Cielo (CIEL3) pode perder a liderança da corrida das maquininhas no 2T23 — e uma rival está pronta para ‘roubar’ a posição, diz JP Morgan
Os analistas rebaixaram a recomendação para as ações CIEL3 de “compra” para “neutro” e cortaram as estimativas de preço para R$ 6 por papel para o fim deste ano

Mesmo que Cesar Cielo tenha entrado para o Hall da Fama da natação internacional, na competição aquática da B3, sua “xará” Cielo (CIEL3) parece não conseguir acompanhar o ritmo acelerado de rivais do setor de maquininhas, como Stone, GetNet e Pagbank.
Apesar de ter entregado um resultado sólido no primeiro trimestre do ano, na visão dos “árbitros” do JP Morgan, a companhia aparece segundos atrás de suas concorrentes nas piscinas da bolsa brasileira.
Os analistas rebaixaram a recomendação para as ações CIEL3 de “compra” para “neutro” e cortaram as estimativas de preço para o fim deste ano.
O banco norte-americano, que antes havia fixado a cotação de R$ 8 para CIEL3, agora prevê um preço-alvo de R$ 6 por papel da Cielo — o que ainda equivale a um potencial de alta de 27% em relação ao último fechamento, de R$ 4,72.
Os papéis da empresa de maquininhas lideram as perdas do Ibovespa no pregão desta terça-feira (06). Por volta das 13h20, as ações CIEL3 recuavam 4,24%, cotadas a R$ 4,52.
A avaliação sobre Cielo (CIEL3)
Depois de ter dominado o setor de maquininhas no Brasil por anos, a Cielo (CIEL3) foi perdendo a liderança absoluta na corrida aquática da bolsa. Segundo o JP Morgan, a empresa viu sua participação de mercado passar de 54% para 24% nos últimos anos.
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Agora, a instituição norte-americana projeta um aumento do risco de concorrência para a Cielo — e a empresa pode perder a liderança para na corrida aquática da B3.
Na análise do JP Morgan, a Rede, a unidade de maquininhas do Itaú, se posicionou como uma das principais ameaças para destronar a Cielo após seguir aumentando a participação de mercado por vários trimestres consecutivos.
“Na tendência atual, a Rede poderia derrubar a Cielo como líder de mercado no segundo trimestre de 2023, e não temos certeza de qual será a reação da Cielo e dos bancos controladores”, destaca o banco.
Além disso, os analistas destacam o “crescimento anormal” da GetNet no quarto trimestre do ano passado.
O banco afirma continuar enxergando valor para a Cielo no longo prazo, mas, no caso de cortes na taxa Selic daqui para frente, prevê que a Stone esteja mais preparada para se recuperar.
“Um potencial destronamento da Cielo como líder de mercado pela Rede também nos preocupa com uma possível reação da empresa e dos bancos controladores, o que pode significar rendimentos mais baixos e custos mais altos”.
A tendência no setor de maquininhas
Os analistas do JP Morgan enxergam que a Cielo conseguiu recuperar o tempo perdido no último ano — o que motivou a última revisão de análise, em março de 2022. Ao longo do ano passado, a empresa subiu mais de 150% desde as mínimas atingidas no fim de 2021.
Porém, as braçadas da Cielo parecem ter perdido a força, dando cada vez menos propulsão para as ações na disputa da B3.
Não bastasse a concorrência e os desafios para a própria Cielo, o cenário para as empresas de maquininhas apresenta obstáculos nas raias da natação da bolsa.
Os analistas projetam um menor crescimento do volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) em todo o setor.
Isso porque o volume de pagamentos registrou uma tendência de compressão ao longo dos últimos anos. O TPV cresceu 30% em 2021; no ano passado, esse número passou para 25%, enquanto, no primeiro trimestre de 2023, a taxa chegou a 11% .
“Esperamos que a desaceleração substancial no crescimento do TPV da indústria continue, o que poderia desencadear reações comerciais mais agressivas por parte dos players”, afirma o banco, em relatório.
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O que esperar de Cielo (CIEL3)?
Apesar de esperar resultados positivos no segundo trimestre de 2023, o JP Morgan projeta um cenário mais pressionado para Cielo (CIEL3).
Segundo os analistas, as estimativas mais neutras devem-se a padrões de cartão de crédito mais rígidos por parte dos bancos, ao aumento da adoção do Pix entre os lojistas e a vendas no varejo mostrando sinais de fraqueza.
“É provável que esse trimestre potencialmente recorde seja usado pelos investidores para sair da ação. Vimos nos trimestres anteriores uma série de performances fortes seguidas de baixo desempenho”
A instituição norte-americana também prevê pontos positivos para a empresa de maquininhas, como a participação da Cielo na Cateno, que, sozinha, poderia valer entre R$ 9 bilhões e R$ 12 bilhões.
Enquanto isso, do lado negativo, o banco prevê seis principais riscos para Cielo. Confira aqui:
- Novas perdas de participação de mercado;
- Pressão contínua sobre os rendimentos;
- Menores margens devido a maiores investimentos no negócio;
- Aumento da Selic pressionando os custos de captação;
- Impacto do Pix nos volumes de pagamentos.
“Favorecemos no setor de pagamentos os players mais alavancados pelo declínio da taxa Selic, em nossa visão, Stone e Pagseguro.”
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