O mercado ficou menos otimista com o Santander (SANB11) — mas UBS BB ainda vê motivos para comprar a história
Resultado do 1T26 frustra expectativas, enquanto banco reforça estratégia mais conservadora; o que fazer com as ações agora?

O primeiro teste dos grandes bancos em 2026 não empolgou. O Santander Brasil (SANB11) deu o tom com um resultado aquém das expectativas, em um trimestre que combinou lucro mais fraco e rentabilidade em queda.
O balanço do primeiro trimestre veio abaixo do esperado e reforçou a percepção de um início de ano mais fraco para o setor. No período, o lucro líquido recuou a R$ 3,78 bilhões, ligeiramente abaixo do consenso de mercado, que apontava para cerca de R$ 4,06 bilhões, segundo a Bloomberg.
A rentabilidade também incomodou. Para um banco que já viveu dias de glória com o ROE (retorno sobre o patrimônio) acima de 20%, o patamar de 16% soou como um balde de água fria — abaixo das projeções da maioria das casas de análise, que esperavam algo mais próximo de 17%.
Na Faria Lima, a leitura predominante foi de um trimestre “soft” — um desempenho que não compromete a história de longo prazo, mas também não entrega gatilhos de curto prazo.
- Confira aqui: Santander (SANB11) decepciona no 1T26, mas CEO banca: “pagar mais imposto é bom sinal” — e mantém ROE de 20% na mira
O mercado reagiu aos números com cautela. Nesta quarta-feira (29), as units do Santander (SANB11) operavam em queda de 2,11% por volta das 12h, a R$ 28,80. Desde o início do ano, a desvalorização beira os 12% na B3.
Os destaques do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 1T26:
| Indicador | Resultado 1T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 3,78 bilhões | R$ 4,06 bilhões | -1,9% | -7,3% |
| ROAE | 16% | 17,6% | -1,5 p.p. | -1,6 p.p |
| Margem financeira | R$ 15,8 bilhões | — | -0,7% | +3,1% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 705,5 bilhões | — | +3,4% | -0,4% |
Os “vilões” do trimestre do Santander: imposto mais alto e crédito mais seletivo
A principal fonte de pressão sobre o lucro do Santander no 1T26 veio da carga tributária. Após trimestres com alíquotas excepcionalmente baixas, a taxa efetiva de imposto saltou para cerca de 15% a 17%.
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Mas a pressão não foi apenas tributária. O Santander segue pagando, em parte, o preço da própria disciplina, segundo os analistas.
Em busca de uma franquia mais resiliente, o banco manteve uma postura conservadora na concessão de crédito — o que limita o crescimento do portfólio no curto prazo.
1T26 do Santander sob a lupa do mercado
A leitura do mercado sobre o balanço do Santander Brasil foi, em geral, de cautela. O Itaú BBA manteve recomendação neutra (market perform) para SANB11 e chamou atenção para receitas fracas e piora na qualidade dos ativos.
"O trimestre foi suave nas receitas... A deterioração de 20 bps no NPL (inadimplência) de 90 dias não foi insignificante no contexto de efeitos sazonais", escreveram os analistas.
A alta dos atrasos mais longos, tanto em Pessoa Física quanto em pequenas e médias empresas (PMEs), acendeu um sinal amarelo, segundo os analistas.
No Safra, o diagnóstico foi semelhante: resultado “ligeiramente negativo”, com qualidade de ativos pior do que o esperado.
Os analistas também demonstraram cautela com o desempenho do lucro antes de impostos (EBT), dada a deterioração contínua nas tendências de qualidade de ativos e que as provisões não acompanharam a formação de créditos problemáticos (Estágio 3).
Segundo o banco, o quadro reflete uma originação de crédito ainda fraca, que “novamente não foi inspiradora”. O Safra também manteve recomendação neutra.
SANB11 sem gatilho no curto prazo?
A Eleven Financial também seguiu o coro da neutralidade e reforçou que, apesar do valuation relativamente baixo, a rentabilidade do Santander ainda é inferior à de seus principais pares.
Para o Citi, o trimestre foi misto, reflexo de um banco mais cauteloso em um ambiente macroeconômico ainda apertado.
Do lado positivo, os analistas destacam a disciplina de preços, a resiliência das receitas com clientes, a diversificação das tarifas e o controle de custos. Do negativo, pesam a queda da rentabilidade, o aumento das provisões, a volatilidade da margem de mercado e o crescimento morno da carteira.
Na leitura do banco, o equilíbrio entre esses fatores limita o potencial de valorização no curto prazo.
“A combinação de pressão na qualidade dos ativos e menor ROE sugere um risco-retorno equilibrado nos níveis atuais”, avaliou o Citi, que manteve recomendação neutra.
O BTG Pactual também adota uma postura cautelosa, mesmo com o desconto relativo das ações. Atualmente, SANB11 negocia a cerca de 1,3 vez o valor patrimonial e já acumula desempenho cerca de 20% inferior ao dos pares no ano.
Ainda assim, o banco vê quatro pontos de atenção:
- Risco de provisões mais elevadas, especialmente no crédito corporativo;
- Margem com o mercado pressionada por juros ainda altos;
- Normalização da alíquota de imposto após níveis anormalmente baixos; e
- Peso dos ativos fiscais diferidos (DTAs) sobre o capital.
Para o BTG, esse conjunto limita o espaço para uma reprecificação mais positiva no curto prazo.
O Itaú BBA também avalia que o trimestre dificilmente será um catalisador para as ações.
Surpresa negativa, mas com visão construtiva no longo prazo
O UBS BB também classificou o trimestre como uma “surpresa negativa”, com queda de lucro e rentabilidade acima do esperado.
Na visão dos analistas, a maior parte das tendências operacionais veio fraca: contração da carteira de crédito, pressão nas margens com clientes, receitas de tarifas abaixo do esperado e capital mais apertado.
Ainda assim, o banco mantém uma visão positiva para a ação no horizonte mais longo.
“Apesar dos resultados fracos, permanecemos positivos em relação ao Santander Brasil, pois vemos melhora na rentabilidade do banco nos próximos anos”, afirmaram, mantendo recomendação de compra para SANB11.
Já a XP Investimentos também avalia que a performance do Santander foi “consistente com a tese de normalização gradual”.
Porém, os analistas avaliam que uma reprecificação mais relevante de ROE depende do ambiente macroeconômico menos adverso e da resolução do ciclo de inadimplência em segmentos específicos.
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