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DE QUEM É A CULPA?

Americanas (AMER3) apresenta três supostas provas contra ex-CEO após executivo falar que sócio e filho de Lemann sabiam de fraude

Nas supostas provas contra Gutierrez, a Americanas relata como o executivo escondeu do conselho de administração a verdadeira situação da companhia

Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, em montagem ao lado de loja da rede
Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, em montagem ao lado de loja da rede - Imagem: Montagem Brenda Silva

A Americanas (AMER3) aumentou o tom das acusações contra o ex-CEO Miguel Gutierrez após o executivo afirmar que Carlos Alberto Sicupira, um dos acionistas de referência, e Paulo Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann, sabiam dos problemas da varejista.

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Em comunicado, a Americanas voltou a responsabilizar Gutierrez pela fraude contábil de mais de R$ 20 bilhões. A empresa também "refutou veementemente" as alegações do ex-CEO.

De acordo com a companhia, Gutierrez não apresentou contraprovas, em nenhum momento, para os documentos e fatos que demonstram a participação dele na fraude.

Além disso, a Americanas diz que apresentou três novas evidências contra o executivo no processo judicial movido pelo Bradesco contra a varejista.

Americanas: as três supostas provas contra Gutierrez

Nas supostas provas contra Gutierrez, a Americanas relata como o executivo escondeu do conselho de administração a verdadeira situação da companhia. Veja a seguir:

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  1. Materiais que apontam a existência de duas versões dos demonstrativos da Americanas, uma de uso interno da antiga diretoria e outra destinada ao conselho de administração. Esse conteúdo estaria em arquivo digitalizado com anotações de próprio punho de Miguel Gutierrez, encontradas em equipamento eletrônico da companhia usado por ele.
  2. E-mail enviado por Miguel Gutierrez aos ex-diretores, com orientações para que não fossem levadas, em reunião com Sérgio Rial, respostas a dúvidas sensíveis em relação ao 4T22 e endividamento da companhia;
  3. E-mail enviado pelo ex-CEO aos ex-diretores envolvidos na fraude, pelo qual Miguel Gutierrez reclama do “mar de comentários”. De acordo com a Americanas, ele se refere a questionamentos dos membros do comitê de auditoria da companhia.

Contradições de Gutierrez?

A Americanas também procurou rebater as alegações de Gutierrez na carta na qual fala sobre o conhecimento de membros do conselho sobre os problemas da companhia.

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A companhia embasou sua versão em documentos nos quais a antiga diretoria, liderada por Miguel Gutierrez, apresentou aos conselheiros visão de que a Americanas geraria R$ 500 milhões de caixa no 4º trimestre de 2022 e continuaria gerando caixa nos anos subsequentes, mantendo índice de endividamento financeiro saudável.

A Americanas também nega que decisões da varejista eram tomadas sem conhecimento e participação dele.

Gutierrez alega que, após a decisão da companhia de substituí-lo no fim de 2021, ele passou a ser um "CEO de CEOs". Ou seja, com menor grau de interação com as áreas mais técnicas e operacionais.

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Mas a Americanas afirma que as agendas de reuniões do conselho mostram que o ex-CEO era ativo na gestão, "como é de se esperar de qualquer presidente de empresa".

Crítica ao Bradesco

A Americanas incluiu as novas alegações contra Gutierrez em resposta ao agravo em processo judicial do Bradesco. O banco é um dos maiores credores da varejista, com quase R$ 5 bilhões a receber.

No comunicado, a varejista ainda disse que "lamenta" a posição da instituição financeira, ao contrário dos outros bancos credores da companhia, "que seguem empenhados num consenso ao plano de recuperação judicial".

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