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Produção do minério de ferro da Vale caiu 4% na comparação anual, mas em relação ao segundo trimestre houve alta de 9,5%
Após um primeiro semestre mais fraco este ano, investidores esperavam que a Vale (VALE3) aproveitasse o clima geralmente mais favorável e os melhores preços do minério de ferro no terceiro trimestre para impulsionar a produção e as vendas da commodity.
Nas vendas e preços do minério, a companhia conseguiu entregar crescimentos. Porém, na comparação anual, algumas dificuldades ainda levaram a uma queda da produção.
A produção de minério de ferro somou 86.238 mil toneladas métricas (Mt) no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. No entanto, houve um avanço significativo, de 9,5%, frente ao segundo trimestre deste ano.
Segundo a companhia, entre os motivos para a queda está a redução na produção do Sistema Norte de 1,5 Mt na base anual, devido a uma falha pontual no sistema de correia transportadora na mina S11D em agosto.
A produção do Sistema Sul também diminuiu, em 2,6 Mt, principalmente devido à menor produção de run-of-mine (produção bruta de minério) e às vendas do Complexo Paraopeba.
Ainda houve uma parada temporária das operações de Viga em função da manutenção de um rejeitoduto.
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Já as vendas de finos de minério de ferro subiram 6,6% na base anual e 10,1% na base trimestral, para 69.714 mil Mt.
A companhia atribui o crescimento à venda de estoques do primeiro semestre e às condições favoráveis do mercado.
O relatório de produção também mostrou que os preços dos finos de minério de ferro subiram 13,5% no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2023, para US$ 105,10 por tonelada.
Porém, os preços das pelotas de minério tiveram queda de 17% na mesma comparação.
A mineradora explicou que houve impacto dos preços de referência mais altos de minério de ferro. Já no caso das pelotas, os prêmios trimestrais foram mais baixos.
O terceiro trimestre costuma ser sazonalmente mais favorável para a Vale. Isso porque as condições climáticas são melhores para a produção de minério de ferro, com menos chuvas tanto em Carajás (PA) quanto em Minas Gerais (MG).
Além do fator climático positivo, analistas destacaram que os preços do minério de ferro mostraram resiliência ao longo do terceiro trimestre, o que aumentou a expectativa de que a Vale ia conseguir inverter a impressão ruim que ficou gravada nos dois primeiros trimestres.
Por isso, os analistas da Genial Investimentos, por exemplo, projetavam uma alta de duplo dígito na produção na base trimestral - que quase foi atingida, com alta de 9,5% - , mas um leve recuo na comparação anual devido a um terceiro trimestre de 2022 muito forte - o que ocorreu.
Já a previsão para as vendas era de uma melhora substancial na comparação entre o terceiro e o segundo trimestres e uma alta de um dígito baixo na comparação com o ano anterior.
“Acreditamos que o terceiro trimestre de 2023 deixará a Vale mais perto da banda superior do guidance de 310 a 320 milhões de toneladas [em 2023]”, disseram os analistas da Genial, em relatório.
De janeiro a setembro, a produção de minério totalizou 231.755 mil Mt, de acordo com o relatório.
O Itaú BBA também esperava volumes de produção e vendas de minério melhores, projetando embarques de 81 milhões de toneladas no terceiro trimestre, ajudado pela sazonalidade.
O BTG Pactual foi outro banco que esperava ver uma produção em recuperação. Os analistas conversaram recentemente com a diretoria da Vale e relataram que o tom da conversa foi construtivo, dada a força dos fundamentos do minério de ferro, já que a China (maior consumidora da commodity) não tem reduzido significativamente a demanda.
“Ficou a mensagem de que os custos/volumes deverão melhorar gradualmente à frente. A empresa reforçou sua meta de produção de 310 a 320 Mt”, disseram.
Confira também como foi a produção e a venda dos outros metais presentes no portfólio da Vale, como o níquel e o cobre, além dos produtos de minério de ferro, no terceiro trimestre:
Apenas a meta (guidance) de produção do cobre foi alterada pela mineradora, que passou a prever um volume menor em 2023. O guidance passou da faixa de 335 a 370 kt para 315 a 325 kt.
Segundo a Vale, embora o desempenho da produção de cobre no acumulado do ano continue forte, com um aumento de 22% na base anual, o guidance para 2023 foi revisado para baixo "devido a mudanças no método de lavra na mina de Coleman e manutenção adicional na mina de Salobo e nas plantas Salobo I e II".
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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