 milhão de toneladas entre janeiro e março, queda de 9,5% em relação ao trimestre anterior e de 7,5% na comparação anual.
A companhia atribui o desempenho a uma sazonalidade mais intensa no início do ano, somada a uma demanda global ainda enfraquecida — cenário que afetou tanto o mercado interno quanto as exportações.
Entre os segmentos, os aços planos foram os mais pressionados. As vendas recuaram quase 18% na base anual e 22% na comparação trimestral, refletindo a menor demanda doméstica e, principalmente, o avanço das importações.
No Brasil, o ambiente competitivo também continuou apertado para a Gerdau.
“Além de uma sazonalidade maior do que a tipicamente apresentada no início do ano, níveis elevados de importações — especialmente de aços planos — afetaram os volumes de vendas no mercado interno e mantiveram os preços ainda sob pressão”, disse a empresa.
Segundo o Instituto Aço Brasil (IABr), o primeiro trimestre foi novamente marcado por níveis recordes de importação. Em fevereiro, a penetração de aço importado no segmento de planos chegou a 34%, o maior patamar da série histórica, encerrando o período com média de 28,5%.
Se o ambiente doméstico segue pressionado, a operação da Gerdau na América do Norte continua funcionando como um contrapeso relevante.
No primeiro trimestre, o lucro bruto na região quase dobrou em relação ao ano anterior, com alta de 93%, para R$ 1,9 bilhão. A receita líquida avançou 6,6% na mesma base, somando R$ 9,3 bilhões.
A produção de aço bruto cresceu 8,4% na comparação anual, impulsionada pela retomada dos níveis de atividade e pela resiliência da demanda por aços longos nos Estados Unidos.
As vendas também vieram mais fortes, com alta de 3,8% frente ao primeiro trimestre de 2025, beneficiadas pela recomposição de estoques e pela retomada típica após o período sazonal de fim de ano.
“O crescimento no trimestre foi impulsionado pelo aumento da carteira de pedidos nos segmentos de construção não residencial e energia renovável, além da maior demanda do canal de distribuição”, afirmou a companhia.
Na leitura do BTG Pactual, a Gerdau (GGBR4) entregou um conjunto de resultados sólido — com uma surpresa positiva vindo justamente de onde havia mais incerteza: o Brasil.
Segundo os analistas, as margens domésticas vieram “melhores do que o temido”, refletindo os avanços contínuos em eficiência, com redução de custos e ganhos de produtividade. Já as operações nos Estados Unidos mantiveram o desempenho robusto, como já era esperado.
“Embora permaneçamos cautelosos quanto ao ritmo de recuperação no Brasil, o forte desempenho dos EUA continua a justificar nossa preferência pelo nome em relação aos pares brasileiros”, acrescentaram.
Nas palavras do BTG, a Gerdau é “a história mais limpa em um setor confuso” na América Latina — vista como a siderúrgica de maior qualidade da região, com a exposição aos EUA funcionando como um diferencial competitivo relevante.
O ponto de atenção está no valuation. Para o banco, boa parte desse cenário mais favorável já parece incorporada nos preços, o que limita o potencial de valorização no curto prazo e sustenta a recomendação neutra para GGBR4.
Por sua vez, a XP Investimentos avalia que os resultados reforçaram uma tese já conhecida: a operação na América do Norte segue sustentando o desempenho consolidado da Gerdau — e deve continuar sendo o principal vetor de melhora ao longo do segundo trimestre.
“Embora o cenário no Brasil permaneça pressionado, vemos o bom desempenho de custos como um sinal positivo à frente, especialmente considerando os recentes aumentos de preços no mercado doméstico”, afirmou a corretora.
A XP manteve uma visão construtiva para GGBR4, que segue como a principal escolha dos analistas no setor de mineração e siderurgia, sustentada por uma geração resiliente de fluxo de caixa livre ao longo de 2026 e 2027.
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