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A participação da moeda chinesa no mercado de câmbio russo agora é de 40% a 45%, ante menos de 1% no início do ano
Um dos efeitos colaterais da guerra na Ucrânia foi a expulsão da Rússia do sistema internacional de pagamentos, o swift. Mas como quem tem amigo, tem tudo, a China ajudou Vladimir Putin a não se isolar ainda mais no cenário global.
Além de comprar milhares de barris de petróleo de Moscou, ajudando a escoar a produção e a manter a economia russa viva, Pequim também se tornou a opção de Putin para fugir do que chamou de moedas tóxicas como o dólar e o euro.
O resultado foi o yuan se tornar quase metade do mercado de câmbio da Rússia. A participação da moeda chinesa no mercado de câmbio russo agora é de 40% a 45%, ante menos de 1% no início do ano, disse a Bolsa de Moscou à Reuters.
As transações em yuan e rublo atingiram 185 bilhões de yuans em outubro, 80 vezes mais em relação a fevereiro, mês do início da invasão russa à Ucrânia.
Putin espera que o relacionamento mais forte com a China e sua moeda possa ser uma solução de curto prazo e uma perspectiva de longo prazo.
Empresas russas como a Rosneft e a Polyus levantaram quantias consideráveis em yuans no mercado de títulos chinês este ano.
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Mais cedo, o banco central russo detalhou ainda mais o afastamento das moedas ocidentais, dizendo que cerca de metade dos pagamentos internacionais são em divisas diferentes do dólar e do euro, contra 21% no início do ano.
Mas o banco também alertou que os bancos russos têm oportunidades limitadas de investimentos em yuan com juros.
"Também é importante que a transição para o yuan seja equilibrada, abordando tanto as exportações quanto as importações, bem como os pagamentos de transações de capital", disse o banco central em um relatório de estabilidade financeira.
As autoridades russas também querem a ajuda da China no desenvolvimento de um sistema de pagamento internacional que permita a Moscou e Pequim minar a primazia global do dólar.
"Esse trabalho torna possível prevenir riscos e promover a transição do rublo e do yuan para o status de moedas de reserva mundial", disse o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, no início da semana.
Mas nem tudo são flores entre Putin e Xi Jinping. Depois que a Rússia sofreu reveses importantes na Ucrânia e o presidente russo chegou a ameaçar o uso de armas nucleares para vencer o conflito, o líder chinês cobrou explicações de Moscou sobre o andamento do confronto.
Além disso, a aparente recusa da China em armar a Rússia contra a Ucrânia apontou para os limites dessa cooperação.
Mas um esforço para criar um novo sistema para os bancos realizarem transações parece responder ao movimento dos EUA e da Europa para expulsar vários bancos russos do sistema Swift que permite que as instituições financeiras se comuniquem.
*Com informações do Markets Inside e do Yahoo Finance
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