O minério de ferro vai dar uma trégua? A aposta do mercado para os números da Vale (VALE3) no primeiro trimestre de 2026
Mesmo com queda trimestral esperada, projeções indicam Ebitda acima de US$ 4 bilhões, impulsionado por metais básicos

A Vale (VALE3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 (1T26) com produção praticamente em linha com as expectativas — o suficiente para já influenciar as projeções do mercado para o balanço, que será divulgado nesta terça-feira (28), após o fechamento dos mercados.
De acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg, a companhia deve apresentar crescimento tanto de receita quanto de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na comparação anual.
Na margem, porém, os números tendem a refletir a sazonalidade do início do ano, com recuo frente ao trimestre imediatamente anterior.
Confira abaixo as estimativas:
| Em dólares | Variação anual | Variação trimestral | Em reais | Variação anual | Variação trimestral | |
| Lucro líquido | 2,180 bilhões | +56,38% | -44,10% | 10,867 bilhões | +33,01% | -48,37% |
| Receita | 9,631 bilhões | +18,62% | -12,90% | 47,890 bilhões | +1,01% | -19,75% |
| Ebitda | 4,109 bilhões | +31,91% | -16,38% | 20,432 bilhões | +12,33% | -22,97% |
Produção da Vale no 1T26
As projeções partem dos dados operacionais divulgados pela mineradora para o período entre janeiro e março. A produção de minério de ferro avançou 3% em base anual, mas caiu 22,9% na comparação trimestral, somando 69,7 milhões de toneladas no trimestre.
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Em metais básicos, o desempenho foi mais robusto. A produção de cobre atingiu 102,3 mil toneladas, alta de 12,5% em um ano, apesar da queda de 5,4% frente ao trimestre anterior. Já o níquel somou 49,3 mil toneladas, com avanço de 12,3% na base anual e de 6,7% na comparação trimestral.
Segundo a própria Vale, o cobre registrou o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2017, enquanto o níquel alcançou o maior nível para o período desde 2020.
Na avaliação do Banco Safra, a principal mensagem para o acionista é que “a Vale segue exposta ao minério de ferro, mas encontra em cobre e níquel uma alavanca cada vez mais importante de diversificação operacional e potencial de valor”.
Mercado revisa projeções
O desempenho operacional levou a ajustes nas estimativas de bancos e corretoras. A XP Investimentos classificou os números como sólidos e ligeiramente acima do esperado, elevando a projeção de Ebitda para cerca de US$ 4,2 bilhões.
O Itaú BBA também revisou as estimativas, ainda que de forma mais moderada.
“Os números de produção e vendas ficaram, em geral, em linha com nossas expectativas, levando a um leve ajuste para cima no Ebitda proforma, para cerca de US$ 4,06 bilhões”, afirmou o banco, destacando volumes resilientes e melhora na realização de preços, especialmente em metais básicos.
Na mesma linha, a Genial Investimentos projeta Ebitda de US$ 4,1 bilhões — queda de 15,8% na base trimestral, mas alta de 26,8% em relação ao mesmo período de 2025.
A corretora também estima receita líquida de US$ 9,4 bilhões e lucro líquido de US$ 2,87 bilhões, mais que o dobro na comparação anual, impulsionados sobretudo pelo desempenho acima do esperado de cobre e níquel.
Já o Safra manteve a estimativa de Ebitda em torno de US$ 4,1 bilhões, mesmo após incorporar os dados mais recentes de volumes e preços — nível cerca de 3% acima do consenso de mercado, próximo de US$ 4 bilhões.
Geração de caixa e tese de investimento
No campo da geração de valor, o Bradesco BBI calcula que a Vale pode gerar o equivalente a cerca de 11% de seu valor de mercado em caixa ao longo de 2026, considerando os preços atuais das commodities.
Para o BTG Pactual, o ambiente mais previsível e menos volátil reforça a tese de investimento.
“A realização de preços veio consistente com nossas estimativas, o que sustenta a projeção de Ebitda próxima de US$ 4 bilhões. Vemos espaço para re-rating, com múltiplos acima de 5 vezes Ebitda e um carrego atrativo, com yield de aproximadamente 8%”, afirmou o banco.
- Leia também: Dividendos extraordinários da Vale (VALE3) baterão à porta do investidor em breve, segundo o BTG
E as ações da Vale?
Antes do balanço, as recomendações seguem majoritariamente positivas. O Morgan Stanley reiterou indicação de compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 19,50.
O BTG mantém compra para VALE3, com target de R$ 85, enquanto o Itaú BBA projeta R$ 101 para as ações no Brasil e os mesmos US$ 19,50 para os ADRs.
O Santander, por sua vez, reiterou recomendação outperform, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 85,25.
A Genial adota uma postura mais cautelosa, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 90 (e US$ 17 para ADRs), citando espaço limitado para valorização.
Na mesma linha, o Banco do Brasil Investimentos mantém recomendação neutra, apesar da visão construtiva sobre a companhia, citando potencial de valorização mais limitado diante de seu preço-alvo de R$ 89 para o fim de 2026.
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