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A construtora foi conservadora em 2023, mas, com a melhora no cenário macroeconômico, deve retomar o volume de projetos desenvolvidos

Mergulhar de cabeça nunca é o recomendado em mares desconhecidos, especialmente durante uma tempestade. E, com o ciclone formado pelo ciclo de alta da taxa Selic, esse era o cenário enfrentado por empresas da construção civil, como a Even (EVEN3), até recentemente.
Por isso, a construtora e incorporadora brasileira focou em estabilizar o barco e testar as águas no início deste ano. “O nosso setor é especialmente conhecido pelo impacto dos juros porque as obras são custeadas por bancos e os compradores, via de regra, financiam a compra dos imóveis”, explica Marcelo Dzik, CFO da Even, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.
Mas, com os ares do segundo semestre soprando ventos menos hostis — a inflação dá sinais de arrefecimento e o mercado espera um corte na taxa Selic já no próximo mês — a empresa içou velas e deve fortalecer cada vez mais os lançamentos.
“O mercado começou 2023 melhor do que esperávamos e as vendas vieram fortes, então decidimos retomar os nossos lançamentos em volume relevante.”, diz o executivo. Os dados da última prévia operacional, divulgada no início do mês, confirmam a afirmação: a Even lançou três empreendimentos no segundo trimestre, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 774 milhões.
A cifra, que representa uma estimativa da receita a ser obtida com os projetos, é 68% superior à registrada no mesmo período do ano passado — a base de comparação é mais fraca, pois corresponde justamente ao período em que a tempestade macroeconômica caminhava para atingir o auge da pressão nas margens das construtoras.
“A empresa teve um 2022 mais conservador porque o ambiente estava muito volátil e agressivo. Preferimos lançar um pouco menos, focar na venda de estoque e preservar a posição de caixa, que é um dos nossos pilares”
Marcelo Dzik, CFO da EvenLeia Também
A tática de concentrar os esforços de comercialização nas unidades remanescentes de lançamentos anteriores, especialmente as de estúdios e outros projetos com plantas menores, mostrou-se acertada.
De acordo com a prévia operacional, a construtora vendeu R$ 591 milhões no período, crescimento de 23% ante o segundo trimestre do ano passado.
No semestre, o indicador chegou a R$ 897 milhões, e mais da metade do VGV total — ou cerca de R$ 497 milhões — veio do estoque.
As ações da companhia também reagem à melhora dos números e das perspectivas e acumulam alta de mais de 65% neste ano. A performance é fortalecida ainda pela melhora geral no apetite pelos papéis do setor. Veja abaixo:

Agora, a Even deve virar a chave e voltar a colocar cada vez mais produtos novos na prateleira dentro da operação principal. Ou seja, apesar de a retomada e revisão do programa Minha Casa Minha Vida ter aquecido as perspectivas para o segmento de baixa renda, a companhia seguirá focada em construir empreendimentos para média e alta renda na cidade de São Paulo.
Dzik, que já está na construtora há mais de 16 anos e acompanhou diversas fases do modelo de negócios, conta que, ao longo dos anos, a companhia entendeu qual é “sua vocação” dentro do mercado.
“Ajustamos a estratégia para aquilo que fazemos e conhecemos bem, que são imóveis para um público mais resiliente quanto ao juros pois são menos dependentes do crédito.”
O CFO argumenta que há outra vantagem da faixa de renda escolhida pela construtora: a possibilidade de criar valor agregado nos imóveis trabalhando características diferenciais.
“O terreno médio para lançamento em São Paulo fica abaixo de 2 mil m², enquanto o nosso está acima de 5 mil metros quadrados. Assim, conseguimos ter plantas melhores e investir em áreas de lazer maiores, com quadras de tênis, poliesportiva e piscina com raia de 25 metros, por exemplo.”
A Even aposta ainda em parcerias com redes hoteleiras já consolidadas para turbinar os condomínios de seus empreendimentos. “Sabemos que uma das principais demandas do alto padrão é um bom serviço”, cita o executivo.
A companhia entregou neste ano um projeto em conjunto com o Fasano — esse é o primeiro residencial da marca e inclui hotel, bares e restaurantes — e já anunciou a construção de um empreendimento com o Faena que marcará a entrada do grupo argentino no mercado brasileiro.
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