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Giovanna Figueredo

Giovanna Figueredo

Repórter do Seu Dinheiro com cobertura focada em mercado imobiliário, pequenas e médias empresas e temas ESG. Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA‑USP).

FOCO EM ESG

Não é europeu: o maior fundo de reflorestamento é focado na América Latina e captou R$ 6,2 bilhões com participação da Vale (VALE3) e BNDES

Fundo quer conservar e reflorestar 270 mil hectares na América Latina com investidores de peso; gestora também estima aumento na geração de empregos

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
28 de abril de 2026
15:15 - atualizado às 14:46
Planta em crescimento e gráfico em ascensão para remeter a ESG, sustentabilidade e investimento em reflorestamento
Sustentabilidade e investimentos - Imagem: Thai Noipho/iStock

Muito se fala sobre as iniciativas europeias em sustentabilidade e princípios ESG (Ambiental, Social e Governança, em português), tanto em esfera pública quanto privada. No entanto, a América Latina entrou para o jogo com o maior fundo de reflorestamento fechado até hoje, gerido pelo BTG Pactual Timberland Investment Group (BTG Pactual TIG), com captação de US$ 1,24 bilhão em compromissos divulgada nesta terça-feira (28).

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Na cotação atual, a cifra representa cerca de R$ 6,2 bilhões. Os valores serão direcionados para conservar, restaurar e reflorestar aproximadamente 270 mil hectares de paisagens degradadas em países da América Latina, em parceria com a empresa ambiental Conservation International.

O objetivo inicial era levantar US$ 1 bilhão. Vale lembrar que, ao captar em compromissos, o fundo não recebe os valores imediatamente e há aportes ao longo do tempo.

Entre os investidores da estratégia estão instituições de peso, incluindo bancos de desenvolvimento, fundos de pensão, empresas de capital aberto e organizações ambientais.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, dispôs de R$ 300 milhões para o fundo, com aprovação ainda no ano passado, em dezembro. Já a Vale (VALE3) afirmou que a participação no investimento está relacionada ao objetivo de ESG da mineradora, com a Meta Florestal 2030.

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"Projetamos esta estratégia para demonstrar que a restauração em escalas de paisagem pode entregar resultados tanto ambientais quanto comerciais”, disse Gerrity Lansing, Head do BTG Pactual TIG.

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Estratégia de reflorestamento já está em vigor

Os investimentos serão direcionados para países latino-americanos no geral, mas um dos focos deve ser a recuperação do Cerrado brasileiro, “onde a restauração em larga escala é urgentemente necessária”, afirma a gestora de ativos florestais.

A estratégia do fundo é restaurar 135 mil hectares de florestas nativas, além de plantar árvores em outros 135 mil hectares em fazendas florestais comerciais geridas de forma sustentável e que sejam certificadas pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC).  

Dados do BTG Pactual TIG indicam que cerca de 29 milhões de árvores já foram plantadas em mais de 25 mil hectares de terras degradadas no Brasil.

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Agora, segundo a gestora, 20 mil hectares estão sob conservação, enquanto a restauração de vegetação nativa já foi iniciada em outros mais de 20 mil hectares.

O fundo também mapeia diferentes espécies de plantas e animais, além de riachos que estão sob proteção ambiental.

Outro reflexo que tem sido avaliado nas estimativas é a geração de empregos. A gestora acredita que, com a implementação total da estratégia, a criação de cerca de 2,7 mil trabalhos diretos e indiretos será uma consequência.

Gestora com foco em ativos florestais

O BTG Pactual TIG é uma das maiores gestoras de investimentos em florestas do mundo, com administração de US$ 7,5 bilhões em ativos e compromissos, cerca de R$ 37,4 bilhões na cotação atual, e cerca de 1,2 milhão de hectares nos Estados Unidos e América Latina.

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Ao longo do mês de abril, a gestora já havia divulgado outra estratégia inicial de investimentos florestais no valor de US$ 370 milhões — R$ 1,8 bilhão.

Na ocasião, a instituição afirmou que o movimento marcava o início de uma captação mais ampla, com a meta de atingir US$ 1,5 bilhão ao longo dos próximos cinco anos.

A estratégia segue o modelo chamado “core”, com foco em ativos florestais de grande escala e gestão sustentável.

Os US$ 370 milhões devem se concentrar em três mercados da região — Chile, Uruguai e Brasil — com diversificação entre geografias, condições climáticas, espécies cultivadas e consumidores.

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