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Mercado espera resultado mais fraco, com foco nos sinais de evolução da inadimplência e da qualidade de ativos. Veja o que dizem os analistas

O Santander Brasil (SANB11) estreia a temporada de balanços de bancos do primeiro trimestre (1T26) com uma equação mais difícil: crescer menos, provisionar mais e, ainda assim, preservar a rentabilidade.
A divisão brasileira do banco espanhol divulga seu resultado trimestral nesta quarta-feira (29), antes da abertura do mercado — com a expectativa de entregar mais um trimestre fraco, ainda que dentro do script traçado pelos analistas.
A expectativa do mercado é de um lucro líquido de R$ 4,066 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg, o que representaria uma leve alta de 5,5% na comparação anual.
Já a rentabilidade deve girar em torno de 17,5%, de acordo com a média das estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro — ainda distante do patamar de 20% que o banco mira alcançar no médio prazo.
Na visão da XP Investimentos, o resultado do Santander deve refletir, em grande parte, o padrão típico do início do ano: menor atividade, carteira levemente contraída na margem e pressão sobre a qualidade do crédito.
Isso porque nesse período os atrasos aumentam e os bancos tendem a adotar uma postura mais cautelosa.
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No caso do Santander, esse movimento deve vir ainda mais evidente, segundo os analistas.
“O trimestre mais fraco deve refletir uma postura mais seletiva, especialmente em cartões de crédito de menor renda, no agronegócio e em PMEs. Além disso, a valorização cambial deve pesar sobre a comparação”, afirma a XP.
Apesar do início de ano mais tímido, a corretora prevê que o banco tem capacidade de melhorar a originação e entregar um crescimento na faixa de “um dígito médio” em 2026.
Se o ambiente já não ajuda, alguns fatores específicos devem adicionar pressão extra aos números do Santander Brasil no 1T26.
O UBS BB chama atenção para a normalização da carga tributária. No quarto trimestre de 2025, a alíquota efetiva foi atipicamente baixa, em torno de 2,5%. Agora, a expectativa é voltar para algo próximo de 10%.
Na leitura do Safra, a margem com mercado deve seguir negativa, ainda que com impacto menor do que no trimestre anterior. Ainda assim, o avanço do custo do risco tende a continuar sendo o principal vetor de pressão sobre o resultado.
Além disso, as margens com clientes devem seguir mais fracas, enquanto a inadimplência dá sinais de piora, exigindo reforço nas provisões, segundo os analistas.
Na prática, isso significa um custo do risco mais alto — e menos espaço para expansão da rentabilidade.
O Bank of America (BofA) projeta um trimestre de crescimento tímido, com leve queda do ROE na comparação trimestral.
Para os analistas, a estratégia do banco deve ficar mais evidente na composição da carteira, com expansão em linhas consideradas mais seguras, como financiamento de veículos e crédito consignado.
Por outro lado, deve haver uma retração em segmentos mais arriscados, especialmente entre clientes de menor renda.
Ao mesmo tempo, o ambiente de juros elevados e a própria sazonalidade devem contribuir para um aumento da inadimplência trimestre a trimestre, pressionando ainda mais as provisões, na visão do BofA.
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