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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

POR TRÁS DO GRÁFICO

Brava Energia (BRAV3) sai como vencedora de acordo milionário com Petrobras (PETR4), mas ação cai. Por que o mercado torce o nariz?

Analistas veem ganhos claros para a Brava com operação, citando reforço no caixa e alívio na dívida — mas o outro fator incomoda os investidores

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
28 de abril de 2026
14:25
Montagem com a logo da Brava Energia, um gráfico de ações e equipamentos de perfuração de petróleo
Brava (BRAV3) - Imagem: Montagem/Canva Pro

A Brava Energia (BRAV3) é vista pelos analistas como a grande vencedora no acordo para vender 100% de uma fatia do chamado ring-fence do Campo de Argonauta (BC-10), na Bacia de Campos, para a Petrobras (PETR4), mas, mesmo assim, as ações BRAV3 operam em queda nesta terça-feira (28).

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O ativo faz parte de um consórcio que reúne ainda Shell e ONGC. A transação foi avaliada em cerca de US$ 290 milhões — um valor pequeno para a Petrobras, equivalente a cerca de 0,2% do seu valor de mercado, mas com impacto relevante para a Brava.

A fatia negociada corresponde a uma área com 0,86% da jazida compartilhada do pré-sal de Jubarte, dentro do acordo de individualização da produção em vigor desde agosto de 2025.

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Na leitura de analistas da XP Investimentos e do Bradesco BBI, o negócio passa praticamente “em branco” para a Petrobras, dado o tamanho da estatal — mas joga em favor da Brava Energia.

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Ações caem mesmo após acordo

Nem mesmo a vantagem da Brava no acordo que envolve a Petrobras é capaz de manter as ações BRAV3 no azul — mudanças recentes nas recomendações para os papéis da companhia ainda pensam mais sobre os ativos na bolsa.

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Por volta das 14h15 (horário de Brasília), as ações da Brava recuavam 0,58% no Ibovespa, negociadas a R$ 18,88.

Na sexta-feira (24), o Morgan Stanley rebaixou o papel de compra para neutro e cortou o preço-alvo de R$ 28 para R$ 23. Na segunda-feira (27), foi a vez do JP Morgan cortar a recomendação, também para neutro.

“As estratégias de hedge de Brava limitaram sua capacidade de capturar todo o potencial de alta dos preços do petróleo, resultando em uma geração de valor ao acionista menos atrativa em comparação à Prio”, escreveram os analistas do banco em relatório.

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Ao contrário da Brava, que opera em queda, os papéis da Petrobras acompanham o avanço do petróleo no mercado internacional nesta terça-feira (28). Por volta de 14h15, PETR4 subia 0,99%, a R$ 47,84, enquanto PETR3 avançava 1,37%, a R$ 53,14.

Brava tem caixa impulsionado

Apesar da pressão na bolsa, a XP considera que a venda de uma porção do ring‑fence do Campo de Argonauta foi um evento positivo para a Brava, uma vez que integra o consórcio operador e detém 23% de participação no campo.

Dado o porte da Petrobras, no entanto, o movimento pouco impacta a estatal, segundo a corretora. Nos cálculos da XP, a petroleira deverá receber US$ 67 milhões, o equivalente a um retorno de cerca de 3,8% no retorno de fluxo de caixa livre.

“O negócio já era esperado, embora o valor final tenha ficado levemente acima das expectativas de cerca de US$ 50 milhões pela participação da Brava”, acrescenta.

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Endividamento menor

Na avaliação do Bradesco BBI, como Jubarte e Argonauta estavam interligados, era esperado a unitização ou a aquisição ocorresse em algum momento.

A aquisição, na visão do banco de investimentos, simplifica as coisas para a Petrobras, assim como a aquisição de Tartaruga Verde.

“Para a Brava Energia (BRAV3), a aquisição ajudará a empresa a reduzir seu endividamento, pois deverá receber cerca de US$ 67 milhões no período de 3 anos”, afirma o BBI.

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