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Em seus primeiros anos de gestão, o Governo Lula fora agraciado com um boom de commodities e uma herança benigna das reformas trazidas por FHC.
Não que tenha sido completamente desprovido de méritos próprios, mas deu muita sorte. Galgou algumas conquistas endógenas e soube se aproveitar das benesses exógenas também.
Já na gestão atual, o mercado se assustou com uma nova abordagem endógena de Lula, bem menos amistosa do que a anterior. Diante de bravatas vingativas, discursos raivosos e ameaças de estatização, esperou-se o pior durante a maior parte do primeiro semestre.
Botar a culpa da guerra na Ucrânia, idolatrar Nicolás Maduro e chamar o camarada Zanin para o STF certamente não ajuda.
No entanto, para nossa alegria talebiana, X não é F(X).
Ou, se preferirem, X não é L(X).
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Embora seja sempre tentador pular para as conclusões mais diretas e lineares, a verdade é que existem múltiplas relações sinuosas governando a determinação entre uma abscissa e sua ordenada. Por exemplo: um Lula no poder não significa, necessariamente, um Lula com poder.
Ademais, as forças exógenas parecem vir à tona mais uma vez, mediante PIB maior e inflação menor, contratando com isso uma oportuna queda das taxas de juros. Que timing!
Deixar o homem trabalhar pode ser uma péssima ideia, mas deixar o homem ter sorte é uma ideia até que bem simpática.
Nesse sentido, a deusa da Fortuna de Lula seria também a deusa da Faria Lima, e a mesma deusa de todas as empresas asfixiadas por juros reais de 10%. De repente, topamos ser convertidos e viramos todos monoteístas, rezando pelo corte de 50 bps da Selic.
Fica combinado que não vamos trair o Arthur Lira, não vamos roubar a Eletrobras, e nem vamos dar falso testemunho contra o presidente do Banco Central.
Pela primeira vez em muito tempo, temos ao nosso dispor uma bela chance de ganhar dinheiro de verdade, todos juntos, sem recorrer a pecados capitais.
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